{"id":5117,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5117"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"todos-os-anos-ficamos-mais-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/todos-os-anos-ficamos-mais-pobres\/","title":{"rendered":"Todos os anos ficamos mais pobres"},"content":{"rendered":"<p>Inc\u00eandios florestais <!--more--> Em Portugal, Ver\u00e3o \u00e9 sin\u00f3nimo de inc\u00eandios. \u201cPortugal \u00e9 um pa\u00eds que foi capaz de montar dez est\u00e1dios para o Campeonato Europeu de Futebol, mas n\u00e3o \u00e9 capaz de acabar com este flagelo ano ap\u00f3s ano. Come\u00e7a a ser uma novela\u201d \u2013 palavras de Thomas Fisher, jornalista do alem\u00e3o ZDF, que acrescentou: \u201cFala-se, em Portugal, na \u00e9poca dos inc\u00eandios com a mesma normalidade com que se fala das f\u00e9rias, do Natal ou dos saldos\u201d. O fogo n\u00e3o se evita nem se previne. Combate-se como uma fatalidade. E ouvem-se frases de pessoas an\u00f3nimas, como estas: \u201cJ\u00e1 est\u00e1vamos \u00e0 espera\u201d ou \u201cN\u00e3o ardeu no ano passado, tinha de arder este ano\u201d.<\/p>\n<p>De ano para ano, aumentam os meios de combate, mas n\u00e3o diminuem as \u00e1reas ardidas. No total, no pa\u00eds, de 1990 a 1999, em m\u00e9dia, por ano, arderam 102 mil hectares (um hectare equivale a um quadrado de 100&#215;100 metros, ou seja, praticamente o tamanho de um campo de futebol); de 2000 a 2004 a m\u00e9dia anual foi de 190 mil hectares, um aumento de 86%. Se pud\u00e9ssemos juntar toda a \u00e1rea ardida nos \u00faltimos vinte e cinco anos (2,8 milh\u00f5es de ha) obter\u00edamos um inc\u00eandio com in\u00edcio em Bragan\u00e7a e fim no sul do distrito de Aveiro.<\/p>\n<p>Causas e solu\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>A origem dos fogos, dizem as estat\u00edsticas, deve-se aos incendi\u00e1rios (20%), a um ou outro interesse econ\u00f3mico (muitas suspeitas, pou-cas acusa\u00e7\u00f5es em tribunal) e principalmente \u00e0 neglig\u00eancia. As causas porque se propagam t\u00e3o rapidamente e se tornam gigantescos tamb\u00e9m est\u00e3o mais do que estudadas: desordenamento florestal, matas sem qualquer tipo de limpeza, aumento das temperaturas normais do Ver\u00e3o devido ao aquecimento global, dificuldade de acessos, meios de combate insuficientes. Quanto \u00e0s solu\u00e7\u00f5es, passam pelo longo, m\u00e9dio e curto prazo. Longo: ordenamento florestal, limpeza das matas \u2013 coisa que as pessoas s\u00f3 far\u00e3o quando for lucrativo. Para isso, fazem falta ind\u00fastrias que se alimentem dos detritos florestais, como as centrais de biomassa (s\u00f3 existe uma em Portugal, em Mort\u00e1gua, com resultados pouco conhecidos) ou de produ\u00e7\u00e3o de bioetanol (como na Su\u00e9cia, onde h\u00e1 autom\u00f3veis movidos com esse combust\u00edvel produzido a partir de derivados florestais). M\u00e9dio prazo: vigil\u00e2ncia e preven\u00e7\u00e3o (com constru\u00e7\u00e3o de acessos, p. ex.). Curto prazo: detec\u00e7\u00e3o e ataque imediato dos fogos. Todos os fogos come\u00e7am pequenos. Dominam-se facilmente, quando atacados na crucial primeira meia hora.<\/p>\n<p>Mas os respons\u00e1veis pelo estado a que chegamos s\u00e3o claramente os governantes (no fundo, a sociedade que os elege). Todos os anos se proclamam boas inten\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o levadas pelas primeiras chuvas. Ou que s\u00e3o relegadas para segundo plano (\u00e9 o que parece que vai acontecer com a aproxima\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es e a possibilidade do novo referendo ao aborto). Para mais, sente-se uma relativa benevol\u00eancia do sistema judicial para com os incendi\u00e1rios.<\/p>\n<p>Quem \u00e9 que perde com tudo isto? Em primeiro lugar, os donos das florestas e casas ardidas, para n\u00e3o falar nos que morrem no meio das chamas. Mas tamb\u00e9m o pa\u00eds no seu todo. A floresta, o \u201cpetr\u00f3leo verde\u201d, representa 14% das exporta\u00e7\u00f5es portuguesas, uma quota maior do que a dos t\u00eaxteis. Um grande inc\u00eandio equivale a uma f\u00e1brica que fecha. Todos os anos ficamos mais pobres.<\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inc\u00eandios florestais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[49],"tags":[],"class_list":["post-5117","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5117","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5117"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5117\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5117"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5117"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5117"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}