{"id":5230,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5230"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"ingles-computadores-e-valores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ingles-computadores-e-valores\/","title":{"rendered":"Ingl\u00eas, computadores e valores"},"content":{"rendered":"<p>Os jornais informaram, abundantemente, que milhares de crian\u00e7as do I ciclo ir\u00e3o, j\u00e1 neste ano lectivo, aprender ingl\u00eas nas escolas. \u00c9 tamb\u00e9m not\u00edcia que algumas autarquias equiparam com computadores os jardins de inf\u00e2ncia do concelho. Iniciativas positivas e de aplaudir.<\/p>\n<p>A aprendizagem de l\u00ednguas estrangeiras corresponde hoje a uma necessidade, mormente para as novas gera\u00e7\u00f5es. A l\u00edngua inglesa, pela inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica generalizada e a facilidade de contactos, dentro e fora o pa\u00eds, constitui uma riqueza que n\u00e3o se deve menosprezar. Por outro lado, a utiliza\u00e7\u00e3o das novas tecnologias ao nosso alcance, exige uma aprendizagem que se faz com maior \u00eaxito, logo a partir dos primeiros anos de escola. O acesso generalizado ao computador pode proporcionar a todos um enriquecimento, tanto para o processo educativo, como para a vida futura.<\/p>\n<p>Sem menosprezar estes meios com o seu m\u00e9rito pr\u00f3prio, n\u00e3o obstante as dificuldades de aplica\u00e7\u00e3o em muitos casos, por deficiente conhecimento da realidade, o que acontece muitas vezes a quem manda de cima, o facto, em si positivo, permite, a prop\u00f3sito, algumas considera\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>Dada a nossa proverbial propens\u00e3o para a superficialidade e o imediatismo, para o fasc\u00ednio da novidade s\u00f3 porque \u00e9 novidade e dado ainda o peso pol\u00edtico destas medidas, h\u00e1 que ter presente que as coisas novas n\u00e3o valem por si, mas como meios orientados para um fim concreto. Tratando-se de crian\u00e7as em per\u00edodo de forma\u00e7\u00e3o, tudo o que \u00e9 novo n\u00e3o pode deixar de se integrar no processo em curso e estar ao servi\u00e7o de uma forma\u00e7\u00e3o humana, harm\u00f3nica e integral.<\/p>\n<p>Estamos perante uma exig\u00eancia do projecto educativo, que imp\u00f5e aos respons\u00e1veis, minist\u00e9rio, professores e autarquias, olhar e ver para al\u00e9m da euforia do an\u00fancio da aprendizagem tempor\u00e3 da l\u00edngua inglesa  e do uso generalizado do computador.<\/p>\n<p>H\u00e1 sempre que considerar que, na educa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 valores que n\u00e3o se dispensam na constru\u00e7\u00e3o da pessoa. S\u00e3o como que a argamassa necess\u00e1ria para a coes\u00e3o e a consist\u00eancia do que se vai proporcionando na forma\u00e7\u00e3o, a fim de que tudo se oriente no sentido de que a crian\u00e7a e, depois, o adolescente e o jovem venham a ser, a seu tempo, adultos equilibrados, s\u00e9rios, socialmente integrados, respons\u00e1veis e participativos. <\/p>\n<p>N\u00e3o se pode esquecer que a valoriza\u00e7\u00e3o exagerada de alguns meios, pode levar a descuidar outros, a desequilibrar a harmonia, a n\u00e3o respeitar a integridade da pessoa.<\/p>\n<p>Muita gente nova move-se por emo\u00e7\u00f5es que tanto geram entusiasmo, como n\u00e1usea e avers\u00e3o. O que conta \u00e9 o que se gosta; e raramente se gosta do que se deve. A educa\u00e7\u00e3o, sabendo n\u00f3s que pode haver mais propens\u00e3o para um ou outro campo de aprendizagem, tem de ajudar a crian\u00e7a, desde o in\u00edcio, a entender a import\u00e2ncia de todos os conte\u00fados tem\u00e1ticos, e a formar e desenvolver todas as faculdades: intelig\u00eancia, vontade, mem\u00f3ria, afectividade, sentido est\u00e9tico e cr\u00edtico, capacidade de op\u00e7\u00e3o e de decis\u00e3o, abertura natural ao transcendente\u2026 H\u00e1 ainda que dar aten\u00e7\u00e3o ao respeito pelos outros, \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos de trabalho, ao germinar perigoso do individualismo e da vaidade pessoal. N\u00e3o se pode permitir que se sobreponha o uso acr\u00edtico dos meios que fascinam, \u00e0 exig\u00eancia dos valores, num processo educativo humano, s\u00e9rio e equilibrado. <\/p>\n<p>A inova\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o deve atender, antes de mais, aos educadores: ouvi-los, dar-lhes meios de prepara\u00e7\u00e3o, proporcionar parceria com outros intervenientes no processo, ver com eles as vantagens e os poss\u00edveis desvios. Se estes se deixam contagiar pela euforia da novidade, ou se instalam, criticamente, nas dificuldades que adv\u00eam, nunca haver\u00e1 bom aproveitamento dos meios. Inovar na educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o mesmo que inovar na tecnologia de uma empresa. Mas, num e noutro caso, tem de se saber estar e usar.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os jornais informaram, abundantemente, que milhares de crian\u00e7as do I ciclo ir\u00e3o, j\u00e1 neste ano lectivo, aprender ingl\u00eas nas escolas. \u00c9 tamb\u00e9m not\u00edcia que algumas autarquias equiparam com computadores os jardins de inf\u00e2ncia do concelho. Iniciativas positivas e de aplaudir. A aprendizagem de l\u00ednguas estrangeiras corresponde hoje a uma necessidade, mormente para as novas gera\u00e7\u00f5es. 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