{"id":5347,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5347"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"os-jovens-da-romenia-sao-uma-massa-boa-para-trabalhar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/os-jovens-da-romenia-sao-uma-massa-boa-para-trabalhar\/","title":{"rendered":"&#8220;Os jovens da Rom\u00e9nia s\u00e3o uma massa boa para trabalhar&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Pe. Manuel Oliveira Marques da Silva. Mission\u00e1rio na Rom\u00e9nia <!--more--> Pe Manuel Oliveira Marques da Silva nasceu em 1953, em Vale Maior (Albergaria-a-Velha). Com 15 anos, emigrou para o Brasil, onde viu despertar a voca\u00e7\u00e3o sacerdotal. Actualmente na Rom\u00e9nia, desenvolve um trabalho de forma\u00e7\u00e3o de jovens e de protec\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as que j\u00e1 foi condecorado pelo Presidente da Rep\u00fablica Portuguesa. De f\u00e9rias na sua terra natal, o Correio do Vouga entrevistou-o sobre o seu percurso e trabalho e tamb\u00e9m sobre a Rom\u00e9nia, pa\u00eds do Leste europeu, que em 2007 poder\u00e1 juntar-se \u00e0 Uni\u00e3o Europeia.  Por Jorge Pires Ferreira<\/p>\n<p>Conte-nos um pouco da sua hist\u00f3ria. Como foi parar \u00e0 Rom\u00e9nia?<\/p>\n<p>Com 15 anos emigrei para o Brasil. Levantei v\u00f4o. Deixei a fam\u00edlia em Vale Maior, para me livrar da tropa. Os meus pais quiseram que eu fosse para o Brasil, porque tinha l\u00e1 uns tios, em Porto Alegre. Foi uma aventura. Trabalhei com os meus tios no com\u00e9rcio at\u00e9 aos 21 anos, altura em que entrei no Semin\u00e1rio, para a congrega\u00e7\u00e3o dos Pobres Servos da Divina Provid\u00eancia.<\/p>\n<p>Uma congrega\u00e7\u00e3o que n\u00e3o est\u00e1 presente em Portugal.<\/p>\n<p>Est\u00e1 em Angola, por exemplo. \u00c9 uma congrega\u00e7\u00e3o de tipo salesiano [dedica-se em especial \u00e0 educa\u00e7\u00e3o juvenil], mas com uma grande componente social.<\/p>\n<p>Como surgiu a sua voca\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Aos 18 anos, a minha vida deu uma grande volta. Nessa altura, questionei o significado de tudo e creio que Deus guiou a minha vida. Quando era pequeno, n\u00e3o me interroguei vocacionalmente, apesar do meu irm\u00e3o andar no semin\u00e1rio. Andou at\u00e9 \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o do 25 de Abril. Fazia parte do grupo [de Aveiro] que abandonou o Semin\u00e1rio do Porto. No Brasil, integrado na realidade paroquial, a procura despertou. Foi importante o facto de viver numa zona de periferia, com muitos problemas: crian\u00e7as de rua, abandonadas, numa zona de favela. Isso questionou-me muito. Os jovens da par\u00f3quia estavam muito empenhados. A certa altura, conheci os padres da congrega\u00e7\u00e3o a que perten\u00e7o. Dedicam-se \u00e0s crian\u00e7as abandonadas, aos \u00f3rf\u00e3os, a problemas sociais e familiares, drogados&#8230; Entrei para a congrega\u00e7\u00e3o, fiz o noviciado e a teologia em It\u00e1lia e fui ordenado em Vale Maior, por D. Ant\u00f3nio Marcelino, em 1984.