{"id":5301,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5301"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"promessas-eleitorais-e-dignificacao-das-campanhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/promessas-eleitorais-e-dignificacao-das-campanhas\/","title":{"rendered":"Promessas eleitorais e dignifica\u00e7\u00e3o das campanhas"},"content":{"rendered":"<p>Em clima de pr\u00e9-campanha eleitoral, com a mem\u00f3ria j\u00e1 requentada das \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es para a Assembleia da Rep\u00fablica, justifica-se uma reflex\u00e3o serena, mesmo que ela chegue tarde ou n\u00e3o chegue mesmo, a quem esta poder\u00e1 interessar de perto. No fundo, tratando-se de um contributo \u00e0 sanidade da vida pol\u00edtica e ao exerc\u00edcio correcto da cidadania, uma opini\u00e3o, apenas uma opini\u00e3o livre, pode sempre interessar a mais pessoas.<\/p>\n<p>Campanha sem promessas n\u00e3o d\u00e1 votos, costuma dizer-se e repetir-se. Ouvi h\u00e1 poucos dias o Primeiro Ministro dizer que \u201cos compromissos eleitorais s\u00e3o para cumprir\u201d. Era uma justifica\u00e7\u00e3o para o referendo sobre o aborto antes das presidenciais, fruto de uma promessa eleitoral. A verdade, por\u00e9m, \u00e9 que outros compromissos derivados de promessas eleitorais, n\u00e3o se cumprem, nem se podem cumprir. Quem nessa altura faz promessas sabe muito bem que assim \u00e9. Perante esta realidade, parece que o mais importante \u00e9 reflectir sobre o que se promete e o seu interesse para o conjunto da comunidade. De quem se prop\u00f5e governar, a qualquer n\u00edvel, espera-se sempre e muito legitimamente, um testemunho de sensatez, de verdade, de respeito pelo eleitorado e pelos outros candidatos. <\/p>\n<p>A democracia constr\u00f3i-se com a aceita\u00e7\u00e3o respeitosa das diferen\u00e7as, n\u00e3o com discursos sonantes, nem com ataques pessoais. A diferen\u00e7a pode sempre enriquecer. Falar do outro, como se fosse um inimigo a abater, divide sempre, fere inutilmente, levanta muros, promove suspeitas, inquina rela\u00e7\u00f5es, destr\u00f3i uma sociedade onde todos t\u00eam direito a viver e participar.<\/p>\n<p>Uma campanha eleitoral \u00e9, entre n\u00f3s, normalmente um espect\u00e1culo desagrad\u00e1vel e nada edificante, pelo que se diz e como se diz e pelo que se promete. Contados os votos, l\u00e1 v\u00eam palavras de felicita\u00e7\u00e3o com sorrisos de circunst\u00e2ncia, mas, para tr\u00e1s, ficaram feridas dif\u00edceis de curar e lama dif\u00edcil de limpar. V\u00eam, depois, as promessas para cumprir. Ent\u00e3o, se elas ainda se recordam, mudam-se leis, fazem-se acordos, multiplicam-se desculpas, arranjam-se culpados, para tentar responder. E o povo? Pelo que vamos vendo, conta pouco ou conta cada vez menos.     <\/p>\n<p>A pobreza, segundo a Oikos, uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental, s\u00e9ria e prestigiada, amea\u00e7a 20% da popula\u00e7\u00e3o portuguesa. Acrescenta que \u201co desempenho das pol\u00edticas sociais nos \u00faltimos anos n\u00e3o tem sido muito encorajador\u201d. E, diz ainda que \u201c Portugal \u00e9 tamb\u00e9m o pa\u00eds de toda a Uni\u00e3o Europeia onde \u00e9 maior a desigualdade na distribui\u00e7\u00e3o de rendimentos\u201d. Um fatalismo? De modo nenhum. \u00c9 preciso diz\u00ea-lo alto e em bom som.<\/p>\n<p>Em campanhas eleitorais, nacionais ou aut\u00e1rquicas, poucas vezes se ouve a leitura serena da realidade concreta e se fala de propostas de solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para defici\u00eancias e males. Temos mais voca\u00e7\u00f5es de tribunos argutos, que gente capaz de aterrar e de se comprometer apenas com o que faz falta. O que se v\u00ea ent\u00e3o? Mais promessas para deslumbrar, que empenhamento no bem comum. Mais \u00e2nsia de prest\u00edgio pessoal e partid\u00e1rio, que esp\u00edrito de servi\u00e7o aos outros.<\/p>\n<p>Felizmente n\u00e3o \u00e9 sempre assim, nem sempre, nem com todos os candidatos. Mas o que fica no povo, pelo que viu e ouviu, n\u00e3o vai muito al\u00e9m desta imagem triste e empobrecida. A classe pol\u00edtica tem o dever de se prestigiar. As campanhas eleitorais s\u00e3o uma boa ocasi\u00e3o. N\u00e3o se diga que a respeitar os outros candidatos n\u00e3o se ganham elei\u00e7\u00f5es. Para ganhar e para perder \u00e9 preciso dignidade e s\u00f3 esta vai para al\u00e9m do acto eleitoral.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em clima de pr\u00e9-campanha eleitoral, com a mem\u00f3ria j\u00e1 requentada das \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es para a Assembleia da Rep\u00fablica, justifica-se uma reflex\u00e3o serena, mesmo que ela chegue tarde ou n\u00e3o chegue mesmo, a quem esta poder\u00e1 interessar de perto. 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