{"id":5091,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5091"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"o-valor-da-fidelidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-valor-da-fidelidade\/","title":{"rendered":"O valor da fidelidade"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0 Luz do Dia <!--more--> Alain Etchegoyen, fil\u00f3sofo franc\u00eas, acaba de publicar um livro sobre a for\u00e7a da fidelidade (\u201cLa force de la fid\u00e9lit\u00e9 dans un monde infid\u00e8le\u201d, editions Anne Carri\u00e8re), onde fala de uma  ideia nova.<\/p>\n<p>Interrogado pela revista Psychologies sobre a novidade de uma quest\u00e3o t\u00e3o antiga como o pr\u00f3prio homem, o fil\u00f3sofo declarou que o facto de ter passado a ser uma escolha faz toda a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Etchegoyen explica: \u201cA fidelidade n\u00e3o s\u00f3 deixou de nos ser imposta como, pelo contr\u00e1rio, hoje em dia tudo nos convida \u00e0 infidelidade: a Internet e os encontros facilitados, o Viagra, o individualismo, a acelera\u00e7\u00e3o do tempo, a mobilidade geogr\u00e1fica, enfim, tudo apela ao desejo e \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o imediata\u201d.<\/p>\n<p>A fidelidade \u00e9 e ser\u00e1 sempre uma decis\u00e3o pessoal mas, num mundo onde \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil ser infiel, importa perceber onde reside o seu valor e a sua for\u00e7a.<\/p>\n<p>Permanecer fiel a si pr\u00f3prio e aos outros \u00e9 extraordinariamente dif\u00edcil. Assumir compromissos, criar la\u00e7os, estabelecer crit\u00e9rios e viver com prioridades nem sequer apetece mas, na realidade, \u00e9 a \u00fanica estrat\u00e9gia que nos permite viver com verdade e coer\u00eancia.<\/p>\n<p>Talvez para muitos, a verdade e a coer\u00eancia n\u00e3o sejam valores em alta mas assunto que, para mim, s\u00e3o decisivos. Gosto de amizade com verdade, amo a coer\u00eancia nas pessoas e valorizo a const\u00e2ncia nas rela\u00e7\u00f5es. Neste sentido, concordo inteiramente com Alain Etchegoyen quando diz que \u201ca fidelidade \u00e9 essencial para a constru\u00e7\u00e3o da nossa identidade e ser fiel tamb\u00e9m \u00e9 permanecer igual a si pr\u00f3prio ao longo do tempo\u201d.<\/p>\n<p>A fidelidade est\u00e1, acima de tudo, ligada ao compromisso. Seja numa rela\u00e7\u00e3o amorosa, de amizade ou outras, o compromisso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se houver muita vontade e verdade. Podia acrescentar ainda a liberdade mas, para n\u00e3o criar equ\u00edvocos, sublinho que se trata de liberdade interior para decidir, em consci\u00eancia, o que \u00e9 melhor para mim, e n\u00e3o da liberdade para fazer hoje uma coisa e amanh\u00e3 o seu contr\u00e1rio. Ali\u00e1s, em mat\u00e9ria de rela\u00e7\u00f5es afectivas esta liberdade de agir confunde-se muitas vezes com leviandade e da\u00ed a necessidade de perceber do que falamos quando falamos em liberdade.<\/p>\n<p>Voltando \u00e0 fidelidade, \u00e9 interessante ler o que escreve Etchegoyen a este prop\u00f3sito: \u201cA fidelidade protege-nos de n\u00f3s mesmos e dos nossos excessos; a fidelidade (a nossa e a do outro) \u00e9 uma vit\u00f3ria do narcisismo na medida em que refor\u00e7a e assegura o nosso pr\u00f3prio valor; a fidelidade dever ser \u2018negociada\u2019 por cada casal pois todos t\u00eam circunst\u00e2ncias e caraceter\u00edsticas diferentes.\u201d<\/p>\n<p>Estes tr\u00eas pressupostos s\u00e3o radicalmente importantes para perceber a subst\u00e2ncia da fidelidade e para tomar consci\u00eancia de que qualquer forma de trai\u00e7\u00e3o ao outro come\u00e7a sempre por ser uma trai\u00e7\u00e3o a n\u00f3s pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>Todo o livro de Alain Etchegoyen \u00e9 muito realista e provocador no sentido mais cl\u00e1ssico do termo. Provoca a discuss\u00e3o e eleva o pensamento e, neste sentido, revela a sua condi\u00e7\u00e3o de fil\u00f3sofo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 Luz do Dia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-5091","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5091","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5091"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5091\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5091"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5091"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5091"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}