{"id":5461,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5461"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"john-courtney-murray","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/john-courtney-murray\/","title":{"rendered":"John Courtney Murray"},"content":{"rendered":"<p>O Leitor Pergunta &#8211; Grandes Te\u00f3logos &#8211; 3 <!--more--> John Courtney Murray (12-09-1904 \u2013 16-08-1967) talvez seja o menos conhecido dos seis te\u00f3logos desta s\u00e9rie (\u201cSeis grandes te\u00f3logos do s\u00e9c. XX\u201d), mas n\u00e3o \u00e9 certamente o menos influente na vida di\u00e1ria dos cat\u00f3licos em regimes democr\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as ao contributo deste padre jesu\u00edta, norte-americano, o catolicismo p\u00f4de reconciliar-se com o pluralismo religioso, a liberdade religiosa e a ordem pol\u00edtica democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Conv\u00e9m ter em conta, nestes campos, o pensamento dominante na Igreja Cat\u00f3lica at\u00e9 ao Vaticano II. Resumia-se nisto: Fora da Igreja n\u00e3o h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o. N\u00f3s temos a verdade. Os outros est\u00e3o no erro; devem converter-se. Quando muito, podem ser tolerados. O Estado deve ser confessionalmente cat\u00f3lico. A pluralidade (pol\u00edtica e religiosa) tolera-se, mas n\u00e3o \u00e9 desej\u00e1vel.<\/p>\n<p>Estas ideias podem parecer estranhas e exageradas, mas era o pensamento cat\u00f3lico comum (n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil encontrar documentos para defender cada uma delas) e ainda hoje os seguidores de Lef\u00e9bvre (que n\u00e3o aceitaram o Vaticano II) as subscrevem.<\/p>\n<p>Diz Jean-Claude Eslin: \u201cO catolicismo [em meados do s\u00e9c. XX] tem dificuldade em se inscrever no processo da liberdade democr\u00e1tica (Emanuel Mounier e Jacques Maritain n\u00e3o escapam \u00e0 dificuldade), em especial porque o pensamento cat\u00f3lico dominante n\u00e3o pode integrar ent\u00e3o a ideia de liberdade religiosa. Essa possibilidade \u00e9 denegada pelos papas. Os te\u00f3logos s\u00f3 raramente se dedicam a estas quest\u00f5es, at\u00e9 que o jesu\u00edta John Courtney Murray, nos Estados Unidos, as aborda, em 1960, num livro que teve um grande eco, We Hold These Truths.\u201d (in Deus e o poder, Ed. \u00c2ncora). <\/p>\n<p>Ora, o te\u00f3logo norte-americano estuda o constitucionalismo dos EUA (poderes limitados e separados, sob o dom\u00ednio da lei) e mergulha na tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica que lan\u00e7ou os fundamentos da separa\u00e7\u00e3o Igreja\/Estado, para afirmar que n\u00e3o h\u00e1 incompatibilidade entre ambos. Isto veio a permitir que os cat\u00f3licos norte-americanos pudessem participar plenamente na vida pol\u00edtica do pa\u00eds (algo que chegou a estar proibido em alguns cargos, como senador e presidente; dizia-se coisa do g\u00e9nero: \u201cSe obedece ao Papa, est\u00e1 dependente de outro Estado; logo n\u00e3o pode ser bom norte-americano\u201d).<\/p>\n<p>Courtney Murray esteve impedido de publicar na d\u00e9cada de 1950, mas foi convidado para a segunda e terceira sess\u00f5es do Vaticano II. A ele se deve a resolu\u00e7\u00e3o do impasse que se verificava na declara\u00e7\u00e3o Dignitatis Humanae (sobre a liberdade religiosa \u2013 documento imprescind\u00edvel para regular religi\u00e3o e vida p\u00fablica), inspirando-se na tradi\u00e7\u00e3o norte-americana das liberdades sob o dom\u00ednio da lei e encontrando fundamentos na lei natural.<\/p>\n<p>Actualmente o te\u00f3logo \u00e9 lembrado no pr\u00e9mio John Courtney Murray, o mais importante da teologia cat\u00f3lica nos EUA.<\/p>\n<p>Uma \u00faltima curiosidade, quando j\u00e1 se tem falado de algo semelhante em Portugal: \u00e9 de J. C. Murray a ideia de distribui\u00e7\u00e3o de uma percentagem dos impostos recolhidos pelas igrejas alem\u00e3s, na Alemanha do p\u00f3s-guerra.<\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Leitor Pergunta &#8211; Grandes Te\u00f3logos &#8211; 3<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-5461","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5461","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5461"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5461\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5461"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5461"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5461"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}