{"id":5407,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5407"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"politica-iluminada-pela-fe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/politica-iluminada-pela-fe\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtica iluminada pela f\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>Perspectiva crist\u00e3 da pol\u00edtica <!--more--> \u201cH\u00e1 uma maneira crist\u00e3 de olhar para a realidade pol\u00edtica\u201d, afirmou D. Manuel Clemente, bispo auxiliar de Lisboa, nas jornadas que reuniram em F\u00e1tima respons\u00e1veis de meios de comunica\u00e7\u00e3o social de inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3, nos dias 22 e 23 de Setembro. Essa \u201cmaneira crist\u00e3\u201d, num contexto em que a laicidade \u00e9 algo de positivo, consiste em assumir valores que, antes de serem confessionais, s\u00e3o humanos (ver texto no topo da p\u00e1gina), porque a f\u00e9 os ilumina.<\/p>\n<p>Isto, a teoria. A pr\u00e1tica foi dada a partir do trabalho de profissionais ligados \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o social e por um ex-ministro (ver texto ao fundo).<\/p>\n<p>Pe. Peter Stilwell, te\u00f3logo e assistente da R\u00e1dio Renascen\u00e7a (RR), notou algum desconforto no conv\u00edvio da Igreja Cat\u00f3lica com a pluralidade religiosa e pol\u00edtica das sociedades ocidentais. \u201cNa sociedade p\u00f3s-moderna, afirmar com toda a contund\u00eancia a verdade faz de n\u00f3s [Igreja] mais um fragmento\u201d, disse, pelo que um \u00f3rg\u00e3o como a RR tem de noticiar os dois lados em confronto, como no caso do aborto, ainda que em espa\u00e7os como as notas editoriais, se afirme pela defesa da vida. <\/p>\n<p>Propaganda destr\u00f3i credibilidade<\/p>\n<p>A mesma ideia de pluralidade seria mais tarde secundada por Jos\u00e9 Lu\u00eds Ramos Pinheiro, anterior director de informa\u00e7\u00e3o da RR, que acrescentou que \u00e9 necess\u00e1rio \u201cdistinguir o trigo do joio; n\u00e3o confundir not\u00edcias com opini\u00e3o; n\u00e3o misturar acontecimentos com propaganda; n\u00e3o confundir o respeito pelas fontes com subservi\u00eancia\u201d. Esse princ\u00edpios fazem da informa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da RR \u201cpartidariamente isenta\u201d, \u201cexigente\u201d e \u201csem fretes\u201d. \u201cA propaganda \u00e9 o caminho mais f\u00e1cil para a destrui\u00e7\u00e3o da credibilidade\u201d, afirma o agora gestor da cadeia da r\u00e1dios l\u00edder de audi\u00eancias em Portugal.<\/p>\n<p>Pe Jo\u00e3o Aguiar, ex-director do Di\u00e1rio do Minho, recordou que \u201cn\u00e3o tendo a Igreja um partido pr\u00f3prio e n\u00e3o autorizando que nenhum se reivindique dono da sua vis\u00e3o sobre o Homem e o bem comum\u201d, os seus jornais \u201ct\u00eam de estar abertos ao pluralismo e \u00e0 diversidade de opini\u00f5es\u201d, e alertou para o perigo da  \u201cmunicipaliza\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social\u201d regionais, isto \u00e9, a depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o a pol\u00edticos locais. J\u00e1 o Pe Armando Duarte, presidente da ARIC (Associa\u00e7\u00e3o de R\u00e1dios de Inspira\u00e7\u00e3o Crist\u00e3), reconhecendo as \u201ctenta\u00e7\u00f5es do poder\u201d, sublinhou a ac\u00e7\u00e3o das r\u00e1dios ao n\u00edvel da promo\u00e7\u00e3o art\u00edstica, patrimonial, artesanal e \u201ctodo um trabalho ao servi\u00e7o da cidadania\u201d.<\/p>\n<p>Francisco Sarsfield Cabral, falando como comentador pol\u00edtico da RR e do Di\u00e1rio de Not\u00edcias, afirmou que \u201ch\u00e1 uma tend\u00eancia para exagerar a import\u00e2ncia dos comentadores na opini\u00e3o p\u00fablica\u201d e confessou como preocupa\u00e7\u00f5es nos seus coment\u00e1rios \u201cajudar a entender as coisas\u201d e \u201cmostrar transpar\u00eancia\u201d.     <\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n<p>A Pol\u00edtica segundo Ant\u00f3nio Bag\u00e3o F\u00e9lix<\/p>\n<p>Numa vis\u00e3o que o pr\u00f3prio classificou como \u201cpessoal, logo, subjectiva e intimista\u201d, Ant\u00f3nio Bag\u00e3o F\u00e9lix, apresentou, nas jornadas de F\u00e1tima, \u201c7 grandes regras que a pol\u00edtica deve ter\u201d e algumas li\u00e7\u00f5es que aprendeu em tr\u00eas anos de ministro (no \u00faltimo governo PSD\/CDS-PP) e sete de secret\u00e1rio de Estado. \u201cFui um crist\u00e3o ministro e n\u00e3o um ministro crist\u00e3o\u201d, disse, reconhecendo que, como pol\u00edtico no governo, houve dentro de si uma \u201cguerra civil\u201d entre aquilo que queria fazer e aquilo que acabava por fazer. No entanto, \u201cquero acreditar que o ser cat\u00f3lico me influenciou no melhor sentido\u201d, disse.