{"id":5234,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5234"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"puncoes-perigosas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/puncoes-perigosas\/","title":{"rendered":"Pun\u00e7\u00f5es perigosas"},"content":{"rendered":"<p>Seria divertido, se n\u00e3o fosse demasiado s\u00e9rio o que tudo isto envolve. Refiro-me \u00e0s perspectivas de sucessivas e misturadas consultas \u00e0 consci\u00eancia dos portugueses, nos pr\u00f3ximos tempos, sobre pessoas para gerirem mais de perto os interesses do bem comum, pessoa para ser garante da identidade nacional e do normal funcionamento das institui\u00e7\u00f5es do Estado, com a eventualidade de, pelo meio, aparecer uma desnecess\u00e1ria e paradoxal consulta sobre o direito \u00e0 vida.<\/p>\n<p>1 &#8211; Pun\u00e7\u00e3o perigosa, antes de mais, esta mistura de elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas com antecipa\u00e7\u00e3o de candidaturas \u00e0s elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Por mais que se fa\u00e7am gong\u00f3ricas afirma\u00e7\u00f5es de candidaturas supra-partid\u00e1rias, solenes declara\u00e7\u00f5es de que elas s\u00e3o resposta a press\u00f5es da sociedade civil (onde est\u00e3o tais press\u00f5es?), \u00e9 claro como \u00e1gua que os partidos se envolvem. E fazem-no, nitidamente, com o intuito de aproveitar rostos e mem\u00f3rias para influenciar o voto nas aut\u00e1rquicas.<\/p>\n<p>2 &#8211; Pun\u00e7\u00e3o perigosa, porque se pretende justificar candidaturas com a urg\u00eancia de levantar o \u00e2nimo dos portugueses, atormentados com um atrofiamento da economia, que lhes entra nos bolsos, abandonados pela classe dirigente insens\u00edvel \u00e0s terr\u00edveis consequ\u00eancias da seca e dos inc\u00eandios, perplexos perante as benesses anunciadas que viram disfar\u00e7ado agravamento de encargos, espantados com a escalada de \u201cfavores para os amigos\u201d, &#8230; como se um sebasti\u00e3o anunciado possa fazer uma hipnose colectiva, para levantar os \u00e2nimos.<\/p>\n<p>3 &#8211; Pun\u00e7\u00e3o perigosa, porque se aproximam realidades que est\u00e3o anos de luz \u00e0 dist\u00e2ncia umas das outras. Nobre a responsabilidade de escolher autarcas, sem d\u00favida. Nobre tamb\u00e9m a chamada a escolher o supremo representante da na\u00e7\u00e3o, que, por isso, inequivocamente, deveria estar liberto das teias partid\u00e1rias e dos aparelhos do poder, para ser  efectivamente o presidente de todos os portugueses, apenas com a \u201ccamisola nacional\u201d. Mas que se n\u00e3o misture isto com o que \u00e9 o \u00fanico direito fundamental da pessoa sem limita\u00e7\u00f5es de qualquer esp\u00e9cie &#8211; o direito \u00e0 vida! Essa decis\u00e3o est\u00e1 a anos de luz de qualquer outra, porque nem sequer cabe ao Estado questionar sobre esse assunto.<\/p>\n<p>4 &#8211; Muitos podemos distrair-nos, misturando todas estas coisas, como se fossem iguais, ou decorrentes umas das outras. E, pior que isso, ali\u00e1-las umas \u00e0s outras, sob a emo\u00e7\u00e3o de uma cor partid\u00e1ria, como se a nossa consci\u00eancia deva obriga\u00e7\u00f5es a um rosto ou a um programa. A verdadeira liberdade \u00e9 poder decidir &#8211; ou contribuir para decidir &#8211; o que dignifica e respeita a dignidade, inalien\u00e1vel, indispon\u00edvel, irrenunci\u00e1vel, da pessoa humana e o que, nessa perspectiva, resulte no bem comum.<\/p>\n<p>Muita serenidade, portanto, para cada um distinguir, escalonar, manifestar seriamente a sua convic\u00e7\u00e3o, seguro de que o \u201celixir m\u00e1gico\u201d n\u00e3o existe. A felicidade pessoal edifica-se a par com a harmonia social, com uma profunda exig\u00eancia de honestidade!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seria divertido, se n\u00e3o fosse demasiado s\u00e9rio o que tudo isto envolve. 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