{"id":5067,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5067"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"sugestoes-de-ferias-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sugestoes-de-ferias-2\/","title":{"rendered":"SUGEST\u00d5ES DE F\u00c9RIAS"},"content":{"rendered":"<p>Para que n\u00e3o andem ao engano<\/p>\n<p>Livros: Homero, Il\u00edada e Odisseia nas vers\u00f5es de Frederico Louren\u00e7o (Ed. Cotovia, 2003, 2005). Porqu\u00ea? Porque est\u00e1 l\u00e1 tudo. Melhor, s\u00f3 a B\u00edblia. Ainda: Thomas Mann, \u201cA Montanha M\u00e1gica\u201d (Livros do Brasil), porque revela qu\u00e3o fr\u00e1gil e amea\u00e7ada est\u00e1 sempre a liberdade dos homens. E ainda Cervantes, \u201cD. Quixote\u201d, nas tradu\u00e7\u00f5es de Serras Pereira ou de Jos\u00e9 Bento (Lisboa, D. Quixote ou Rel\u00f3gio d\u2019\u00c1gua, 2005). Porque \u00abel famoso don Quijote de la Mancha (\u2026) fue el m\u00e1s casto enamorado y el m\u00e1s valiente caballero que de\u00bb Quatrocientos \u00aba\u00f1os a esta parte se vio\u00bb. Porque j\u00e1 tem musgo de quatro s\u00e9culos e n\u00e3o parece&#8230;<\/p>\n<p>Locais: Mosteiro de Sei\u00e7a, em Lavos (Figueira da Foz), porque \u00e9 uma dor de alma.<\/p>\n<p>Santa Maria de Maceira-D\u00e3o, porque \u00e9 outra dor de alma. Dois mosteiros cistercienses que testemunham o desprezo, a inc\u00faria com que tratamos a nossa hist\u00f3ria. Dois monumentos bem perto de Aveiro que mostram qu\u00e3o criminosa foi a liberal extin\u00e7\u00e3o das ordens religiosas.<\/p>\n<p>Filmes: \u201cTr\u00f3ia\u201d, porque n\u00e3o presta, embora encha os olhos. \u201cA corda\u201d, de Hitchcock, porque \u00e9 do melhor que h\u00e1 e o mestre \u00e9&#8230; o mestre. \u201cThe Lion in Winter\u201d, de James Goldman (com Peter O\u2019Toole, Katharine Hepburn e Anthony Hopkins, 1968), porque \u00e9 quase t\u00e3o bom quanto os livros que acima recomendei (ocasi\u00e3o para ver o jovem e j\u00e1 diab\u00f3lico Hopkins). \u201cBecket\u201d, de Peter Glenville (com Richard Burton e Peter O\u2019Toole, 1964), porque nunca mais sai em DVD. \u201cA man for all seasons\u201d, de Fred Zinnemann (1966), porque a hist\u00f3ria de Thomas More, como a de Tomas Becket, \u00e9 muito actual e convinha que os crist\u00e3os a conhecessem para&#8230; n\u00e3o andarem ao engano&#8230;<\/p>\n<p>Belmiro Pereira, professor universit\u00e1rio, membro da ADAV<\/p>\n<p>A voz do sil\u00eancio por ali se faz ouvir<\/p>\n<p>Quem nasceu e vive com o som do mar a embalar o seu adormecer, e sente, ao acordar, as ondas a espraiarem-se na praia, n\u00e3o pode deixar de sonhar, tamb\u00e9m, com a silhueta dos picos da serra, que ao longe nos desafia. A primeira vez que fui \u00e0 serra e \u00e0 medida que me aproximava dela, os meus olhos de menino pouco viajado ficaram deslumbrados. Senti um n\u00e3o sei qu\u00ea na alma, um prazer inexplic\u00e1vel que ainda hoje, tantos anos depois, \u00e9 um mist\u00e9rio no meu esp\u00edrito. \u00c0 serra vou sempre que posso e \u00e0s vezes at\u00e9 juro a mim mesmo que um dia por l\u00e1 hei-de ficar uns tempos largos, para calcorrear montes e vales, entre vegeta\u00e7\u00e3o luxuriante ou entre penedos com formas estranhas de figuras fant\u00e1sticas que enriquecem o imagin\u00e1rio de qualquer um.<\/p>\n<p>H\u00e1 dias fui ao Caramulo \u00e0 procura desses ares l\u00edmpidos, alimentados, e de que maneira, pelo verde que tudo enche, ao som de regatos que deslizam do cimo dos montes, por entre pedregulhos que amplificam o cantar da \u00e1gua saltitante que apetece beber a toda a hora. E quando a sede aperta, como apertou depois de um almo\u00e7o de vitela assada que s\u00f3 por ali tem um sabor como em nenhuma outra parte, ent\u00e3o foi um regalo beber uns bons copos de \u00e1gua de fonte natural, recebida em bilha de barro vermelho que a tornou mais fresca.