<\/p>\n<p>As regras da pol\u00edtica:<\/p>\n<p>1) O Estado existe para servir a sociedade (e n\u00e3o contr\u00e1rio).<\/p>\n<p>2) A pol\u00edtica exprime-se com sentido geracional. \u201cN\u00e3o se esgota num per\u00edodo, num territ\u00f3rio, numa apar\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>3) A ac\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o se pode limitar \u00e0s \u201cpolitics\u201d, mas deve ser de \u201cpolicies\u201d (termos ingleses que op\u00f5em pol\u00edtica como t\u00e1cticas partid\u00e1rias e como op\u00e7\u00f5es de interesse p\u00fablico).<\/p>\n<p>4) A pol\u00edtica deve exprimir-se atrav\u00e9s da verdade nas palavras, servi\u00e7o na atitude, autenticidade na ac\u00e7\u00e3o e sensibilidade na rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>5) Coragem de decidir \u2013 com op\u00e7\u00f5es, ren\u00fancias e erros (\u201cassumir e aprender com os erros \u00e9 condi\u00e7\u00e3o essencial\u201d).<\/p>\n<p>6) Os meios s\u00e3o escassos e n\u00e3o se auto-alimentam (\u201ca verdadeira medida moral da pol\u00edtica \u00e9 defender os mais desprotegidos\u201d).<\/p>\n<p>7) A pol\u00edtica \u00e9 uma quest\u00e3o de limita\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de perpetua\u00e7\u00e3o (ou seja, \u201cservi\u00e7o e n\u00e3o dom\u00ednio\u201d, \u201cverdade e n\u00e3o ilus\u00e3o\u201d, \u201causteridade comportamental e n\u00e3o benef\u00edcio pr\u00f3prio\u201d).<\/p>\n<p>A estas \u201c7 grandes regras\u201d, Ant\u00f3nio Bag\u00e3o F\u00e9lix acrescentou um princ\u00edpio: \u201cA pol\u00edtica deve contentar-se em resolver os problemas em vez de procurar os culpados\u201d; e algumas \u201cli\u00e7\u00f5es\u201d que aprendeu. Uma delas \u00e9 que \u201cdevemos ser em tudo na vida pessoas que se envolvem profundamente, mas que n\u00e3o perdem a liberdade\u201d. E acrescentou o exemplo dos ovos e do \u201cbacon\u201d. A galinha deu os ovos. Envolveu-se. O porco deu o bacon. Comprometeu-se.<\/p>\n<p>O antigo ministro lembrou ainda que, \u201cna pol\u00edtica, pode haver sorte, mas \u00e9 fundamental que haja trabalho. S\u00f3 no dicion\u00e1rio \u00e9 que \u2018sorte\u2019 vem antes de \u2018trabalho\u2019\u201d. E que \u00e9 perigoso ter uma ideia abstracta das pessoas, da fam\u00edlia, dos idosos. \u201cOs n\u00fameros anestesiam. Ao discutir n\u00fameros est\u00e1vamos a fazer pior pol\u00edtica. E eu fi-la\u201d, disse. Por outro lado, reconheceu que, \u201cem Portugal, \u00e9 dif\u00edcil aplicar o princ\u00edpio da subsidiariedade\u201d [o que uma inst\u00e2ncia inferior pode fazer n\u00e3o deve ser feito por uma inst\u00e2ncia superior &#8211; princ\u00edpio responsabilizante], pois os portugueses tendem a esperar que \u201co Estado resolva tudo\u201d.<\/p>\n<p>Na actividade pol\u00edtica de Bag\u00e3o F\u00e9lix foi fundamental o apoio da fam\u00edlia. \u201cMesmo na pol\u00edtica, os pol\u00edticos costumam ter fam\u00edlia. A fam\u00edlia d\u00e1 capacidade de resist\u00eancia\u201d, afirmou. Numa nota final, o antigo ministro da Seguran\u00e7a Social e, a seguir, das Finan\u00e7as confessou que, na sua actividade, o momento de maior ang\u00fastia foi n\u00e3o poder aumentar a reforma dos pensionistas, o de maior luta foi a elabora\u00e7\u00e3o e aprova\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo de Trabalho, e o de maior tristeza, al\u00e9m da cr\u00edtica \u00e0 sua ac\u00e7\u00e3o por parte da Comiss\u00e3o Nacional de Justi\u00e7a e Paz (\u00f3rg\u00e3o ligado \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica e anteriormente presidido por Bag\u00e3o F\u00e9lix), foi o \u201cign\u00f3bil ataque por parte de l\u00f3bis poderos\u00edssimos\u201d de sectores a que pertencia antes de estar no governo. Ou seja, a banca.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Perspectiva crist\u00e3 da pol\u00edtica<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[60],"tags":[],"class_list":["post-5407","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-tema"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5407","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5407"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5407\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5407"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5407"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5407"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}