{"id":5092,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5092"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"ideias-para-um-pais-desenvolvido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ideias-para-um-pais-desenvolvido\/","title":{"rendered":"Ideias para um pa\u00eds desenvolvido"},"content":{"rendered":"<p>Dias Positivos <!--more--> Esperan\u00e7a. Li num livro de que n\u00e3o sou capaz de identificar o autor ou sequer o t\u00edtulo: Um judeu era preso pelos nazis, depois de muito tempo em fuga de terra em terra. Ao entrar na a pris\u00e3o, exclama: \u201cPronto, acabou-se o medo. Come\u00e7a a esperan\u00e7a\u201d. Lembro-me frequentemente desta frase perante a sucess\u00e3o de m\u00e1s not\u00edcias com que somos atingidos.<\/p>\n<p>Os males que nos afligem. H\u00e1 dias, no jornal P\u00fablico (15 de Julho), o soci\u00f3logo Jorge Gomes fazia um diagn\u00f3stico certeiro do estado de alma portugu\u00eas: \u201cHomens que se sexualizam em meninos, meninas atiradas a rios e a animais, mortes que s\u00e3o consideradas mais mortes do que outras, pap\u00e9is assinados em tempo (in)\u00fatil, a eterna invisibilidade do d\u00e9fice, a chuva que s\u00f3i cai noutro s\u00edtio, os fogos que aparecem sem convite, a vida dos deputados medida em anos, a seguran\u00e7a social e o seu prazo de validade, o trav\u00e3o na despesa, o acelerador nas exporta\u00e7\u00f5es, o excesso de consumo e endividamento, a tecnologia que n\u00e3o existe, a inova\u00e7\u00e3o sem mudan\u00e7a, a qualifica\u00e7\u00e3o sem valor acrescentado, a eterna forma\u00e7\u00e3o longe do real, o aumento do desemprego, o empres\u00e1rio que (se) fecha deslocalizando-nos, a descoberta do envelhecimento (&#8230;). Enfim, a nossa vida e hist\u00f3ria recente t\u00eam sido, sem grandes desvios, um pouco de tudo isto\u201d.<\/p>\n<p>Dois prov\u00e9rbios e outras tantas li\u00e7\u00f5es. As not\u00edcias todos os dias dizem que v\u00eam a\u00ed tempos mais dif\u00edceis, em termos econ\u00f3micos, do que seria de esperar h\u00e1 apenas uns meses. Um banqueiro chegou a afirmar h\u00e1 dias que a solu\u00e7\u00e3o era cortar dez por cento em todos os ordenados. E o \u00edndices econ\u00f3micos (PIB, poder de compra, exporta\u00e7\u00f5es, competitividade&#8230;) pioram de dia para dia. A quest\u00e3o \u00e9: O que fazer? Como sempre, h\u00e1 duas possibilidades (adapto um prov\u00e9rbio que uns dizem ser chin\u00eas, outros hindu; eu acho-o cristian\u00edssimo): amaldi\u00e7oar as trevas (op\u00e7\u00e3o do insensato nos tempos dif\u00edceis) ou acender uma luz. Ou ent\u00e3o estas: esperar que os outros fa\u00e7am uma estrada para eu avan\u00e7ar, ou arranjar um bom cal\u00e7ado que me permita percorrer os caminhos in\u00f3spitos. \u00c9 claro que as estradas (as boas condi\u00e7\u00f5es) t\u00eam de existir. Mas de pouco valem se os indiv\u00edduos n\u00e3o sabem para onde querem ir. Ora os que sabem, mesmo que os caminhos sejam maus, n\u00e3o desistem.<\/p>\n<p>O trip\u00e9 da crise. A crise do desenvolvimento portugu\u00eas, quando a mim, \u00e9 uma crise dos portugueses. De cada um de n\u00f3s. Individualmente. E isso nota-se em tr\u00eas aspectos: N\u00e3o somos pontuais (dizemos que n\u00e3o queremos ser escravos do rel\u00f3gio, quando estamos apenas a ser desleais para com os outros). N\u00e3o lemos jornais nem livros (porque nos fazem pensar; a cultura custa). N\u00e3o gostamos de matem\u00e1tica (porque temos horror \u00e0 exactid\u00e3o e ao exerc\u00edcio mental). O que \u00e9 que isto tem a ver com o desenvolvimento? Tem tudo. N\u00e3o h\u00e1 nenhum povo que seja pontual, goste de matem\u00e1tica ou leia muitos jornais que n\u00e3o seja desenvolvido. Os \u00edndices de leitura, desempenho matem\u00e1tico e pontualidade s\u00e3o directamente proporcionais ao desenvolvimento (como \u00e9 que algu\u00e9m pouco pontual e pouco dado a contas poder\u00e1 cumprir os d\u00e9fices?). Uns dir\u00e3o que s\u00e3o consequ\u00eancia. Mas h\u00e1 mais quem defenda que s\u00e3o causas. S\u00e3o daquelas rela\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas que nos fazem pensar (como aquela que constitui a melhor defesa do sistema democr\u00e1tico: apesar das suas muitas falhas, nunca duas democracias andaram em guerra uma contra a outra).<\/p>\n<p>Queremos ser desenvolvidos, estar preparados para a globaliza\u00e7\u00e3o, enfrentar melhor o futuro? Leiamos jornais (n\u00e3o necessariamente o CV), sejamos pontuais e aprendamos a gostar de matem\u00e1tica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dias Positivos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-5092","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5092","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5092"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5092\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5092"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5092"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5092"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}