<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o voltou para o Brasil&#8230;<\/p>\n<p>Os meus superiores pediram-me para ficar em It\u00e1lia, na forma\u00e7\u00e3o. A minha actividade foi sempre de forma\u00e7\u00e3o: semin\u00e1rio, orienta\u00e7\u00e3o, trabalho com jovens. Eu sentia-me muito sensibilizado pelos problemas sociais, mas depois viram as minhas capacidades e o meu trabalho foi noutro sentido&#8230; Estive 17 anos em It\u00e1lia, e tirei Licenciatura em Teologia Espiritual, em Roma. Em 1997, sentindo um pouco a veia mission\u00e1ria e com o desejo de voltar para o Brasil ou ir para Angola, perguntaram-me se queria ir para a Rom\u00e9nia, j\u00e1 que \u00edamos abrir uma casa l\u00e1. Podia ir para a R\u00fassia, porque t\u00ednhamos acabado de abrir l\u00e1 uma casa, mas n\u00e3o me atra\u00eda tanto. Fui uma vez \u00e0 Rom\u00e9nia, vi como era a realidade e aceitei. Eu e um italiano lan\u00e7\u00e1mos a congrega\u00e7\u00e3o nesse pa\u00eds do Leste. Chegados, procur\u00e1mos entrar na l\u00edngua. \u00c9 uma l\u00edngua latina, mas \u00e9 dif\u00edcil. Mais facilmente aprendi o italiano.<\/p>\n<p>A cultura romena \u00e9 muito diferente da nossa?<\/p>\n<p>Sim. O comunismo marcou muito a forma de ser do povo. Foram 50 anos em que o povo viveu oprimido, sem possibilidade de se exprimir. Cortaram-lhe a cabe\u00e7a sem a terem cortado. N\u00e3o podendo pensar, o povo mortificou-se muito. N\u00e3o exprimiu o que podia exprimir. T\u00eam muitas possibilidades, mas s\u00e3o muito passivos. Esperam tudo dos outros. Mesmo os jovens, s\u00f3 fazem se s\u00e3o empurrados, n\u00e3o porque n\u00e3o queiram ou sejam pregui\u00e7osos, mas porque t\u00eam medo de arriscar; n\u00e3o foram educados para isso. Assim, o trabalho pastoral tamb\u00e9m \u00e9 muito dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Mas em termos de liberdade religiosa, na Rom\u00e9nia n\u00e3o houve muitas persegui\u00e7\u00f5es&#8230;<\/p>\n<p>Havia uma certa liberdade. Ao contr\u00e1rio de outros pa\u00edses, na Rom\u00e9nia as igrejas ficaram abertas. Podiam celebrar os sacramentos. Mas ficava-se muito pela dimens\u00e3o lit\u00fargica, como na Igreja Ortodoxa, que praticamente n\u00e3o tem outras express\u00f5es al\u00e9m da lit\u00fargica. Ora, na Igreja Cat\u00f3lica tem de haver catequese, dimens\u00e3o social, evangeliza\u00e7\u00e3o&#8230; E isso n\u00e3o deixavam fazer. A Igreja Cat\u00f3lica, nos poucos espa\u00e7os que tinha, procurava fazer tudo. Por isso, a missa durava duas horas. Mas a dos ortodoxos durava quatro&#8230;<\/p>\n<p>Nas missas, os padres procuravam dar forma\u00e7\u00e3o ao povo. A Igreja foi o \u00fanico espa\u00e7o onde o povo p\u00f4de exprimir-se de modo espont\u00e2neo; e manteve-se viva, embora no sentido mais tradicional. O Conc\u00edlio Vaticano II n\u00e3o entrou. As normas lit\u00fargicas entraram, mas a mentalidade, a teologia e a devo\u00e7\u00e3o popular n\u00e3o evolu\u00edram. Santo Ant\u00f3nio, l\u00e1, \u00e9 mais do que Jesus Cristo. Impressionou-me como os romenos t\u00eam uma devo\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande pelo nosso Santo Ant\u00f3nio. E ainda mais os ortodoxos. \u00c9 um fen\u00f3meno que mistura piedade com supersti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o dos Cat\u00f3licos com os Ortodoxos?