{"id":5263,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5263"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"sempre-me-norteou-uma-vontade-de-conciliacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sempre-me-norteou-uma-vontade-de-conciliacao\/","title":{"rendered":"&#8220;Sempre me norteou uma vontade de concilia\u00e7\u00e3o&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Marcelino, Bispo de Aveiro <!--more--> D. Ant\u00f3nio completa os 75 anos, agora a idade limite para apresentar ao santo Padre a \u201ccarta de disponibilidade\u201d. Sente-se em \u201cfim de carreira\u201d?<\/p>\n<p>Sinto-me sereno e tranquilo ao entrar nesta fase concreta em que os anos contam. N\u00e3o \u00e9 um \u201cfim de carreira\u201d, mas a prepara\u00e7\u00e3o para viver, em igual dedica\u00e7\u00e3o a Deus e \u00e0 Igreja, os meses ou anos que posso estar ainda \u00e0 frente da Diocese. Um servidor do Evangelho, presb\u00edtero ou bispo, est\u00e1 marcado, por for\u00e7a da escolha e do dom de Deus, recebido na ordena\u00e7\u00e3o, por uma disponibilidade gratuita, total, sem condi\u00e7\u00f5es e para toda a vida, \u00e0 Igreja e aos irm\u00e3os. Por isso continua em miss\u00e3o, independentemente do lugar onde est\u00e1, do cargo que exerce, dos anos e das capacidades que tem.<\/p>\n<p>Em total comunh\u00e3o com o Papa, nem outra coisa se pode esperar de um bispo, aguardo a express\u00e3o da sua vontade, como tradu\u00e7\u00e3o do querer de Deus em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 minha vida.<\/p>\n<p>Setenta e cinco anos de vida, cinquenta anos de Padre e trinta anos de Bispo. Um longo e diversificado percurso. Sente-se como quem deixa pegadas de paz\u00a0e sementes de crescimento nas pessoas, nos grupos, nas institui\u00e7\u00f5es que fizeram estas suas vidas?<\/p>\n<p>Sempre me norteou uma vontade de concilia\u00e7\u00e3o, constru\u00e7\u00e3o de paz e colabora\u00e7\u00e3o, entre as pessoas, as comunidades, as diferen\u00e7as leg\u00edtimas, religiosas, pol\u00edticas, sociais. N\u00e3o \u00e9 sempre f\u00e1cil permanecer neste projecto, mormente quando o campo em que nos situamos \u00e9 apoiado por crit\u00e9rios antag\u00f3nicos, porque v\u00eaem e julgam com crit\u00e9rios meramente humanos e eu, como n\u00e3o pode deixar de ser, com crit\u00e9rios evang\u00e9licos ou iluminados pela f\u00e9. Posso dizer que n\u00e3o tenho ressentimentos de ningu\u00e9m e o meu interior est\u00e1 pacificado em rela\u00e7\u00e3o a todos quantos passaram pelo meu caminho e, porventura, com momentos de tens\u00e3o e de diverg\u00eancia.<\/p>\n<p>O crescimento das pessoas esteve sempre em mim, como prop\u00f3sito e projecto de vida. Ainda na Diocese onde fui ordenado padre h\u00e1 50 anos, empenhei-me em escolas de forma\u00e7\u00e3o de leigos em Portalegre, Castelo Branco e Abrantes, em levar os documentos conciliares a toda a parte, em dar \u00e0 forma\u00e7\u00e3o lugar cimeiro nas actividades que me foram confiadas. Dei colabora\u00e7\u00e3o no p\u00f3s-conc\u00edlio a muitas diocese do pa\u00eds e dediquei, durante anos, as minhas f\u00e9rias a Mo\u00e7ambique, Angola e Guin\u00e9, em cursos de forma\u00e7\u00e3o. Aproveitei a presid\u00eancia das comiss\u00f5es episcopais para lan\u00e7ar as Jornadas Nacionais da Pastoral Social, da Pastoral