{"id":5132,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5132"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"o-comercio-do-porto-morreu-me-o-quarto-filho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-comercio-do-porto-morreu-me-o-quarto-filho\/","title":{"rendered":"&#8220;O Com\u00e9rcio do Porto&#8221;. Morreu-me o quarto filho?!"},"content":{"rendered":"<p>Depois de uma longa caminhada ao servi\u00e7o da comunidade, morreu o mais antigo \u00f3rg\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o social de Portugal continental, \u201cO COM\u00c9RCIO DO PORTO\u201d, embora ainda se d\u00eaem passos para que ele possa ressuscitar.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho palavras para registar no meu testamento esta hora dif\u00edcil, n\u00e3o s\u00f3 do poss\u00edvel desaparecimento de uma institui\u00e7\u00e3o nacional, mas tamb\u00e9m de quantos ir\u00e3o passar pelo duro golpe do desemprego. E ainda dos que foram seus e meus leitores, correspondentes e colaboradores, ao longo de quatro d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Neste momento de reflex\u00e3o e de saudade por um filho j\u00e1 adulto, que ajudei a sustentar ao longo da minha vida, recordo que, pelo \u201cCOM\u00c9RCIO\u201d e pelos seus leitores, sulquei mares e c\u00e9us, serras e vales, fazendo-me ao largo por paragens do ditador Pinochet, pelo Golfo P\u00e9rsico, pelos bidons-villes, em Paris, pelas favelas do Brasil e da Venezuela. Tamb\u00e9m lembro que andei pelos dom\u00ednios de Samora Machel, de Fidel de Castro, (a minha \u00faltima aventura com o saudoso Jo\u00e3o Paulo II) e por Marrocos.<\/p>\n<p>No S\u00ednodo dos Bispos, em Roma, ou em peregrina\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas, na beatifica\u00e7\u00e3o do primeiro cigano, o Zeferino, na Rep\u00fablica Checa, no muro de Berlim ainda por derrubar ou nas estepes alentejanas e nos Algarves, trabalhei sempre a pensar na melhor informa\u00e7\u00e3o para quantos liam, dia ap\u00f3s dia, \u201cO Com\u00e9rcio do Porto\u201d.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m andei pelas serras do Gerez, onde contactei com povos de aldeias perdidas ou enterradas pela barragem; e vivi dramas de fam\u00edlias de bombeiros que morreram nos tr\u00e1gicos inc\u00eandios das florestas de \u00c1gueda e de Armamar. Mas n\u00e3o posso esquecer o 25 de Abril, o contragolpe do 25 de Novembro nas matas de Maceda, Ovar, e o enclausuramento de Sp\u00ednola em terras do Bu\u00e7aco, onde foi assinada a hist\u00f3rica descoloniza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Entretanto, a minha mem\u00f3ria recorda os esfor\u00e7os das popula\u00e7\u00f5es que conduziram \u00e0s eleva\u00e7\u00f5es a vilas e cidades de Avanca, Espinho e Gafanha da Nazar\u00e9, bem como a abertura da via r\u00e1pida de Aveiro a Vilar Formoso, com o aperitivo dos Grandes Pr\u00e9mios de Ciclismo, promovidos pelo \u201cCOM\u00c9RCIO\u201d, atrav\u00e9s da sua Delega\u00e7\u00e3o em Aveiro. Nessa altura, entrou-se em Espanha, por Vilar Formoso, numa prova de solidariedade ib\u00e9rica!<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de Aveiro dos \u00faltimos 40 anos n\u00e3o se faz sem se rebuscar o manancial que existe (se \u00e9 que ainda existe!) nas p\u00e1ginas do ora agonizante \u201cO Com\u00e9rcio do Porto\u201d. E o autor deste testemunho, ainda esperan\u00e7ado em melhores dias, n\u00e3o pode esquecer a destrui\u00e7\u00e3o, num dia de nevoeiro, da primeira Delega\u00e7\u00e3o de \u201cO Com\u00e9rcio do Porto\u201d, na cidade dos canais.<\/p>\n<p> Seja atrav\u00e9s das gentes de terras de Bento Carqueja (Oliveira de Azem\u00e9is) ou da cidade invicta, de associativismo ou cooperativismo, espero que este mais do que centen\u00e1rio di\u00e1rio n\u00e3o morra, antes continue ao servi\u00e7o dos portugueses e de Portugal.<\/p>\n<p>Neste momento de recorda\u00e7\u00f5es e de levantar \u00e2nimos, n\u00e3o posso deixar de evocar figuras gradas que amaram o seu \u201cCom\u00e9rcio\u201d, como a Fam\u00edlia Seara Cardoso e seus filhos, Manuel Filipe e Jos\u00e9 Miguel. E outros distintos directores, como Manuel Teixeira, Joaquim Queiroz, Costa Carvalho, Silva Tavares, Manuel de Almeida&#8230; todos grandes jornalistas. <\/p>\n<p>Da Delega\u00e7\u00e3o de Aveiro, olho com saudade para gente generosa, que ao jornal se entregou, como Jesus Zing, Brissos da Fonseca, Altino, Florbela, Neves, M\u00e1rio Rocha, Cardoso Ferreira, o saudoso Capit\u00e3o Duarte e ainda outras figuras hoje ligadas ao mundo da banca.<\/p>\n<p>De outros sectores, evoco a fam\u00edlia Bandeira, o Belmiro Ramos, o Artur Santos, o Gon\u00e7alves, o Jo\u00e3o Maia (de Aveiro), o aveirense, escritor e jornalista Jo\u00e3o Sarabando, tal como o professor Fernando Martins, que nos ajudaram a erguer e a manter inc\u00f3lume a Filial de Aveiro de \u201cO Com\u00e9rcio do Porto\u201d, durante tantos e t\u00e3o frutuosos anos de trabalho jornal\u00edstico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de uma longa caminhada ao servi\u00e7o da comunidade, morreu o mais antigo \u00f3rg\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o social de Portugal continental, \u201cO COM\u00c9RCIO DO PORTO\u201d, embora ainda se d\u00eaem passos para que ele possa ressuscitar. 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