<\/p>\n<p>A realidade crist\u00e3 \u00e9 complexa na Rom\u00e9nia. H\u00e1 ortodoxos e cat\u00f3licos, mas estes dividem-se em tr\u00eas grupos. H\u00e1 os cat\u00f3licos latinos, os greco-cat\u00f3licos e os latino-h\u00fangaros. As diferen\u00e7as teol\u00f3gicas s\u00e3o m\u00ednimas. Mas as culturais e lingu\u00edsticas s\u00e3o grandes. A Igreja Latino-H\u00fangara est\u00e1 na Transilv\u00e2nia e na Mold\u00e1via. Fazem tudo em h\u00fangaro. Fi\u00e9is, padres e bispos falam h\u00fangaro. Muitos nem sabem o romeno. Est\u00e3o muito ligados \u00e0 Hungria. H\u00e1 raz\u00f5es hist\u00f3ricas para tal, porque o Imp\u00e9rio Austro-h\u00fangaro chegou at\u00e9 aos C\u00e1rpatos. Mesmo no meio da Rom\u00e9nia, em quatro ou cinco dioceses, s\u00e3o mais os latinos de l\u00edngua h\u00fangara que os latinos de l\u00edngua romena.<\/p>\n<p>Os greco-cat\u00f3licos tiverem grandes dificuldades no tempo do comunismo. Foram perseguidos, porque s\u00e3o oriundos dos ortodoxos. S\u00e3o uma parte que regressou a Roma, os chamados Uniatas (tamb\u00e9m existem na Ucr\u00e2nia). O comunismo desejou eliminar essa igreja. Os bispos foram todos presos. Foi declarada \u201cigreja clandestina\u201d. Quem quisesse continuar devia retornar aos ortodoxos. Os padres que n\u00e3o aceitavam deviam \u201creduzir-se ao estado laical\u201d. Onze bispos e muitos padres foram metidos na pris\u00e3o. Houve m\u00e1rtires. Foi a excep\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade religiosa.<\/p>\n<p>Os ortodoxos t\u00eam certa liga\u00e7\u00e3o ao poder. Custa-lhes a aceitar a separa\u00e7\u00e3o Igreja\/Estado&#8230;<\/p>\n<p>No tempo do regime comunista, foram a igreja do poder; por isso sofreram menos. Mas houve padres ortodoxos que se impuseram e sofreram persegui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como \u00e9 a diocese em que trabalha?<\/p>\n<p>A minha diocese, Iasi, no nordeste da Mold\u00e1via romena, fica a 250 Km da capital, Bucareste. Iasi e Bucareste s\u00e3o duas dioceses cat\u00f3licas latinas. A maioria dos cat\u00f3licos latinos romenos est\u00e3o nesta zona da Mold\u00e1via. A Transilv\u00e2nia est\u00e1 mais virada para a Hungria. Isso cria muitos problemas ao n\u00edvel da confer\u00eancia episcopal e da pastoral. \u00c9 dif\u00edcil ter um projecto pastoral comum, porque est\u00e3o divididos.<\/p>\n<p>Como \u00e9 que os Pobres Servos da Divina Provid\u00eancia foram para Iasi?<\/p>\n<p>Durante o tempo do comunismo, n\u00e3o havia vida religiosa [congrega\u00e7\u00f5es, ordens e institutos]. Foram eliminados ou expulsos. Antes, havia franciscanos e jesu\u00edtas, que tiveram que passar \u00e0 vida diocesana ou foram expulsos (os estrangeiros). As irm\u00e3s religiosas, as que n\u00e3o puderam fugir para o ocidente, tiveram que voltar para as suas fam\u00edlias. Em 1989, quando caiu o regime, os poucos que ainda restavam reorganizaram-se. Deu-se um grande despertar vocacional. Durante o comunismo, s\u00f3 havia um semin\u00e1rio para os cat\u00f3licos latinos e n\u00e3o deixavam entrar mais do que dez jovens. Mas havia 100 ou 200 candidatos. Depois que caiu o regime, houve um grande despertar religioso. Muitos factores influenciaram, e um deles foi a pobreza. Entraram muitas congrega\u00e7\u00f5es, nos anos 90, vindas de Fran\u00e7a e It\u00e1lia. Abriram semin\u00e1rios diocesanos, formaram-se novas voca\u00e7\u00f5es. Os franciscanos tiveram prefer\u00eancia, por-que em s\u00e9culos passados evangelizaram a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma grande procura dos semin\u00e1rios depois da queda do comunismo?