{"id":5306,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5306"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"o-estado-e-leigo-na-materia-religiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-estado-e-leigo-na-materia-religiao\/","title":{"rendered":"O Estado \u00e9 leigo na mat\u00e9ria Religi\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Duas tend\u00eancias da sociedade actual, laicismo e indeferentismo, obrigam a repensar o modo de ser e agir em Igreja. Duas centenas de pessoas juntaram-se no Semin\u00e1rio para discutir o assunto<\/p>\n<p>\u201cEm quest\u00f5es de religi\u00e3o, o Estado tem que perceber que \u00e9 leigo na mat\u00e9ria\u201d, afirmou o padre jesu\u00edta Vasco Pinto de Magalh\u00e3es, na jornada sobre \u201cLaicismo e Indiferentismo\u201d. O \u201cEstado \u00e9 laico; o povo tem as cren\u00e7as que tiver. O Estado \u00e9 a-religioso, o que \u00e9 muito diferente de ser anti-religioso. Compete-lhe gerir todas as formas de religiosidade de maneira a que as pessoas vivam os seus espa\u00e7os de religiosidade\u201d, disse.<\/p>\n<p>A Jornada, organizada por v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es lideradas pelo CUFC, reuniu duas centenas de pessoas em Aveiro, na noite de sexta-feira e manh\u00e3 de s\u00e1bado, para falar de duas tend\u00eancias do tempo actual que obrigam a repensar o modo de estar da Igreja: o laicismo e o indiferentismo.<\/p>\n<p>Como laicismo entende-se a corrente que pretende relegar a religi\u00e3o para o espa\u00e7o privado. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, para a consci\u00eancia de cada pessoa, apagando-a do espa\u00e7o p\u00fablico. Essa tend\u00eancia, presente em alguns pol\u00edticos portugueses e muito actuante na Europa, \u00e9 um \u201claicismo ser\u00f4dio\u201d, diria o Bispo de Aveiro no s\u00e1bado de manh\u00e3, relembrando o laicismo anticlericalista dos s\u00e9cs. XIX e XX.<\/p>\n<p>Indiferentismo \u00e9 o caldo cultural difuso e amb\u00edguo, em que a sociedade actual vive, e que se caracteriza pelo relativismo moral, pelos compromissos descart\u00e1veis, pelas op\u00e7\u00f5es contradit\u00f3rias, verificadas, inclusive nos peregrinos de F\u00e1tima, como mostrou um estudo apresentado pela gestora Madalena Abreu. O indiferentismo \u201c\u00e9 um inimigo que est\u00e1 dentro de casa\u201d, afirmou o jesu\u00edta, reconhecendo que \u00e9 a base para que o laicismo seja aceite sem ser criticado.<\/p>\n<p>Pluralismo ambivalente<\/p>\n<p>O director do Centro Universit\u00e1rio Manuel da N\u00f3brega (Coimbra), reconheceu que o laicismo poder\u00e1 fazer um grande caminho na sociedade portuguesa, com consequ\u00eancias nefastas como a elimina\u00e7\u00e3o das aulas de Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica. \u201cPrevejo que vai ser muito pior do que ser\u00e1. H\u00e1 claramente vontade de as eliminar do mapa\u201d, afirmou, reconhecendo que, enquanto Igreja, \u201cquase s\u00f3 temos quest\u00f5es; n\u00e3o temos estrat\u00e9gias\u201d. No entanto, \u201ca Igreja est\u00e1 preparada para passar persegui\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cOs tempos de expuls\u00e3o s\u00e3o tempos de santidade\u201d.<\/p>\n<p>Numa interven\u00e7\u00e3o mais moduladora, Manuel Alte da Veiga exp\u00f4s a ambival\u00eancia do pluralismo (positivo: a troca de ideias; negativo: o sentimento de andarmos perdidos), para afirmar de seguida a \u201cteoria do grupo perfeito\u201d, ou seja, aquele que \u00e9 \u201cperfeitamente grupo\u201d, porque \u201ccada qual tem a oportunidade de manifestar a sua opini\u00e3o, sem se sentir oprimido\u201d. Segundo o professor reformado da Universidade do Minho e actualmente a colaborar No ISCRA, no grupo perfeito, \u201co negativo da pluralidade converte-se em positivo de tend\u00eancia para a verdade\u201d. Alte da Veiga sublinhou a import\u00e2ncia do grupo perfeito na educa\u00e7\u00e3o, \u201cexpress\u00e3o maior do segundo \u00fatero\u201d, e deu um exemplo de alcance pr\u00e1tico na vida da Igreja: \u201cPor que \u00e9 que n\u00e3o podemos pedir explica\u00e7\u00f5es ao padre no fim da homilia?\u201d<\/p>\n<p>A Igreja no debate cultural<\/p>\n<p>D. Ant\u00f3nio Marcelino, na \u00faltima interven\u00e7\u00e3o da Jornada, descreveu v\u00e1rios dom\u00ednios da sociedade segundo o laicismo e segundo a laicidade. Alguns exemplos: A economia pode ser o dom\u00ednio das leis de mercado, ou ter rosto humano. A cultura poder ser relativista (\u201ctudo \u00e9 igual\u201d) ou criticar as v\u00e1rias \u201cverdades\u201d para definir prioridades.<\/p>\n<p>A terminar, D. Ant\u00f3nio Marcelino apontou caminhos para a Igreja e seus agentes. Estes caminhos sugerem uma nova atitude no campo cultural: \u201c[A Igreja tem de] estar activa nos debates culturais, (&#8230;) entrar no comboio, saber o lugar que lhe compete (&#8230;), promover iniciativas concretas no contexto intercultural\u201d. Trata-se, disse o Bispo de Aveiro, de \u201ccultivar o pluralismo leg\u00edtimo e equilibrado\u201d, \u201csem p\u00f4r em causa o mundo da f\u00e9\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Duas tend\u00eancias da sociedade actual, laicismo e indeferentismo, obrigam a repensar o modo de ser e agir em Igreja. 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