{"id":5055,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5055"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"igreja-no-mundo-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/igreja-no-mundo-i\/","title":{"rendered":"Igreja no mundo (I)"},"content":{"rendered":"<p>Revisitando o Vaticano II <!--more--> Continuamos com Casiano Florist\u00e1n a percorrer a Gaudium et Spes. Depois de observarmos a ideia central do Conc\u00edlio sobre a pessoa humana e sobre o mundo, detemo-nos hoje sobre a rela\u00e7\u00e3o Igreja-Mundo.<\/p>\n<p>A Igreja tinha j\u00e1 reconhecido, desde Le\u00e3o XIII, timidamente e sem entusiasmo, a autonomia do Estado. A GS afirma resolutamente que \u2018a comunidade pol\u00edtica e a Igreja s\u00e3o independentes e aut\u00f3nomas, cada uma no seu pr\u00f3prio campo\u2019 (76). \u201cO reconhecimento da autonomia temporal implica que a Igreja \u2018n\u00e3o est\u00e1 exclusiva e indissoluvelmente ligada a nenhuma ra\u00e7a ou na\u00e7\u00e3o, a nenhum g\u00e9nero de vida particular, a nenhuma tradi\u00e7\u00e3o, antiga ou moderna\u2019 (58).\u201d<\/p>\n<p>Fora de quest\u00e3o, qualquer modelo de Estado confessional, de sociedade sacralizada, muito menos clerial; os princ\u00edpios evang\u00e9licos devem, isso sim, inspirar uma pr\u00e1tica social orientada pelos \u201cprinc\u00edpios da dignidade humana, da primazia do trabalho, dos direitos naturais do homem e dos grupos sociais, da exist\u00eancia de participa\u00e7\u00e3o em todos os bens econ\u00f3micos e em todos os direitos pol\u00edticos e educativos\u201d.  <\/p>\n<p>\u201cO esp\u00edrito de servi\u00e7o da Igreja em rela\u00e7\u00e3o ao mundo est\u00e1 presente no cap\u00edtulo III da primeira parte da Gaudium et Spes, ao falar da \u2018actividade humana no mundo\u2019. A Igreja &#8211; como luz dos povos &#8211; n\u00e3o se situa face ao Mundo mas no meio do Mundo. \u2018Esta imagem din\u00e2mica da Igreja &#8211; diz A. Amoroso Lima &#8211; \u00e0 maneira de um fermento e de um mist\u00e9rio, que acompanha a humanidade em todas as suas vicissitudes, \u00e9 muito apropriada para actuar no fundo de uma sociedade em per\u00edodo de transforma\u00e7\u00e3o, como \u00e9 a nossa, n\u00e3o como um obst\u00e1culo a essa transforma\u00e7\u00e3o, antes como um est\u00edmulo a ela, na medida em que a transforma\u00e7\u00e3o representa um avan\u00e7o no sentido do verdadeiro progresso social\u2019. <\/p>\n<p>Em resumo, \u2018a ideia de servi\u00e7o &#8211; escreve Y. Congar &#8211; \u00e9 provavelmente aquela que aparece com mais frequ\u00eancia nos textos do Conc\u00edlio e nos Papas do Conc\u00edlio, a que mais preocupou a consci\u00eancia dos Padres\u2019. A Igreja serve o Mundo, para que seja Mundo verdadeiro e justo, at\u00e9 que a Igreja e o Mundo se convertam em Reino de Deus.\u201d<\/p>\n<p>Este continua a ser o grande desafio \u00e0 Igreja: renunciar \u00e0s tenta\u00e7\u00f5es de defesa, de ataque, de implanta\u00e7\u00e3o majestosa, para ser fermento discreto e humilde, mas vigoroso, mist\u00e9rio transformador, a servir ao mundo, pelo di\u00e1logo transparente e corajoso, os valores evang\u00e9licos que proclama e testemunha.<\/p>\n<p>Querubim Silva <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revisitando o Vaticano II<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-5055","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5055","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5055"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5055\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5055"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5055"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5055"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}