{"id":5192,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5192"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"palavra-de-deus-para-todos-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/palavra-de-deus-para-todos-ii\/","title":{"rendered":"Palavra de Deus para todos (II)"},"content":{"rendered":"<p>Revisitando o Vaticano II <!--more--> O primeiro esquema sobre a Revela\u00e7\u00e3o chamava-se De fontibus revelationis. Redigido pela comiss\u00e3o teol\u00f3gica, sem consulta \u00e0 Comiss\u00e3o B\u00edblica, desde o in\u00edcio foi julgado negativamente pelos Padres conciliares como texto escol\u00e1stico e escolar, sem orienta\u00e7\u00e3o pastoral, falho de sentido ecum\u00e9nico, autorit\u00e1rio e desanimador. Duas tend\u00eancias emergiram na aula conciliar: uma escol\u00e1stica e fechada, que vivia no mundo dos conceitos, outra pastoral e aberta, que assentava na realidade da vida. Raz\u00e3o fundamental da recusa era aparecer, ao menos em alguns casos, a Tradi\u00e7\u00e3o como uma fonte da revela\u00e7\u00e3o independente da Escritura.<\/p>\n<p>Feita uma vota\u00e7\u00e3o para decidir se continuaria ou n\u00e3o a discuss\u00e3o sobre o esquema, foi inconclusiva. O saudoso papa Jo\u00e3o XXIII, ap\u00f3s dois dias de tens\u00e3o, nomeou uma \u201ccomiss\u00e3o mista\u201d, teol\u00f3gica e ecum\u00e9nica. E \u201cDeus escreveu direito por linhas tortas\u201d. Escreve E. Bianchi: \u201cPrecisamente a partir deste debate sobre a Revela\u00e7\u00e3o determinava-se um m\u00e9todo para a elabora\u00e7\u00e3o dos diversos documentos conciliares e decidia-se a orienta\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 da letra mas tamb\u00e9m do esp\u00edrito conciliar\u201d.<\/p>\n<p>O segundo esquema nem sequer chegou a ser discutido na aula, tal o desagrado. Nova comiss\u00e3o redigiu o outro texto, discutido na terceira sess\u00e3o. Contributos e sugest\u00f5es dos Padres moldaram o esquema definitivo, discutido e corrigido na quarta sess\u00e3o; finalmente aprovado em 29 de Outubro de 1965, e promulgado a 18 de Novembro do mesmo ano, foi dos documentos mais consensuais e aplaudidos pelos peritos na mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>Quatro elementos, na Dei Verbum, estabelecem uma nova rela\u00e7\u00e3o da Palavra com o Povo de Deus. Primeiro, o car\u00e1cter cristoc\u00eantrico da revela\u00e7\u00e3o. Diz H. Bouillard: \u201cA revela\u00e7\u00e3o divina n\u00e3o aparece aqui como um corpo de verdades doutrinais contidas na Escritura e ensinadas na Igreja, mas apresenta-se como uma automanifesta\u00e7\u00e3o de Deus na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, da qual Cristo constitui o auge\u201d. A B\u00edblia n\u00e3o \u00e9 um livro de doutrina; \u00e9 a vida de Deus entrela\u00e7ada na vida dos homens, por via de uma pessoa &#8211; Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Outro aspecto importante \u00e9 o da rela\u00e7\u00e3o entre Escritura e Tradi\u00e7\u00e3o. Afirma D.-B. Dupuy que n\u00e3o s\u00e3o duas fontes, mas duas fun\u00e7\u00f5es: a Escritura comunica-nos a realidade revelada; a Tradi\u00e7\u00e3o preserva e interpreta a mesma realidade. Da\u00ed, a afei\u00e7\u00e3o que devemos nutrir pela B\u00edblia; e a aten\u00e7\u00e3o que devemos prestar \u00e0 Tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cOs fi\u00e9is devem ter acesso f\u00e1cil \u00e0 sagrada Escritura\u201d (DV 22). Esta foi a novidade irrevers\u00edvel. E. Bianchi afirma: \u201cA hierarquia passou do intenso temor de deixar as Escrituras nas m\u00e3os dos fi\u00e9is \u00e0 viva recomenda\u00e7\u00e3o do seu valor\u201d. O contacto directo com a Escritura, a possibilidade de a saborear como alimento de f\u00e9, foi um dom para os cat\u00f3licos.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, a reentrada da Palavra na Liturgia, e de maneira acess\u00edvel, \u00e9 outro passo gigante na cumplicidade B\u00edblia e Povo de Deus. \u00c9 o mesmo \u201cp\u00e3o de vida\u201d que se distribui na \u201cmesa da Palavra de Deus e do Corpo de Cristo\u201d (DV 21). Escreve L. Alonso Sch\u00f6kel: \u201cCristo d\u00e1-Se na Sua palavra e d\u00e1-Se na Sua carne &#8211; em ambos os casos \u00e9 o p\u00e3o da vida, que d\u00e1 vida eterna, porque faz participar da vida que Cristo recebe e partilha com o Pai. Por isso, \u00e9 leg\u00edtimo falar de uma \u00fanica mesa\u201d. Al\u00e9m disso, \u00e9 claro o incentivo conciliar para que o minist\u00e9rio da Palavra se apoie na \u201cleitura e estudo ass\u00edduos da Escritura\u201d.     <\/p>\n<p>Querubim Silva <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revisitando o Vaticano II<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-5192","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5192","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5192"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5192\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5192"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5192"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5192"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}