{"id":5369,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5369"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"sacrificio-diferente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sacrificio-diferente\/","title":{"rendered":"Sacrif\u00edcio diferente"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> 1. Conforme foi lembrado no artigo anterior, o Governo est\u00e1 a exigir pesados sacrif\u00edcios \u00e0 popula\u00e7\u00e3o (o chamado \u201caperto do cinto\u201d). Face a este imperativo, a maioria das pessoas parece n\u00e3o estar disposta a cooperar. Por tal motivo, os sacrif\u00edcios aparecem como imposi\u00e7\u00e3o exterior \u00e0 consci\u00eancia e \u00e0s liberdades pessoais. Trata-se, afinal, de sacrif\u00edcios \u00e0 for\u00e7a. <\/p>\n<p>Na perspectiva crist\u00e3 e da dignidade humana em geral, o sacrif\u00edcio \u00e9, pelo contr\u00e1rio, um acto pessoal e respons\u00e1vel, integrado nos constrangimentos em que vivemos. Neste quadro, pode definir-se o sacrif\u00edcio como a orienta\u00e7\u00e3o livre da ren\u00fancia a determinados bens para a perfei\u00e7\u00e3o humana poss\u00edvel. Em termos crist\u00e3os, est\u00e1 em causa um verdadeiro processo salv\u00edfico.<\/p>\n<p>2. A esta luz, seria de esperar que as pessoas com n\u00edveis mais altos de riqueza e rendimentos quisessem e soubessem renunciar a uma parte desses n\u00edveis, em nome do bem comum e a favor de quem \u00e9 mais pobre. N\u00e3o se esperaria deles, evidentemente, uma esp\u00e9cie de ma-soquismo social nem a desist\u00eancia do esfor\u00e7o de desenvolvimento. Esperar-se-ia, pelo contr\u00e1rio, que aproveitassem a ren\u00fancia para se racionalizarem cada vez mais e se aperfei\u00e7oarem na perspectiva da solidariedade e do pr\u00f3prio desenvolvimento. No fundo, a ren\u00fancia a alguma riqueza e a alguns rendimen-tos poderia contribuir para um enriquecimento mais justo, solid\u00e1rio e consistente.<\/p>\n<p>3. No que respeita \u00e0s pessoas mais pobres, sobretudo \u00e0s que sofrem de car\u00eancias extremas, n\u00e3o \u00e9 justo pedir-lhes mais sacrif\u00edcios econ\u00f3mico-sociais; o seu sacrif\u00edcio permanente j\u00e1 ultrapassa os limites admiss\u00edveis. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o se pode estimular, nelas, a contesta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica.<\/p>\n<p>Sem preju\u00edzo do direito \u00e0 contesta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, parece especial-mente recomend\u00e1vel que estas pessoas se organizem, exponham os seus problemas, fa\u00e7am as suas propostas e tomem as suas pr\u00f3prias iniciativas, tanto solucionadoras como reivindicativas. O Estado, as organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, bem como as pessoas, empresas e outras entidades mais ricas e com mais altos rendimentos, deveriam aliar-se aos pobres e contribuir activamente para que deixem de o ser. Enquanto houver pessoas  desprovidas de condi\u00e7\u00f5es de vida condigna, aquelas entidades e toda a sociedade est\u00e3o postas em causa.<\/p>\n<p>4. Ao contr\u00e1rio desta orienta\u00e7\u00e3o, os grupos s\u00f3cio-profissionais com remunera\u00e7\u00f5es mais altas ou com mais estabilidade no emprego v\u00eam-se distinguido na recusa dos sacrif\u00edcios e na contesta\u00e7\u00e3o do Governo e de outros \u00f3rg\u00e3os de soberania. Invocam a seu favor os seus direitos, a sua dignidade e a tese segundo a qual n\u00e3o se devem baixar os direitos de quem est\u00e1 acima da m\u00e9dia, mas sim elevar quem est\u00e1 abaixo. Invocam, tamb\u00e9m a seu favor, as graves injusti\u00e7as existentes no pa\u00eds e a iniquidade do sistema econ\u00f3mico.<\/p>\n<p>No entanto, ao mesmo tempo, procuram ser benefici\u00e1rios dessas injusti\u00e7as, em vez de cooperarem activamente com os grupos s\u00f3cio-profissionais desfavorecidos na constru\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds diferente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-5369","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5369","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5369"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5369\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5369"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5369"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5369"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}