{"id":5255,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5255"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"grandes-teologos-1-karl-barth","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/grandes-teologos-1-karl-barth\/","title":{"rendered":"Grandes te\u00f3logos 1 &#8211; Karl Barth"},"content":{"rendered":"<p>O Leitor pergunta <!--more--> Este espa\u00e7o ser\u00e1 dedicado a seis grandes te\u00f3logos, nas pr\u00f3ximas semanas, retomando uma quest\u00e3o da semana passada (\u201cQual o maior te\u00f3logo do s\u00e9culo XX?\u201d). Entretanto, os leitores podem dirigir as suas quest\u00f5es para: Correio do Vouga \/ Rua Batalh\u00e3o Ca\u00e7adores Dez, n\u00ba 81 \/ 3810-064 AVEIRO \/ ou por e-mail: corvouga@mail.telepac.pt<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Lu\u00eds Mart\u00edn Descalzo, padre e escritor espanhol, escreveu o seguinte de Karl Barth, muito mais sugestivo que um amontado de datas e obras e bem revelador da sua teologia:<\/p>\n<p>\u201cKarl Barth, talvez a mais importante cabe\u00e7a teol\u00f3gica deste s\u00e9culo, tinha o costume de, todas as manh\u00e3s, antes de sentar-se a escrever as p\u00e1ginas da sua Dogm\u00e1tica, interpretar ao piano algumas das sonatas de Mozart, como se esperasse que a m\u00fasica do salzburgu\u00eas lhe revelasse essa \u201csabedoria central\u201d que Barth considerava superior a todas as teologias, e que o levava a pensar que ele, ao fim e ao cabo, se salvaria mais pelo que guardasse do Mozart menino, do que pelos conhecimentos que conseguisse armazenar em sua vida.<\/p>\n<p>Um dia, Barth teve um sonho: estava designado para fazer a Mozart um exame de teologia, e como o admirava profundamente, para ele poder fazer um exame brilhante, interrogou-o sobre a teologia das suas missas. Mas Mozart, o interrogado, continuava totalmente silencioso, sabendo muito bem que n\u00e3o podia traduzir em palavras o que ele quisera exprimir atrav\u00e9s da m\u00fasica. Trauteava por isso o \u201cCordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo\u201d, como se quisesse dizer que ali se resumia toda a sua teologia\u201d.<\/p>\n<p>Mais do que um resumo da teologia de Mozart (uma observa\u00e7\u00e3o: diz-se que Bento XVI tamb\u00e9m gosta de interpretar Mozart ao piano), \u00e9 um resumo da teologia do pr\u00f3prio Barth, o te\u00f3logo protestante mais importante depois de Lutero e Calvino.<\/p>\n<p>Karl Barth, nasceu em 1886, em Basileia (Su\u00ed\u00e7a), e morreu em 1968. Estudou na Alemanha e, em 1904, tornou-se pastor numa par\u00f3quia reformada de Genebra. As suas obras mais importantes s\u00e3o o \u201cComent\u00e1rio da Ep\u00edstola aos Romanos\u201d (1919) e a \u201cDogm\u00e1tica\u201d (12 volumes de uma obra incompleta).<\/p>\n<p>Em 1933, os nazistas alcan\u00e7am o poder na Alemanha e Karl Barth dirige a luta da Igreja Evang\u00e9lica contra Hitler e contra o movimento dos \u201ccrist\u00e3os alem\u00e3es\u201d, que o apoiavam e chegavam a cantar hinos a Hitler, no meio dos hinos de Lutero. Devido a essa oposi\u00e7\u00e3o, \u00e9 expulso da Alemanha em 1935, onde ensinava, refugiando-se em Basileia e prosseguindo a luta contra o nacional-socialismo.<\/p>\n<p>Duas express\u00f5es caracterizam o pensamento teol\u00f3gico da Karl Barth: \u201cteologia da crise\u201d e \u201cteologia dial\u00e9ctica\u201d. A \u201ccrise\u201d refere-se ao abismo que separa o ser humano de Deus. N\u00e3o existe nenhuma ponte natural entre o ser humano e Deus, defende Barth, contra a teologia natural (dominante nos meios cat\u00f3licos) e a teologia liberal (mais nos meios protestantes), ambas muito optimistas sobre a capacidade do ser humano alcan\u00e7ar Deus. A \u201cdial\u00e9ctica\u201d tem a ver com a tens\u00e3o entre esta nega\u00e7\u00e3o da capacidade humana para a salva\u00e7\u00e3o e a afirma\u00e7\u00e3o do mundo por parte de Deus em Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus a tirar os pecados do mundo.<\/p>\n<p>Nos tempos turvos que Barth viveu, n\u00e3o foi s\u00f3 um grande te\u00f3logo. Foi uma das maiores figuras espirituais do s\u00e9culo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Leitor pergunta<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-5255","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5255","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5255"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5255\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5255"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5255"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5255"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}