{"id":5095,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5095"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"e-fundamental-perceber-as-suas-raizes-do-terrorismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/e-fundamental-perceber-as-suas-raizes-do-terrorismo\/","title":{"rendered":"\u00c9 fundamental perceber as suas ra\u00edzes do terrorismo"},"content":{"rendered":"<p>Para muitas pessoas, Londres representou sempre uma fonte de optimismo e de salva\u00e7\u00e3o. Foi nesta cidade que muitos desenganados da vida encontraram, sen\u00e3o a mais radical estabilidade, ao menos motivos para prosseguirem corajosos e cheios de esperan\u00e7a. Nem todos se encontraram com terap\u00eauticas solucionadoras. Mas muitos e muitos, para al\u00e9m da sa\u00fade conquistada, fizeram de Londres um s\u00edmbolo de messianismo. A\u00ed se come\u00e7ou a existir, ap\u00f3s doen\u00e7a grave.<\/p>\n<p>O contraste destas \u00faltimas semanas com a sementeira de corpos ceifados, de feridos graves e com o pavor da viol\u00eancia, que poder\u00e1 doravante vir a manifestar-se, transforma Londres, sem cairmos em exageros, numa est\u00e2ncia de risco. O terrorismo, agress\u00e3o sem contornos e submiss\u00e3o \u00e0 l\u00f3gica do terror, \u00e9 um crime conden\u00e1vel, nos seus efeitos, nos seus m\u00e9todos, na sua irracionalidade. Cobarde na iniquidade, tresloucado na planifica\u00e7\u00e3o, totalit\u00e1rio no medo propositadamente semeado, \u00e9 um monstro \u00e0 solta, de que \u00e9 prova a hecatombe, seu rasto e sobreviv\u00eancia. Nada o justifica nem motiva. A desproporcionalidade do fantasma radica na sua indignidade mas decorre do seu vazio. Como v\u00e1rias vezes tenho acentuado, \u00e9 fundamental perceber-se as suas ra\u00edzes, os seus despropositados \u00edndices, a sua genealogia. N\u00e3o h\u00e1 motivos que o expliquem e o descul-pabilizem no sentido da correspond\u00eancia poss\u00edvel entre as causas e os efeitos da mortandade. Mas \u00e9 urgente tra\u00e7ar a hist\u00f3ria deste sistema destruidor nos seus per\u00edodos mais remotos e nas complexidades do presente.<\/p>\n<p>No horizonte, ao lado de outras, est\u00e1 a quest\u00e3o do Iraque, t\u00e3o descuidada como empresa b\u00e9lica. Vingan\u00e7a, metodologia de agress\u00e3o psicol\u00f3gica noutros terrenos, dado que, no face a face, o combate n\u00e3o resulta, sequelas de fanatismo religioso (perdendo o fanatismo qualquer direito para se adjectivar de sacral), vingar\u00e3o estas e outras tantas hip\u00f3teses explicativas? A maior parte dos mu\u00e7ulmanos n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel por estas desgra\u00e7as. Mas h\u00e1 uma minoria que o \u00e9, devendo repetir-se que a utiliza\u00e7\u00e3o da mortandade os demite, automaticamente, da sua condi\u00e7\u00e3o religiosa. <\/p>\n<p>Entretanto h\u00e1 quem ponha as m\u00e3os \u00e0 cabe\u00e7a, e sem a m\u00ednima pondera\u00e7\u00e3o, avance com o progn\u00f3stico da invas\u00e3o da Europa pelo Isl\u00e3o, muito em breve. Mas porqu\u00ea?<\/p>\n<p>Terrorismo, como termo, surgiu por volta de 1794. Tratou-se de um conceito criado no per\u00edodo posterior \u00e0 queda de Robespierre para designar a pol\u00edtica de terror dos anos de 1793 \u2013 1794.<\/p>\n<p>Como modo de ac\u00e7\u00e3o violenta e clandestina utilizando a estrat\u00e9gia da destrui\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o de um projecto pol\u00edtico, o terrorismo vai surpreendendo espa\u00e7os e geografias. Qual a pr\u00f3xima cidade a ser atingida? Lamentavelmente h\u00e1 fundamentos para a interroga\u00e7\u00e3o. Tragicamente.<\/p>\n<p>JANU\u00c1RIO TORGAL M. FERREIRA<\/p>\n<p>Bispo das For\u00e7as Armadas eFor\u00e7as de Seguran\u00e7a<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para muitas pessoas, Londres representou sempre uma fonte de optimismo e de salva\u00e7\u00e3o. Foi nesta cidade que muitos desenganados da vida encontraram, sen\u00e3o a mais radical estabilidade, ao menos motivos para prosseguirem corajosos e cheios de esperan\u00e7a. Nem todos se encontraram com terap\u00eauticas solucionadoras. 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