{"id":4982,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4982"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"este-pais-onde-tudo-chega-mais-tarde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/este-pais-onde-tudo-chega-mais-tarde\/","title":{"rendered":"Este pa\u00eds onde tudo chega mais tarde\u2026"},"content":{"rendered":"<p>Tudo, isto \u00e9, a feira internacional da pornografia, o desfile p\u00fablico dos homossexuais e das l\u00e9sbicas e o casamento dos mesmos, o aborto \u201ca la carte\u201d, a informa\u00e7\u00e3o sexual sem tabus, os jornais mais respeit\u00e1veis a fomentar a pr\u00e1tica da prostitui\u00e7\u00e3o fina e segura\u2026<\/p>\n<p>O que pode passar sem lei ou torneando a lei, n\u00e3o se atrasa. O que se julga ser exig\u00eancia de uma modernidade arbitr\u00e1ria e sem regras, vai  aparecendo, mais ou menos como facto consumado. O que tem interesses a explorar de qualquer ordem, se tarda, j\u00e1 vem a caminho. <\/p>\n<p>Entretanto, os pobres aumentam, os casamentos desfazem-se mal nascem, o aproveitamento escolar n\u00e3o melhora, a tenta\u00e7\u00e3o do sup\u00e9rfluo leva a perder o necess\u00e1rio, as rela\u00e7\u00f5es sociais encrespam-se e edificam-se, por todo o lado, est\u00e1tuas com p\u00e9s de barro.  <\/p>\n<p>Entre n\u00f3s, a diferen\u00e7a vai deixando de ser riqueza. Rico passou a ser o que \u00e9 igual ao de l\u00e1 de fora, e chegou a\u00ed por for\u00e7a de um mimetismo empobrecedor, das mis\u00e9rias que destroem pessoas e j\u00e1 desagregaram povos. Cada vez se faz mais importa\u00e7\u00e3o daquilo que n\u00e3o presta, e se deixa, sem pr\u00e9stimo, o que, de seu natural, \u00e9 bom.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao que afecta as pessoas por dentro, pensa-se cada vez menos e cresce o n\u00famero dos que v\u00e3o fugindo ao inc\u00f3modo de ser livres e de reflectirem e optarem por si. Alguns meios de comunica\u00e7\u00e3o social ajudam, cada dia, este empobrecimento colectivo, calando o que vale e dando valor ao lixo. Muitos dos que escrevem, tamb\u00e9m j\u00e1 n\u00e3o pensam. Parecem aut\u00f3matos teleguiados, dependentes de quem lhes d\u00e1 o p\u00e3o a ganhar. Ou, se pensam, \u00e9 sempre e s\u00f3 numa direc\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>H\u00e1 actividades em que a liberdade \u00e9 cada vez mais cara e a subservi\u00eancia mais evidente. O plano est\u00e1 muito inclinado e o deslize, ainda que impercept\u00edvel, \u00e9 permanente e inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Quem comanda o processo? Os papagaios do regime, que dizem, desdizem, contradizem e dan\u00e7am conforme a m\u00fasica; os grupos de press\u00e3o, normalmente minorit\u00e1rios, comandados por interesses que j\u00e1 s\u00e3o mais do que conhecidos; os dirigentes de organiza\u00e7\u00f5es de classe, que perderam o sentido do conjunto nacional e s\u00f3 olham para dentro; os \u201cvideirinhas\u201d que se sabem aproveitar das situa\u00e7\u00f5es para subir ou acumular bens. H\u00e1 ainda os instalados que n\u00e3o querem perder nada e est\u00e3o sempre de acordo com quem os favorece. Por fim, os cr\u00edticos profissionais, que nada fazem para dar novo rumo ao \u201csistema\u201d de que fazem parte e os vai minando.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias desastrosas de tudo isto s\u00e3o abafadas, o bem comum deixa de ter sentido, o que resta de bem vai-se a pouco e pouco esfumando, os incompetentes ganham terreno, os mais capazes emigram, a gente nova prefere o mais f\u00e1cil, os adultos encostam-se onde parece mais seguro e ningu\u00e9m os cala, quando o seu encosto come\u00e7a a oscilar.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso pintar o quadro com pouca luz, que tamb\u00e9m n\u00e3o tem muita, para ver se as pessoas acordam, se organizam e assumem um papel activo em rela\u00e7\u00e3o ao rumo deste pa\u00eds, onde h\u00e1 \u201cmais problemas para al\u00e9m do deficit\u201d. <\/p>\n<p>N\u00e3o falta gente capaz, inquieta e s\u00e9ria, mas s\u00e3o poucos os que se disp\u00f5em a lutar na linha da frente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tudo, isto \u00e9, a feira internacional da pornografia, o desfile p\u00fablico dos homossexuais e das l\u00e9sbicas e o casamento dos mesmos, o aborto \u201ca la carte\u201d, a informa\u00e7\u00e3o sexual sem tabus, os jornais mais respeit\u00e1veis a fomentar a pr\u00e1tica da prostitui\u00e7\u00e3o fina e segura\u2026 O que pode passar sem lei ou torneando a lei, n\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-4982","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4982","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4982"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4982\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4982"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4982"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4982"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}