{"id":5436,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5436"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"pessoa-e-comunidade-horizonte-permanente-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/pessoa-e-comunidade-horizonte-permanente-da-igreja\/","title":{"rendered":"Pessoa e comunidade, horizonte permanente da igreja"},"content":{"rendered":"<p>Sempre me fez impress\u00e3o ao ouvir os avisos da semana, no princ\u00edpio ou fim das eucaristias dominicais, como tudo se reduz, normalmente, \u00e0s missas e \u00e0s muitas reuni\u00f5es das diversas actividades pastorais. Quem tal ouvir pensar\u00e1 que a Igreja tem apenas preocupa\u00e7\u00e3o com as coisas do culto e as actividades de cariz religiosa. <\/p>\n<p>De facto, n\u00e3o se deveria nunca esquecer que os leigos s\u00e3o crist\u00e3os no mundo e \u00e9 a\u00ed que realizam a sua voca\u00e7\u00e3o de ser luz e fermento do Evangelho na sua vida familiar, profissional, social e pol\u00edtica. A vida de um crist\u00e3o n\u00e3o se esgota no interior do templo, mas processa-se em mil lugares e ocasi\u00f5es que significam apelo a uma viv\u00eancia da f\u00e9, de testemunho e de compromisso de ac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Igreja ser\u00e1 sempre um espa\u00e7o e um lugar a apontar o horizonte inesgot\u00e1vel da vida concreta. A sua luz vem-lhe do Deus em que acredita, que outra coisa n\u00e3o quer dela sen\u00e3o que seja servidora permanente das pessoas e das comunidades. Isso faz-se de muitas maneiras, tamb\u00e9m nas actividades do templo pela prega\u00e7\u00e3o, pela catequese das diversas idades, pelas pr\u00f3prias celebra\u00e7\u00f5es que despertam para a partilha solid\u00e1ria. Por\u00e9m, torna-se cada vez mais necess\u00e1rio que as par\u00f3quias e os movimentos laicais se preocupem em programar actividades que ajudem a responder \u00e0s quest\u00f5es que hoje se p\u00f5em \u00e0s pessoas no mundo complexo em que vivem. Quest\u00f5es da vida, da fam\u00edlia, da educa\u00e7\u00e3o e da cultura, da justi\u00e7a no trabalho, dos direitos e deveres que fl\u00faem da condi\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os, da necessidade de di\u00e1logo com gente que pensa de modo diferente, t\u00eam de ser cada vez mais quest\u00f5es do dia a dia de uma comunidade crist\u00e3. <\/p>\n<p>Actividades que ajudem a ler a vida, a abrir-se aos problemas e a dialogar sobre eles, a colaborar, seja com quem for, para que se encontrem as solu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis para os problemas que, no dia a dia, constituem para muita gente um peso dif\u00edcil de suportar e de levar, devem fazer parte da vida de uma par\u00f3quia, viva, atenta e servidora.<\/p>\n<p>Os problemas sociais, dos profissionais aos pol\u00edticos, requerem a participa\u00e7\u00e3o, dada de modo diferente, mas que pode ser sempre complementar, quer dos crist\u00e3os mais conscientes, quer dos outros cidad\u00e3os que n\u00e3o s\u00e3o ou j\u00e1 se n\u00e3o dizem crist\u00e3os. Cada um deve formar-se para traduzir a sua opini\u00e3o e a sua participa\u00e7\u00e3o, segundo os princ\u00edpios que informam a sua vida e procuram o bem de todos. A diversidade justificada e qualificada \u00e9 sempre uma riqueza.<\/p>\n<p>A doutrina social da Igreja constitui um enriquecimento iluminador da ac\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os na sociedade. Est\u00e1 acess\u00edvel, de muitos modos, e torna-se urgente encaminhar para onde se ensina ou promover iniciativas no mesmo sentido.  <\/p>\n<p>O ano pastoral que come\u00e7a convida-nos a ser cada vez mais um Igreja que serve as pessoas e a sociedade, esfor\u00e7ada por compreender a realidade e os problemas, empenhada em encontrar respostas v\u00e1lidas e em promover colabora\u00e7\u00e3o. Ser crist\u00e3o e ser Igreja no mundo n\u00e3o tem um recorte meramente religioso, mas sim humano e social, que o Evangelho ilumina e a que d\u00e1 sentido de empenhamento inilud\u00edvel.<\/p>\n<p>Deus n\u00e3o faz hist\u00f3ria de salva\u00e7\u00e3o, nem \u00e0 margem, nem paralela \u00e0 hist\u00f3ria das pessoas e das comunidades. Entra nela, adapta-se ao ritmo dos seus protagonistas, abre-se \u00e0s situa\u00e7\u00f5es novas que v\u00e3o surgindo, alarga o leque dos colaboradores, p\u00f5e no caminho servidores preparados e incondicionais, n\u00e3o marca prazos, mas tamb\u00e9m n\u00e3o aceita sen\u00e3o as delongas inevit\u00e1veis. A sua pedagogia deve ser a da Igreja, pois a hist\u00f3ria \u00e9 a mesma.<\/p>\n<p>\u201cA Igreja no mundo contempor\u00e2neo\u201d,  que traduz o t\u00edtulo \u201calegria e esperan\u00e7a\u201d de uma constitui\u00e7\u00e3o conciliar, designa um estilo novo de ser Igreja no mundo, porta sempre aberta \u00e0 compreens\u00e3o, \u00e0 responsabilidade, ao desafio \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais humano e mais fraterno, porque s\u00f3 esse corresponde ao projecto do Criador.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre me fez impress\u00e3o ao ouvir os avisos da semana, no princ\u00edpio ou fim das eucaristias dominicais, como tudo se reduz, normalmente, \u00e0s missas e \u00e0s muitas reuni\u00f5es das diversas actividades pastorais. Quem tal ouvir pensar\u00e1 que a Igreja tem apenas preocupa\u00e7\u00e3o com as coisas do culto e as actividades de cariz religiosa. 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