{"id":5299,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5299"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"sacrificios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sacrificios\/","title":{"rendered":"&#8220;Sacrif\u00edcios&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> 1. Na crise social em que nos encontramos, tem sido frequente a utiliza\u00e7\u00e3o da palavra \u201csacrif\u00edcio\u201d, no singular e no plural. Com o recurso a tal palavra, afirma-se que \u00e9 necess\u00e1rio aceitarmos a estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e, porventura, a dimi-nui\u00e7\u00e3o das nossas condi\u00e7\u00f5es de vida. Relativamente a alguns grupos s\u00f3cio-profissionais, tem-se defendido que devem renunciar a uma parte dos seus \u201cprivil\u00e9gios e prerrogativas\u201d, reais ou supostos.<\/p>\n<p>O apelo ao sacrif\u00edcio parece visar tr\u00eas objectivos funda-mentais: 1\u00ba reduzir os d\u00e9fices das contas p\u00fablicas; 2\u00ba relan\u00e7ar o investimento e aumentar as exporta\u00e7\u00f5es; 3\u00ba garantir condi\u00e7\u00f5es de sustentabilidade, a longo prazo, da economia portuguesa e do Estado social.<\/p>\n<p>2. Olhando para o conjunto da sociedade portuguesa, observamos nela uma estratifica\u00e7\u00e3o muito complexa. S\u00e3o muitos e muito diversificados os estratos, grupos ou classes sociais. E, da\u00ed, os sacrif\u00edcios n\u00e3o atingem igualitariamente cada um deles; h\u00e1 grupos que s\u00e3o mais sacrificados do que outros; e h\u00e1 uns que se disp\u00f5em a aceitar os sacrif\u00edcios melhor do que outros, muito embora (verdade seja dita) n\u00e3o se conhe\u00e7a nenhum claramente dispon\u00edvel para a aceita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>3. Os grupos mais contest\u00e1rios t\u00eam sido os que s\u00e3o remunerados pelo Estado, real\u00e7ando-se at\u00e9  os que auferem remunera\u00e7\u00f5es mais altas e t\u00eam garantida a estabilidade no emprego. Estes grupos invocam a seu favor a respectiva dignidade e o quanto lhes \u00e9 devido, menosprezando os outros grupos e aquilo que devem ao pa\u00eds.<\/p>\n<p>No extremo oposto, situam-se os grupos mais pobres. J\u00e1 viviam mal antes da crise, vivem agora pior, e t\u00eam praticamente a certeza de n\u00e3o melhorar muito depois da crise. Os membros deste grupo vivem perdidos no anonimato e no abandono. Evidentemente, n\u00e3o podem fazer greve at\u00e9 porque muitos deles n\u00e3o t\u00eam emprego. E tamb\u00e9m n\u00e3o podem fazer manifesta\u00e7\u00f5es, at\u00e9 porque n\u00e3o se encontram minimamente organizados.<\/p>\n<p>Perguntar-se-\u00e1, a prop\u00f3sito de tudo isto: haver\u00e1 uma concep\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de sacrif\u00edcio, diferente da que nos marca actualmente? \u00c9 o que veremos no pr\u00f3ximo artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-5299","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5299","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5299"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5299\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5299"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5299"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5299"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}