<\/p>\n<p>\u00c9 um fen\u00f3meno que nos deixa impressionados. Como \u00e9 que uma comunidade t\u00e3o pequena tem tanta voca\u00e7\u00e3o? Sente-se que o n\u00famero de voca\u00e7\u00f5es pode cair, mas ainda h\u00e1 muitas. O semin\u00e1rio diocesano tem cerca de 200 estudantes de Teologia. A diocese tem 20 ordena\u00e7\u00f5es por ano. Os franciscanos conventuais, igualmente. O semin\u00e1rio menor tem 200 ou 300 adolescentes. S\u00e3o n\u00fameros impressionantes; por\u00e9m, entende-se. \u00c9 a possibilidade de fazerem qualquer coisa de v\u00e1lido. Vivendo nas aldeias n\u00e3o t\u00eam transportes, para poderem aceder a uma escola superior. O semin\u00e1rio \u00e9 uma alternativa economicamente poss\u00edvel. Com pouco, pode-se estudar. Sabemos que a realidade \u00e9 assim. Na Rom\u00e9nia, at\u00e9 aos quinze anos os rapazes p\u00f5em o problema vocacio-nal. A passagem do ciclo para o liceu \u00e9 uma altura prop\u00edcia. Depois, \u00e9 dif\u00edcil. Aos 18 anos, s\u00f3 pensam em emigrar. Quem n\u00e3o estuda, parte.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 a actividade da vossa congrega\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Como muitas outras congrega\u00e7\u00f5es \u2013 porque havia grandes lacunas no campo social \u2013 ajudamos fam\u00edlias, crian\u00e7as e jovens. Estamos numa aldeia chamada Racaciun, 250 km a norte de Bucareste. Trabalhamos com fam\u00edlias carenciadas, que geralmente t\u00eam muitos filhos, e damos uma aten\u00e7\u00e3o especial aos \u00f3rf\u00e3os e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de jovens&#8230; N\u00e3o abrimos logo uma casa para essas actividades. Primeiro, come\u00e7\u00e1mos por ir \u00e0s fam\u00edlias, dando ajudas econ\u00f3micas e materiais. Mais tarde, constru\u00edmos uma casa para actividades de forma\u00e7\u00e3o. E, depois, abrimos um centro de dia para crian\u00e7as.<\/p>\n<p>No nosso semin\u00e1rio menor temos 30 jovens em forma\u00e7\u00e3o. Na Teologia, temos tr\u00eas na It\u00e1lia e dois na R\u00fassia.<\/p>\n<p>Recebeu uma condecora\u00e7\u00e3o do Presidente da Rep\u00fablica portugu\u00eas&#8230;<\/p>\n<p>Foi uma coisa muito simples, eu n\u00e3o dava valor a isso. O embaixador portugu\u00eas na Rom\u00e9nia [S\u00f3zimo da Silva], sabendo que eu era o \u00fanico padre portugu\u00eas na Rom\u00e9nia, quis visitar-me. Viu a casa a ser constru\u00edda e as actividades com crian\u00e7as. Fomos ainda visitar uma zona muito pobre. Achou a \u201cobra magn\u00edfica\u201d e quis promov\u00ea-la. N\u00e3o \u00e9 nada de especial, mas ele ficou encantado: \u201cVou pedir ao Sr. Presidente que premeie esta obra\u201d. H\u00e1 pessoas que fazem coisas muito maiores, mas ele entendeu propor a Jorge Sampaio que me desse uma condecora\u00e7\u00e3o&#8230; ordem de m\u00e9rito para&#8230; j\u00e1 n\u00e3o me lembro&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o deu grande import\u00e2ncia&#8230;<\/p>\n<p>Tenho o diploma, mas n\u00e3o \u00e9 importante. O sr. embaixador disse-me que p\u00f5em alguma dificuldade em atribuir essas coisas a padres ou obras de Igreja. \u00c9 que h\u00e1 muita gente que faz igual ou maior&#8230; Quando inauguramos a casa, no ano passado, ele foi l\u00e1, bem como o n\u00fancio apost\u00f3lico e quatro bispos \u2013 uma coisa normal.