Familiar e do Apostolado Laical, todas elas em vigor. Na Diocese, todos sabem da minha preocupa\u00e7\u00e3o nesse sentido. Est\u00e3o nesta linha a cria\u00e7\u00e3o do Instituto Superior de Ci\u00eancias Religiosas (ISCRA), a forma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, ac\u00e7\u00e3o regular de forma\u00e7\u00e3o junto dos agentes pastorais (catequistas, professores, chefes do CNE\u2026) e a insist\u00eancia \u201cobsessiva\u201d junto dos padres pela sua forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua. A semente foi lan\u00e7ada e continua a ser lan\u00e7ada. Da sua fecundidade s\u00f3 Deus sabe e a Igreja receber\u00e1 os seus frutos. Assim espero.<\/p>\n<p>J\u00e1 lhe ouvimos que projecta continuar a aprofundar a reflex\u00e3o sobre o di\u00e1logo Igreja &#8211; Mundo. De que modo julga poder contribuir, dessa maneira, para uma maior fidelidade da Igreja &#8211; tamb\u00e9m desta Igreja de Aveiro &#8211; \u00e0 sua miss\u00e3o?<\/p>\n<p>O di\u00e1logo cont\u00ednuo entre a Igreja e a sociedade \u00e9 condi\u00e7\u00e3o de efic\u00e1cia da ac\u00e7\u00e3o evangelizadora da Igreja. Quando vivemos numa Igreja de cristandade, e s\u00e3o ainda muitos a frequentar o templo ou a pedir servi\u00e7os tradicionais, corremos o risco de n\u00e3o nos apercebermos das mudan\u00e7as sociais e culturais e da sua repercuss\u00e3o na vida das pessoas e das comunidades. A inova\u00e7\u00e3o pastoral s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel quando existe di\u00e1logo com a realidade e os apelos de Deus se perscrutam no conhecimento e no amor \u00e0s pessoas e \u00e0 sociedade.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode perder mais tempo sem prestar aten\u00e7\u00e3o a estas realidades. O desafio \u00e0 Igreja \u00e9 esta ter de enfrentar a rotura entre a f\u00e9 e a vida. Paulo VI chamou a esta rotura um drama.<\/p>\n<p>Tal como estou a faz\u00ea-lo, o pr\u00f3ximo ano pastoral convida-nos a caminhar, consciente e deliberadamente, neste sentido, j\u00e1; e, depois, com mais tempo dispon\u00edvel, pela reflex\u00e3o, inspiradora de ac\u00e7\u00e3o, pelos escritos e di\u00e1logos p\u00fablicos, pela ajuda de forma\u00e7\u00e3o dos agentes pastorais, espero dar, at\u00e9 ao fim, um contributo que considero indispens\u00e1vel e urgente para a ac\u00e7\u00e3o pastoral.<\/p>\n<p>J\u00e1 pensou no seu sucessor?<\/p>\n<p>Ele vir\u00e1 a seu tempo e, ent\u00e3o, me ser\u00e1 pedido parecer nesse sentido. Darei o meu contributo, com abertura e lealdade, sobre a Diocese, a sua hist\u00f3ria, as suas capacidades e necessidades e, nessa linha, sobre quem me parece que poder\u00e1 vir a ser, com esperan\u00e7a de efic\u00e1cia apost\u00f3lica, o quinto bispo de Aveiro. Um pastor, \u00e0 imagem de Cristo, sens\u00edvel \u00e0s pessoas e \u00e0 vida real das mesmas, capaz de entender as mudan\u00e7as e a sua repercuss\u00e3o na vida, com uma garra evangelizadora, aberto \u00e0 inova\u00e7\u00e3o e \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o, dentro e fora da comunidade crist\u00e3, construtor de comunh\u00e3o no presbit\u00e9rio e em toda a comunidade diocesana\u2026 Mas, certamente, \u00e9 isto mesmo que quer quem tem de decidir, o Santo Padre. N\u00e3o faltam em Portugal bispos ou presb\u00edteros com estas caracter\u00edsticas e outras igualmente ricas e adequadas ao minist\u00e9rio episcopal em Aveiro.