<\/p>\n<p>Campo de Besteiros, S\u00e3o Tiago de Besteiros, Guard\u00e3o, Janardo, Pedronhe e Cabe\u00e7o da Neve foram alguns recantos da Serra do Caramulo, que uma vez mais pude contemplar em dia partilhado com amigos que n\u00e3o esconderam o sortil\u00e9gio que estas terras transmitem a todos os que chegam. Ruas e estradas amplas ao lado de ruelas empedradas que lembram tempos ancestrais, hist\u00f3rias de lutas travadas entre \u00edncolas serranos e povos invasores, casario a cair de podre porque gente teve de emigrar, habita\u00e7\u00f5es com sinais de quem regressou \u00e0 terra depois de muito trabalhar e de lutar na estranja, sanat\u00f3rios abandonados porque os tuberculosos j\u00e1 se curam em casa, sem a ajuda dos ares puros da serra, de tudo um pouco se foi fixando na retina dos meus olhos, que nunca se cansaram de apreciar de miradouros naturais a paisagem a perder de vista.<\/p>\n<p>Para os contemplativos, a Serra do Caramulo \u00e9 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus. Ali, longe dos habituais horizontes, sinto que a beleza n\u00e3o adulterada pelo mau gosto, em muit\u00edssimos recantos, oferece a quem a visita a imagem do divino, que o c\u00e9u contempla e aben\u00e7oa com nuvens que baptizam aspergindo tudo e todos.<\/p>\n<p>A voz do sil\u00eancio que tantas vezes se fez ouvir, aqui e ali perturbada pela cantilena da \u00e1gua que descia apressada do cimo dos montes, \u00e0 cata de gente que a saboreasse, ainda mais me convidava a cultivar a necessidade de voltar. O que farei sempre que puder, para encher os pulm\u00f5es de ares puros e os pensamentos do aconchego do bem e do belo.<\/p>\n<p>Proponho, ainda, a leitura de um livro, \u201cOs poemas da minha vida\u201d, de Marcelo Rebelo de Sousa. A edi\u00e7\u00e3o \u00e9 do \u201cP\u00fablico\u201d e custa uns simples 6 euros. \u00c9-me sempre agrad\u00e1vel apreciar a escolha de poemas feita seja por quem for. Como que sinto a sensibilidade e a alma de quem opta por este autor, por este ou por aquele poema.<\/p>\n<p>Marcelo Rebelo de Sousa diz, no texto introdut\u00f3rio, que se decidiu por escolher poemas e poetas portugueses contempor\u00e2neos, do seu tempo. \u201cDo tempo que vivi e vivo\u201d, referiu.<\/p>\n<p>Logo depois admite que ter\u00e1 ficado uma selec\u00e7\u00e3o \u201cdecepcionante\u201d do seu \u201ct\u00e3o significativo passado\u201d, passado esse que nunca esquece. Ainda assim, diz que escolheu \u201co presente e o futuro\u201d, na linha do seu \u201cmodo de ser\u201d.<\/p>\n<p>Por esta selec\u00e7\u00e3o de Marcelo passam poetas de L\u00edngua Portuguesa dos anos 50, 60, 70, 80 e 90, at\u00e9 hoje, que tamb\u00e9m proporcionam ao leitor, que gosta de poesia, momentos de encantamento. <\/p>\n<p>O meu voto \u00e9 que nas f\u00e9rias que se avizinham muitos aproveitem para cultivar o esp\u00edrito, na certeza de que o corpo tamb\u00e9m lucrar\u00e1.<\/p>\n<p>Proponho, ainda, um disco da minha conterr\u00e2nea e amiga Jacinta: Tributo a Bessie Smith, com edi\u00e7\u00e3o de Blue Note e aposta da TSF. Se n\u00e3o falarmos dos nossos valores, quem o poder\u00e1 fazer? E n\u00e3o \u00e9 a Jacinta a primeira artista portuguesa de jazz a ser editada pela Blue Note? Dela sublinha, Jos\u00e9 Duarte, a dic\u00e7\u00e3o, a for\u00e7a interpretativa e a sensibilidade. E a prop\u00f3sito de algumas interpreta\u00e7\u00f5es de Jacinta, refere que \u00e9 preciso ouvir, dar a ouvir e popularizar esta obra de arte.                      <\/p>\n<p>Fernando Martins<\/p>\n<p>(continua na pr\u00f3xima semana)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para que n\u00e3o andem ao engano Livros: Homero, Il\u00edada e Odisseia nas vers\u00f5es de Frederico Louren\u00e7o (Ed. Cotovia, 2003, 2005). Porqu\u00ea? Porque est\u00e1 l\u00e1 tudo. Melhor, s\u00f3 a B\u00edblia. Ainda: Thomas Mann, \u201cA Montanha M\u00e1gica\u201d (Livros do Brasil), porque revela qu\u00e3o fr\u00e1gil e amea\u00e7ada est\u00e1 sempre a liberdade dos homens. E ainda Cervantes, \u201cD. 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