{"id":545,"date":"2010-02-10T09:48:00","date_gmt":"2010-02-10T09:48:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=545"},"modified":"2010-02-10T09:48:00","modified_gmt":"2010-02-10T09:48:00","slug":"republica-uniu-catolicos-em-torno-dos-bispos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/republica-uniu-catolicos-em-torno-dos-bispos\/","title":{"rendered":"Rep\u00fablica uniu cat\u00f3licos em torno dos bispos"},"content":{"rendered":"<p>A I Rep\u00fablica implicou mudan\u00e7as no perfil do padre. O professor prim\u00e1rio era apresentado como \u201csacerdote laico\u201d<\/p>\n<p>Quando os bispos portugueses \u201cforam atacados, imageticamente, durante a Rep\u00fablica, isso uniu o catolicismo em torno de uma figura que, na Monarquia Constitucional, era bastante desprestigiada: o pr\u00f3prio bispo\u201d, \u2013 defendeu o historiador Ant\u00f3nio Matos Ferreira numa jornada de estudo \u00abDa Monarquia \u00e0 Rep\u00fablica: o Clero contempor\u00e2neo\u00bb.<\/p>\n<p>Realizada  no dia 1 de Fevereiro, na Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa (UCP), esta iniciativa teve v\u00e1rios oradores que abordaram quest\u00f5es relacionadas com a sociedade (s) nos finais do s\u00e9culo XIX e in\u00edcios do s\u00e9culo XX. Para o historiador, \u201cos bispos sa\u00edram refor\u00e7ados no contexto da I Rep\u00fablica e no contexto da Lei da Separa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>S\u00e9rgio Pinto, membro do Centro de Estudos de Hist\u00f3ria Religiosa da UCP, salientou que o clero de hoje \u201c\u00e9 muito diferente daquele que viveu na I Rep\u00fablica\u201d. \u201cO clero que transita da Monarquia Constitucional para a I\u00aa Rep\u00fablica. era muito diferenciado quanto \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o interna e \u00e0 configura\u00e7\u00e3o do modelo de ac\u00e7\u00e3o do clero\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Com a implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica (5 de Outubro de 1910), o clero ir\u00e1 sentir \u2013 a diferentes n\u00edveis \u2013 o \u201cimpacto das medidas legislativas\u201d, referiu S\u00e9rgio Pinto. Estas medidas tomadas pelos governos republicanos tender\u00e3o \u201ca continuar, embora de outro modo, o Regalismo anterior\u201d. Apesar de variar de diocese para diocese, o clero sofrer\u00e1 \u201cum impacto a n\u00edvel financeiro\u201d.<\/p>\n<p>Com o novo pacote legislativo, a organiza\u00e7\u00e3o interna da igreja sofrer\u00e1 altera\u00e7\u00f5es. \u201cO episcopado sentiu que tinha a oportunidade de, pela primeira vez, nomear e dirigir o seu clero\u201d. Por outro lado, a tentativa de perpetua\u00e7\u00e3o do Regalismo tendia a continuar esse modelo de \u00abfuncion\u00e1rio\u00bb, mas retirando-lhe \u201cgrande parte das suas fun\u00e7\u00f5es porque via a sua relev\u00e2ncia social, pol\u00edtica e cultural disputada por outras inst\u00e2ncias\u201d, esclareceu o membro do CEHR.<\/p>\n<p>Na Primeira Rep\u00fablica o professor prim\u00e1rio \u00e9 apresentado \u201ccomo um sacerdote laico que disputava o protagonismo social do clero\u201d, real\u00e7ou S\u00e9rgio Pinto. Do legislador notava-se a tentativa de retirar \u201cparte da influ\u00eancia tida pelo clero e substitu\u00ed-la pelos professores prim\u00e1rios e outros agentes culturais\u201d.<\/p>\n<p>Com o encerramento de alguns semin\u00e1rios e da Faculdade de Teologia em Coimbra, a forma\u00e7\u00e3o do clero ficou abalada. Vive-se um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o. O Papa Pio X \u201cprocura tornar obrigat\u00f3rio a forma\u00e7\u00e3o do clero nos semin\u00e1rios\u201d. Os bispos procuram criar \u201cinst\u00e2ncias novas para essa forma\u00e7\u00e3o\u201d com a \u201cfunda\u00e7\u00e3o de novos semin\u00e1rios\u201d. Relativamente \u00e0 Faculdade de Teologia, ter\u00e1 \u201cum grande peso o diferendo existente entre o episcopado portugu\u00eas e a direc\u00e7\u00e3o da Faculdade\u201d, disse S\u00e9rgio Pinto. E adiantou: \u201cSente-se a necessidade \u2013 um desejo que se perpetuar\u00e1 no tempo \u2013 de criar um Instituto Superior de Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica\u201d.<\/p>\n<p>Efectivamente, este sonho s\u00f3 ser\u00e1 concretizado no final da d\u00e9cada de sessenta quando \u201ca Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa v\u00ea a luz do dia\u201d. Uma aspira\u00e7\u00e3o desde os anos vinte do P.e Manuel Gon\u00e7alves Cerejeira, \u201cfuturo cardeal patriarca que a partir dessa altura vai insistindo na necessidade de ter um Instituto superior que supra essa car\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Nos primeiros anos da Rep\u00fablica, o episcopado portugu\u00eas publicou v\u00e1rias pastorais colectivas. Estes documentos mostram, \u201cpela primeira vez, ac\u00e7\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es conjuntas do episcopado\u201d. E finaliza: \u201celas eram uma manifesta\u00e7\u00e3o, mobiliza\u00e7\u00e3o e doutrina\u00e7\u00e3o para o clero e leigos\u201d. <\/p>\n<p>Ecclesia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A I Rep\u00fablica implicou mudan\u00e7as no perfil do padre. 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