{"id":5434,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5434"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"omissao-visao-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/omissao-visao-verdade\/","title":{"rendered":"Omiss\u00e3o, vis\u00e3o, verdade"},"content":{"rendered":"<p>Perante um conjunto de viv\u00eancias, ainda n\u00e3o verbalizadas de modo consistente, a primeira escolha de-procura-de-resposta recai sobre o livro, \u201cA Corros\u00e3o do Car\u00e1cter\u201d (1998), do soci\u00f3logo Richard Sennett. O car\u00e1cter est\u00e1 vinculado a experi\u00eancias emocionais a longo prazo. Hoje, a pessoa est\u00e1 prisioneira do presente. O que acontece? N\u00e3o conseguimos, muitas vezes, compreender porque nos sentimos desconfort\u00e1veis e ansiosos em rela\u00e7\u00e3o ao futuro. Somos pessoas mal resolvidas, porque a cabe\u00e7a est\u00e1 mal arrumada e o cora\u00e7\u00e3o sofre porque o amor n\u00e3o se sente amado (click S. Francisco de Assis).<\/p>\n<p>Vivemos no reino do \u201ccurto prazo\u201d, isto \u00e9, \u201ccontinue em movimento, n\u00e3o se comprometa e n\u00e3o se sacrifique\u201d. Como podemos decidir o que \u00e9 valor fundamental numa sociedade do descart\u00e1vel e do imediato? A flexibilidade, a mudan\u00e7a, a inova\u00e7\u00e3o, o risco, t\u00eam um alto custo social e humano. Falamos dessa \u201ccosmovis\u00e3o\u201d quer pela sua f\u00e1cil prolifera\u00e7\u00e3o, quer pela sua aus\u00eancia, via defesas pantanosas. Num credo impessoal(?), n\u00f3s sabemos que o dinheiro n\u00e3o \u00e9 tudo. Mas as verdadeiras decis\u00f5es s\u00e3o adiadas para quando houver maior estabilidade financeira. A quest\u00e3o tamb\u00e9m exige que a vis\u00e3o de que o \u201cmodelo-mundo-anterior\u201d n\u00e3o era apenas bom ou mau, mas como nos organizamos, ganha modo imperativo o \u201cn\u00f3s\u201d, numa narrativa diferente das nossas vidas, mergulhados que estamos todos num \u201ccapitalismo-consumismo\u201d que desorienta porque nos vicia inconscientemente famintos. <\/p>\n<p>Depois de muito trabalho e mais trabalho, que nos levam mais fundo que o cansa\u00e7o. Pois o cansa\u00e7o, o descanso resolve. Mas quando e onde as perdas n\u00e3o s\u00e3o mais compensadas em distens\u00e3o? Surge a fadiga. Tenho tempo de descanso e o cansa\u00e7o permanece. Estou em estado de fadiga. Prop\u00edcio ao ass\u00e9dio moral (s\u00f3 depois v\u00eam os outros \u201cass\u00e9dios\u201d&#8230;) O alerta est\u00e1 dado. Pare e pense no que \u00e9 a Verdade na\/da sua vida? Jos\u00e9 Comblin, o te\u00f3logo que muitos teimam em n\u00e3o ler, afirma: \u201cA verdade \u00e9 muito simples(&#8230;) \u00c9 preciso renunciar ao projecto de definir a \u201cverdade\u201d. O que nos \u00e9 permitido \u00e9 buscar caminhos que conduzam \u00e0 verdade ou, pelo menos, a uma aproxima\u00e7\u00e3o da verdade. Nesses caminhos, todas as religi\u00f5es e todas as filosofias podem trazer a sua contribui\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u201cPilatos perguntou a Jesus: \u201cO que \u00e9 a verdade?\u201d (Jo 18,38). Jesus n\u00e3o respondeu, porque Pilatos n\u00e3o estava interessado em saber o que era a verdade. \u201cVerdade, Pilatos, \u00e9 estar ao lado dos pobres\u201d \u2013 escreveu Emmanuel Mounier. E continua, Jos\u00e9 Comblin, no op\u00fasculo, \u201cO que \u00e9 a verdade?\u201d (2005) a desarrumar as cabe\u00e7as de certezas f\u00fateis: \u201cAos disc\u00edpulos, Jesus, sim, diz o que \u00e9 a verdade: \u201cEu sou o caminho, a verdade e a vida\u201d(Jo 14,6). Nessa declara\u00e7\u00e3o de Jesus, a \u201cverdade\u201d est\u00e1 colocada no meio entre o \u201ccaminho\u201d e a \u201cvida\u201d. Caminho, verdade e vida formam uma s\u00f3 realidade, e cada palavra expressa um aspecto dessa realidade \u00fanica. A verdade \u00e9 o caminho que leva \u00e0 vida. Jesus diz que ele \u00e9 o verdadeiro caminho, o caminho que n\u00e3o engana, mas conduz \u00e0 verdadeira vida. A verdade aparece no caminho, ela est\u00e1 sendo procurada e essa procura j\u00e1 \u00e9 vida, entrada na vida. Da\u00ed aparece claramente que a verdade n\u00e3o se reduz a doutrinas ou teorias. A \u201cverdade\u201d quer dizer a \u201crealidade\u201d, o que realmente existe e d\u00e1 a vida. N\u00e3o estamos na ordem das id\u00e9ias, mas na ordem da vida real das pessoas. Jesus \u00e9 quem d\u00e1 realidade \u00e0 vida humana. Essa verdade n\u00e3o \u00e9 de ordem puramente intelectual. A pessoa pode at\u00e9 n\u00e3o conhecer o nome de Jesus, mas, se ela segue o caminho de Jesus, est\u00e1 na verdade\u201d. <\/p>\n<p>Isto \u00e9 parte daquilo \u2013 omiss\u00e3o, vis\u00e3o, verdade -, que n\u00e3o se pode calar mais. Quem tem ouvidos que ou\u00e7a, assim como, quem tem olhos e sabe ler, possa viver mais comprometido e livre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Perante um conjunto de viv\u00eancias, ainda n\u00e3o verbalizadas de modo consistente, a primeira escolha de-procura-de-resposta recai sobre o livro, \u201cA Corros\u00e3o do Car\u00e1cter\u201d (1998), do soci\u00f3logo Richard Sennett. O car\u00e1cter est\u00e1 vinculado a experi\u00eancias emocionais a longo prazo. Hoje, a pessoa est\u00e1 prisioneira do presente. O que acontece? 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