{"id":5298,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5298"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"a-religiao-dos-santos-e-dos-padres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-religiao-dos-santos-e-dos-padres\/","title":{"rendered":"A religi\u00e3o dos santos e dos padres"},"content":{"rendered":"<p>Em cima da linha <!--more--> Constatamos que em todas as religi\u00f5es do mundo h\u00e1 desvios e distor\u00e7\u00f5es. Se atendermos \u00e0quilo que \u00e9 a estrutura fundamental, se olharmos aos princ\u00edpios e valores objectivos e perenes sobre os quais se constr\u00f3i a caminhada de vida e de f\u00e9 dos seus seguidores, f\u00e1cil \u00e9 reconhecer que, dada a fragilidade humana e a incapacidade de aceita\u00e7\u00e3o, estamos permanentemente a correr riscos de fragilizar e relativizar tudo e todos.<\/p>\n<p>Sabemos que, na Igreja Cat\u00f3lica, &#8211; a nossa &#8211; o culto aos santos \u00e9 tradicionalmente desfocado. Quero dizer que, para muita gente, o santo se torna Deus e Deus transforma-se apenas num qualquer santinho. O santo, se bem entendida a religi\u00e3o, \u00e9 apenas um est\u00edmulo, um her\u00f3i da f\u00e9, um modelo, e, como tal, ponto de refer\u00eancia para uma meta final: DEUS. De outra maneira, \u00e9 simples paganismo.<\/p>\n<p>Acontece algo semelhante com os padres. Umas vezes, fazem com que tudo gire \u00e0 sua volta: o padre centra tudo em si, controla tudo, \u00e9 ele e s\u00f3 ele; outras vezes, incapaz de criar refer\u00eancias, permite e colabora para que os outros o tornem o centro da religi\u00e3o. Duas situa\u00e7\u00f5es bem agra-d\u00e1veis, mas pouco eclesiais e nada evang\u00e9licas.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, que os agentes de pastoral t\u00eam de ser verdadeiros p\u00f3los de congrega\u00e7\u00e3o, nunca, por\u00e9m, para si pr\u00f3prios e por si pr\u00f3prios, mas para tudo conduzir a Deus. Parece-me, e posso estar enganado, que, muitas vezes, o centro de atrac\u00e7\u00e3o somos n\u00f3s e n\u00e3o a raz\u00e3o que nos conduz: DEUS.<\/p>\n<p>O sacerdote n\u00e3o \u00e9 mais do que um instrumento, que se pretende de boa qualidade, para o Artista trabalhar e realizar uma obra, tamb\u00e9m ela, de qualidade. Embora humano, inteligente e respons\u00e1vel, ele est\u00e1 nas m\u00e3os do Mestre, para colaborar. O santo, como o padre, que se quer santo tamb\u00e9m, \u00e9 um meio e nunca o fim.<\/p>\n<p>O essencial do cristianismo n\u00e3o est\u00e1 no padre, no Bispo ou no Papa, mas em Cristo. \u201cPara mim viver \u00e9 Cristo\u201d, dizia o ap\u00f3stolo Paulo. N\u00e3o entendo, por isso, que se fa\u00e7a uma guerra com a proposta de sa\u00edda de um padre, qualquer que seja a par\u00f3quia ou o motivo. Respeito a amizade, a sensibilidade e a generosidade das pessoas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s qualidades ou ao trabalho feito, respeito o apoio incondicional dos paroquianos aos projectos levados a cabo, respeito a dedica\u00e7\u00e3o, a entrega e a generosidade com que n\u00f3s, os padres, nos empenhamos at\u00e9 ao sangue. Por\u00e9m, o sentido de Igreja deve sobrepor-se a tudo e a todos. Se tal n\u00e3o acontecer, ent\u00e3o estamos a trabalhar por conta pr\u00f3pria, e f\u00e1cil e rapidamente entraremos pelo caminho das seitas e do fanatismo.<\/p>\n<p>Na verdade, parece-me, e pe\u00e7o desculpa se estou errado, que n\u00e3o \u00e9 ao povo, nem sequer ao povo crist\u00e3o comprometido, que pertence decidir sobre \u201co nosso padre\u201d. (O \u201cnosso padre\u201d n\u00e3o existe; existe um padre da Igreja ao nosso servi\u00e7o.)<\/p>\n<p>E porqu\u00ea? &#8211; Alguma par\u00f3quia, alguma vez, nos tempos que correm, foi ouvida ou consultada sobre o padre para l\u00e1 nomeado? (Falo como padre e como quem j\u00e1 passou por v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es!) As par\u00f3quias n\u00e3o s\u00e3o nossas propriedades nem o padre \u00e9 propriedade de nenhuma par\u00f3quia. A verificar-se essa consulta popular, tamb\u00e9m ningu\u00e9m devia ser nomeado sem os paroquianos darem o seu assentimento. E como poderiam eles d\u00e1-lo a algu\u00e9m a quem nunca antes conheceram? Ou ser\u00e1 que temos de entrar pelo campo das elei\u00e7\u00f5es, depois de acirradas campanhas eleitorais? Dessa forma, as pessoas escolheriam aquele que melhor lhes pudesse satisfazer as vontades, tal como fazem com os pol\u00edticos. Seria uma barbaridade: em vez de ap\u00f3stolos tornar-nos-iam joguetes em suas m\u00e3os!<\/p>\n<p>Mas, se assim fosse, sorte teria eu, porque talvez ningu\u00e9m me quisesse. Uns porque me conhecem; outros pelo que ouviram dizer de mim, e l\u00e1 ficava eu nas minhas quintas.<\/p>\n<p>E que \u00e9 que aconteceria naquelas par\u00f3quias em que a acomoda\u00e7\u00e3o dos padres \u00e9 um compadrio claro com a passividade da comunidade e um falacioso \u201csaber viver com o povo\u201d?<\/p>\n<p>Os santos n\u00e3o falam fisicamente, e, por isso, deixam-nos fazer todas as asneiras. Ao contr\u00e1rio, os padres falam, e, contudo, podem mas n\u00e3o querem impedir os disparates!<\/p>\n<p>Quando os padres s\u00e3o mais importantes que a Igreja ou a religi\u00e3o&#8230; e quando os santos s\u00e3o considerados superiores a Deus&#8230; podemos ainda augurar algo de bom para a Igreja neste in\u00edcio de mil\u00e9nio? <\/p>\n<p>S\u00f3 se for com o Esp\u00edrito Santo!&#8230; De outra forma, n\u00e3o iremos a parte nenhuma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em cima da linha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-5298","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5298","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5298"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5298\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5298"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5298"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5298"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}