<\/p>\n<p>Para o futuro, t\u00eam projectos?<\/p>\n<p>Temos muitos projectos. A Rom\u00e9nia tem problemas s\u00e9rios. Um deles \u00e9 o da imigra\u00e7\u00e3o. Muitos pais partiram para o Ocidente, It\u00e1lia, Fran\u00e7a, Alemanha e tamb\u00e9m Portugal, deixando os filhos aos parentes, vizinhos, av\u00f3s, quase ao abandono, sem qualquer refer\u00eancia. \u00c9 um dos problemas. Queremos criar nas par\u00f3quias centros de dia, para que essas crian\u00e7as n\u00e3o fiquem pela rua. H\u00e1 tamb\u00e9m o problema dos pais ou m\u00e3es que deixam os filhos na maternidade. V\u00e3o parar aos orfanatos do Estado. N\u00e3o existe fome, mas n\u00e3o h\u00e1 muitos materiais; e h\u00e1 car\u00eancias na educa\u00e7\u00e3o dos filhos.<\/p>\n<p>H\u00e1 a ideia de algum progresso econ\u00f3mico na Rom\u00e9nia, a preparar-se para aderir \u00e0 Uni\u00e3o Europeia&#8230;<\/p>\n<p>Mas isso \u00e9 no que diz respeito a estruturas, como estradas. A UE p\u00f4s algumas condi\u00e7\u00f5es, entre as quais que se fechem orfanatos. H\u00e1 muitos, com centenas de crian\u00e7as. A UE n\u00e3o aceita essas situa\u00e7\u00f5es pouco educativas. Por isso, est\u00e3o a fazer uma reforma com vista a criar n\u00facleos. A nossa congrega\u00e7\u00e3o caminha no sentido de fazer casas-fam\u00edlia: pequenos grupos com leigos; embora seja dif\u00edcil encontrar pessoas que fa\u00e7am fam\u00edlia. J\u00e1 est\u00e3o muito ocupadas com o seu pr\u00f3prio lar. Mas \u00e9 nesse sentido que temos de trabalhar. H\u00e1 muitos \u00f3rf\u00e3os porque, nas zonas rurais, os pais morrem jovens devido ao alcoolismo. \u00c9 um desastre. \u00c0s vezes pai e m\u00e3e t\u00eam o problema. E, quando assim \u00e9, t\u00eam muitos filhos. Embebedam-se com vodka e aguardente feita com todo o tipo de fruta. Quase toda a gente tem um alambique artesanal em sua casa. \u00c9 um problema s\u00e9rio, j\u00e1 de h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p>Como v\u00ea o futuro da Rom\u00e9nia?<\/p>\n<p>\u00c9 de esperan\u00e7a. D\u00e1 satisfa\u00e7\u00e3o, quando estamos na forma\u00e7\u00e3o dos jovens. N\u00e3o me refiro \u00e0 parte vocacional, falo simplesmente da parte humana; se os ajudamos, se lhes damos apoio, vemos que eles t\u00eam muita riqueza, muita criatividade, muita exuber\u00e2ncia de vida, muitas capacidades. Ver crescer essas pessoas, amadurecer, assumir propostas de vida, d\u00e1 satisfa\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma massa boa para trabalhar. Ainda n\u00e3o foram invadidos pelo consumismo, embora j\u00e1 sejam influenciados pelos emigrantes, que voltam de It\u00e1lia e trazem outra realidade. Sa\u00edram de m\u00e3os vazias e regressam de telem\u00f3vel e carro. Comparo essa realidade com a portuguesa de h\u00e1 40-50 anos, quando o emigrante chegava de carro e todos o admiravam. Sofrem, vivem mal no pa\u00eds onde est\u00e3o a trabalhar, mas o que interessa \u00e9 chegar com o carro. \u00c9 uma forma de dizerem: \u201cConsegui alguma coisa\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. Manuel Oliveira Marques da Silva. 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