{"id":5154,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5154"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"palavra-de-deus-para-todos-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/palavra-de-deus-para-todos-i\/","title":{"rendered":"Palavra de Deus para todos (I)"},"content":{"rendered":"<p>Revisitando o Vaticano II <!--more--> Voltamos ao Conc\u00edlio Vaticano II, para redescobrir o avan\u00e7o que ele significou na devolu\u00e7\u00e3o da B\u00edblia ao povo crist\u00e3o, como alimento habitual. O an\u00fancio do Conc\u00edlio apareceu aos exegetas conservadores como a oportunidade de dar o golpe de miseric\u00f3rdia nos novos caminhos da exegese, na hermen\u00eautica seguida pelo Instituto B\u00edblico. Para al\u00e9m de conseguirem remover das suas c\u00e1tedras os grandes mestres St. Lyonnet e M. Zerwick, no curso de 1961-62, distribu\u00edram mesmo aos Padres conciliares, no in\u00edcio do Conc\u00edlio, um folheto integrista muito cr\u00edtico para com a nova exegese.<\/p>\n<p>Valer\u00e1 a pena recordar, telegraficamente, os sobressaltos desta rela\u00e7\u00e3o B\u00edblia e Povo de Deus. Durante v\u00e1rios s\u00e9culos, o receio da hierarquia acerca das interpreta\u00e7\u00f5es livres e pessoais da B\u00edblia privou o povo do contacto com a Escritura. A Vulgata, vers\u00e3o latina dos Textos Sagrados, surgiu para que todo o povo, que entendia o latim, pudesse ter acesso \u00e0 leitura da Palavra, quando o grego se tornou a l\u00edngua culta.<\/p>\n<p>Na Idade M\u00e9dia, o povo deixou de perceber o latim; surgiram, ent\u00e3o, as tradu\u00e7\u00f5es em l\u00ednguas vern\u00e1culas. Por\u00e9m, v\u00e1rias vezes foram decretadas proibi\u00e7\u00f5es da leitura da B\u00edblia aos cat\u00f3licos, com o medo de aproxima\u00e7\u00f5es aos hereges ou protestantes, apesar de o s\u00e9culo entre 1560 e 1660 ser chamado s\u00e9culo de ouro da expans\u00e3o da B\u00edblia entre os cat\u00f3licos. A pol\u00e9mica, entretanto, n\u00e3o abrandou. \u00c0s cr\u00edticas protestantes e de alguns exegetas racionalistas, a Igreja reagiu negativamente, abrindo caminho \u00e0 posi\u00e7\u00e3o conservadora, que acabou por colocar o conhecimento b\u00edblico ao servi\u00e7o de uma dogm\u00e1tica fundamentalista. E o resultado foi que, at\u00e9 1880, se viveu um clima de verdadeira pen\u00faria escritur\u00edstica, dando a sensa\u00e7\u00e3o de que a B\u00edblia era um livro protestante. Ainda nos princ\u00edpios do s\u00e9culo XX se sentia uma atitude defensiva por parte do Magist\u00e9rio. <\/p>\n<p>A enc\u00edclica Providentissimus Deus, de Le\u00e3o XIII (1893), d\u00e1 in\u00edcio a uma moderada renova\u00e7\u00e3o da exegese cat\u00f3lica, cujo impulso \u00e9 sens\u00edvel, na sequ\u00eancia da cria\u00e7\u00e3o da Escola B\u00edblica de Jerusal\u00e9m pelo dominicano M. J. Lagrange, em 1890. Apesar da pol\u00e9mica antimodernista, do abandono provis\u00f3rio for\u00e7ado por parte de Lagrange da Escola que fundara (1910 a 1913), da cria\u00e7\u00e3o do Instituto Pontif\u00edcio B\u00edblico por S. Pio X em 1909, o movimento b\u00edblico iniciado por Lagrange produziu abundantes frutos entre 1910 e 1940.<\/p>\n<p>Mas foi a enc\u00edclica Divino Afflante Spiritu de Pio XII, em 1943, que abriu as portas ao caminho para a constitui\u00e7\u00e3o conciliar Dei Verbum. Um dos resultados imediatos da enc\u00edclica &#8211; dizia P. Grelot &#8211; foi a altera\u00e7\u00e3o de certas decis\u00f5es disciplinares tomadas em tempo de crise aguda. O texto de Pio XII abriu novos horizontes: nova maneira de focar os problemas exeg\u00e9ticos, afina\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos para os resolver, aprofundamento do estudo da inspira\u00e7\u00e3o e suas consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi pac\u00edfica a rota a tra\u00e7ar para e reflex\u00e3o conciliar sobre a B\u00edblia. V\u00ea-lo-emos no pr\u00f3ximo n\u00famero. Como descobriremos que, mais uma vez, Deus escreve direito por linhas tortas. E abordaremos tamb\u00e9m as suas caracter\u00edsticas fundamentais.<\/p>\n<p>Querubim Silva <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revisitando o Vaticano II<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-5154","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5154","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5154"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5154\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5154"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5154"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5154"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}