{"id":4987,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=4987"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"ferias-alternativas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ferias-alternativas\/","title":{"rendered":"F\u00e9rias alternativas"},"content":{"rendered":"<p>1. Sabemos que nem todos t\u00eam a generosidade de se dar, no seu tempo de f\u00e9rias, \u00e0s causas nobres do voluntariado. Muito menos partir para uma experi\u00eancia de gratuidade em ambiente de sever\u00edssima austeridade. Mas congratulamo-nos, porque, ainda assim, um n\u00famero significativo de gente nova se envolve nesses projectos. E larga corajosamente do cais, na certeza de que, dando, vir\u00e1 muito mais rico! Quantos recentraram a sua vida, fizeram o discernimento final da sua voca\u00e7\u00e3o, em situa\u00e7\u00f5es desta \u201caventura\u201d de doa\u00e7\u00e3o! <\/p>\n<p>2. Temos de concordar, isso sim, \u00e9 na realidade da profunda banalidade das f\u00e9rias de tanta gente, que gasta as suas energias, em vez de as refazer, que se endivida em vez de se enriquecer, que mata o tempo em vez de fruir do tempo\u2026 Quando tantos outros, cujo direito a umas f\u00e9rias \u00e9 indiscut\u00edvel, n\u00e3o t\u00eam possibilidades de as viver, por insufici\u00eancia econ\u00f3mica, por gritante injusti\u00e7a social, por not\u00f3ria falta de solidariedade, \u00e0s vezes dos pr\u00f3prios familiares, que os alivie de encargos com dependentes. <\/p>\n<p>3. O nosso turismo est\u00e1, normalmente, organizado em fun\u00e7\u00e3o do lucro puro e simples, integrando, como sabemos, n\u00e3o poucas vezes, meandros de obscuridade, sejam eles do jogo que desgra\u00e7a fam\u00edlias, sejam da explora\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria pessoa humana, verdadeiros atentados \u00e0 dignidade fundamental da mesma pessoa. Anunciam-se formas de lazer que degradam as sociedades, que aniquilam valores, que fazem regredir o ser humano a tempos de primitivismo, os quais, para alguns, s\u00e3o o retorno \u00e0 natureza sem artif\u00edcios.   <\/p>\n<p>4. Estamos convictos &#8211; porque as experi\u00eancias feitas comprovam a apet\u00eancia de clientes &#8211; de que as f\u00e9rias poderiam ser sempre tempos de repouso em actividade enriquecedora. As f\u00e9rias cient\u00edficas, as f\u00e9rias culturais, as f\u00e9rias de turismo religioso, as f\u00e9rias de conhecimento e interc\u00e2mbio entre povos\u2026 Vivi bastantes situa\u00e7\u00f5es destas, quase sempre em servi\u00e7o, que me trouxeram outros horizontes, que me proporcionaram uma rede internacional de rela\u00e7\u00f5es humanas e mesmo amizades profundas, de permuta de trabalho. <\/p>\n<p>5. N\u00e3o querer\u00e3o os empres\u00e1rios de turismo converter esse potencial em factor de desenvolvimento econ\u00f3mico que sirva um desenvolvimento pessoal e social harmonioso? Estou certo de que, sem deixarem de ganhar, dariam a muitos dos que t\u00eam possibilidades de gozar f\u00e9rias oportunidades de transformar os seus gastos em proveitos, n\u00e3o apenas de repouso, mas de eleva\u00e7\u00e3o cultural, social, art\u00edstica, espiritual. Quem aposta em \u201cf\u00e9rias alternativas\u201d?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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