<\/p>\n<p>Principais datas<\/p>\n<p>21 de Setembro de 1930 \u2013 Nasce em Lousa, Castelo Branco<\/p>\n<p>9 de Junho de 1955 \u2013 \u00c9 ordenado padre na S\u00e9 de Castelo Branco<\/p>\n<p>15 de Julho de 1975 \u2013 Nomeado para Bispo Auxiliar do Patriarcado de Lisboa, com o titulo de Bispo de C\u00e9rcina<\/p>\n<p>21 de Setembro de 1975 \u2013 Ordenado bispo por D. Ant\u00f3nio Ribeiro, na Catedral de Portalegre<\/p>\n<p>19 de Dezembro de 1982 \u2013 \u00c9 nomeado Bispo Coadjutor de Aveiro, sem direito a sucess\u00e3o (a partir de 9 de Setembro de 1983, com direito a suceder a D. Manuel de Almeida Trindade)<\/p>\n<p>1 de Fevereiro de 1981 \u2013 In\u00edcio de actividades na Diocese de Aveiro<\/p>\n<p>20 de Janeiro de 1988 \u2013 Bispo de Aveiro.<\/p>\n<p>Linhagem episcopal de D. Ant\u00f3nio Marcelino<\/p>\n<p>Um bispo, por defini\u00e7\u00e3o, \u00e9 sucessor dos ap\u00f3stolos. Se houvesse registos, seria poss\u00edvel refazer a sucess\u00e3o episcopal at\u00e9 aos tempos apost\u00f3licos. No caso de D. Ant\u00f3nio Marcelino, como na generalidade dos bispos, \u00e9 poss\u00edvel chegar at\u00e9 ao s\u00e9c. XVI. Aqui fica, portanto, parte dos antecessores de D. Ant\u00f3nio Marcelino, que foi ordenado pelo Cardeal Ant\u00f3nio Ribeiro em 1975, que foi ordenado pelo Cardeal Manuel Gon\u00e7alves Cerejeira em 1967, e assim sucessivamente. Entre par\u00eanteses surge o ano da ordena\u00e7\u00e3o episcopal.<\/p>\n<p>Cardeal Ant\u00f3nio Ribeiro \u2020 (1967) <\/p>\n<p>Cardeal Manuel Gon\u00e7alves Cerejeira \u2020 (1928) <\/p>\n<p>D. Manuel Lu\u00eds Coelho da Silva \u2020 (1915) <\/p>\n<p>D. Ant\u00f3nio Jos\u00e9 de Sousa Barroso \u2020 (1891) <\/p>\n<p>Cardeal Jos\u00e9 Sebasti\u00e3o d\u2019Almeida Neto, O.F.M. \u2020 (1880) <\/p>\n<p>Cardeal Gaetano Aloisi Masella \u2020 (1877) <\/p>\n<p>Cardeal Alessandro Franchi \u2020 (1856) <\/p>\n<p>Papa Giovanni Maria Mastai-Ferretti (Pio XI) \u2020 (1827) <\/p>\n<p>Papa Francesco Saverio Castiglioni (Pio VIII) \u2020 (1800) <\/p>\n<p>Cardeal Maria Doria Pamphili \u2020 (1773) <\/p>\n<p>Cardeal Buenaventura C\u00f3rdoba Espinosa de la Cerda \u2020 (1761) <\/p>\n<p>Arcebispo Manuel Quintano Bonifaz \u2020 (1749) <\/p>\n<p>Arcebispo Enrique Enr\u00edquez \u2020 (1743) <\/p>\n<p>Papa Prospero Lorenzo Lambertini \u2020 (Bento XIV) \u2020 (1724) <\/p>\n<p>Papa Pietro Francesco (Vincenzo Maria) Orsini de Gravina, O.P. (Bento XIII) \u2020 (1675) <\/p>\n<p>Cardeal Paluzzo Paluzzi Altieri Degli Albertoni \u2020 (1666) <\/p>\n<p>Cardeal Ulderico Carpegna \u2020 (1630) <\/p>\n<p>Cardeal Luigi Caetani \u2020 (1622) <\/p>\n<p>Cardeal Ludovico Ludovisi \u2020 (1621) <\/p>\n<p>Arcebispo Galeazzo Sanvitale \u2020 (1604) <\/p>\n<p>Cardeal Girolamo Bernerio, O.P. \u2020 (1586) <\/p>\n<p>Cardeal Giulio Antonio Santorio \u2020 (1566) <\/p>\n<p>Cardeal Scipione Rebiba \u2020<\/p>\n<p>Hoje, Missa na S\u00e9<\/p>\n<p>D. Ant\u00f3nio Marcelino preside hoje, 21 de Setembro, na S\u00e9 de Aveiro, \u00e0s 19h, \u00e0 missa festiva de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as pelos seus anivers\u00e1rios de nascimento e de ordena\u00e7\u00e3o episcopal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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