{"id":528,"date":"2010-02-03T12:22:00","date_gmt":"2010-02-03T12:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=528"},"modified":"2010-02-03T12:22:00","modified_gmt":"2010-02-03T12:22:00","slug":"sem-muros-nem-fronteiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sem-muros-nem-fronteiras\/","title":{"rendered":"Sem muros nem fronteiras"},"content":{"rendered":"<p>Nem sempre \u00e9 f\u00e1cil viver num mundo complexo como o nosso, que \u00e9, ao mesmo tempo, pequeno e grande, fechado e aberto, indiferente e cordial. Onde tudo se conhece e poucos se conhecem, todos opinam e poucos escutam, todos falam de amor e poucos se amam. Cheio de riquezas e de mis\u00e9rias, de capacidades e de restri\u00e7\u00f5es, de esperan\u00e7as e de desesperos\u2026 O Vaticano II definiu-o de modo ainda mais eloquente (GS 5-9).<\/p>\n<p>Mas \u00e9 este o nosso mundo. Aquele em que vivemos, e s\u00f3 pode melhorar se dele fizermos um projecto e pusermos em ac\u00e7\u00e3o, de modo activo e concertado, nossa vontade e nossas potencialidades, alargando o circulo e o n\u00famero dos interessados em igual projecto. <\/p>\n<p>Ningu\u00e9m deve esperar para come\u00e7ar. Quanto mais ingente a tarefa, mais urge o tempo para a realizar. Os crist\u00e3os acordados e todas as pessoas de boa vontade que sofrem com o que falta e se alegram com o que se vai conseguindo de bom e de auspicioso, t\u00eam de estar conscientes desta tarefa e desta urg\u00eancia.<\/p>\n<p>A Igreja, com todas as mazelas que sofreu ao longo do tempo, tem como miss\u00e3o ajudar a redimir o tempo perdido e necess\u00e1rio. Ela h\u00e1-de levar ao despertar da f\u00e9, consciente e activa, na medida em que, lendo e discernindo os \u201csinais dos tempos\u201d, se empenhar no servi\u00e7o \u00e0s pessoas, se unir e estimular aos que lutam por projectos sociais de justi\u00e7a e de verdade.<\/p>\n<p>O presidente da Fran\u00e7a, por altura da visita de Bento XVI ao seu pa\u00eds, n\u00e3o teve pejo, num mundo laico, como o franc\u00eas, em reconhecer, de modo p\u00fablico, a import\u00e2ncia da Igreja na sociedade e para a sociedade, vendo na mensagem crist\u00e3, posta em pr\u00e1tica, um factor de equil\u00edbrio e de coes\u00e3o social e moral. E afirmou textualmente: \u201cO catecismo dotou de um sentido moral, bastante afinado, gera\u00e7\u00f5es inteiras de cidad\u00e3os. Em tempos recebia-se educa\u00e7\u00e3o religiosa, mesmo nas fam\u00edlias n\u00e3o crentes. Isso permitia a recep\u00e7\u00e3o de valores necess\u00e1rios para o equil\u00edbrio da sociedade\u201d. E, mais tarde, em iguais circunst\u00e2ncias, disse ainda: \u201cN\u00f3s assumimos as nossas ra\u00edzes crist\u00e3s. Seria uma aut\u00eantica loucura privarmo-nos da sabedoria das religi\u00f5es. Seria um crime contra a cultura e contra o pensamento. Chegou a hora de passarmos a uma \u201claicidade positiva\u201d.<\/p>\n<p>A Igreja, consciente da sua miss\u00e3o e da sua hist\u00f3ria, mesmo com suas p\u00e1ginas menos brilhantes e ensanguentadas, foi sempre p\u00e1tria de santos, conhecidos ou an\u00f3nimos, e tem, por isso, de se empenhar cada vez mais, na tarefa ingente de ajudar a sociedade a equilibrar-se, para que possa ser uma sociedade bela e justa, de todos e para todos. Ela \u00e9 global, pela sua mensagem e miss\u00e3o, antes de qualquer outra globaliza\u00e7\u00e3o. Os valores que propugna e prop\u00f5e, em qualquer tempo e lugar, n\u00e3o est\u00e3o sujeitos \u00e0 eros\u00e3o, nem ficam desgastados pela incoer\u00eancia de quem os n\u00e3o vive ou os n\u00e3o pratica.<\/p>\n<p>Terminou o tempo dos an\u00e1temas, das cr\u00edticas inconsequentes, da distribui\u00e7\u00e3o de culpas, das sondagens para ilustrar e entreter. O tempo \u00e9 de compromisso, testemunho, ac\u00e7\u00e3o inteligente, organizada e corajosa. Para isso, h\u00e1 que romper com os muros interiores que ainda subsistem em pessoas e grupos e dividem sempre, mas n\u00e3o t\u00eam mais sentido num mundo plural, diverso e complexo. H\u00e1 que romper com as exclus\u00f5es e evitar os desencontros, tornando mais dif\u00edceis as rela\u00e7\u00f5es pessoais e os projectos comuns.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m melhora o mundo distante se n\u00e3o melhorar antes e ao mesmo tempo o seu mundo interior e o da sua imediata proximidade, a\u00ed onde os sentimentos clamam por verdade e os actos por coer\u00eancia.<\/p>\n<p>O papel da Igreja \u00e9 gerar fermento renovador que levedar\u00e1 a massa amorfa. O que se faz no templo se n\u00e3o se repercute na vida das pessoas e da sociedade nunca servir\u00e1 de louvor ou de gl\u00f3ria para Deus. O que se faz a olhar s\u00f3 para dentro encurta a vista do cora\u00e7\u00e3o e da vontade, fomenta o narcisismo e torna-se lixo in\u00fatil. A hora \u00e9 de novas oportunidades e de apelos urgentes, mas tamb\u00e9m, hora de convers\u00e3o ao essencial.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nem sempre \u00e9 f\u00e1cil viver num mundo complexo como o nosso, que \u00e9, ao mesmo tempo, pequeno e grande, fechado e aberto, indiferente e cordial. Onde tudo se conhece e poucos se conhecem, todos opinam e poucos escutam, todos falam de amor e poucos se amam. 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