{"id":5526,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5526"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"rudolf-bultmann","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/rudolf-bultmann\/","title":{"rendered":"Rudolf Bultmann"},"content":{"rendered":"<p>O leitor pergunta &#8211; Grandes te\u00f3logos &#8211; 4 <!--more--> A principal preocupa\u00e7\u00e3o do Rudolf Karl Bultmann (1884-1976) foi esta: como fazer aceitar a palavra de Deus num mundo regido pelas ci\u00eancias e pela t\u00e9cnica? Por outras palavras; s\u00e3o cred\u00edveis, para o homem moderno, os textos da B\u00edblia e principalmente dos Evangelhos, que falam de anjos, dem\u00f3nios, vozes de Deus, subidas ao C\u00e9u&#8230;? E a resposta que desenvolveu ao longo de d\u00e9cadas na Universidade de Marburgo (Alemanha), pode resumir-se nestas palavras: os textos dos Evangelhos s\u00e3o representa\u00e7\u00f5es destinadas a atingir a imagina\u00e7\u00e3o popular dos primeiros crist\u00e3os. Para serem cred\u00edveis nos tempos actuais, t\u00eam de sofrer uma \u201cdesmitologiza\u00e7\u00e3o\u201d (alguns preferem \u201cdesmistifica\u00e7\u00e3o\u201d). O te\u00f3logo deve revelar o sentido vivo dessas representa\u00e7\u00f5es, olhando para os evangelhos n\u00e3o como documentos hist\u00f3ricos, mas como textos cheios de carga m\u00edtica a decifrar.<\/p>\n<p>Esta \u201cli\u00e7\u00e3o\u201d de Bultmann em parte foi assimilada pelas escolas teol\u00f3gicas e pelos crist\u00e3os, embora ainda sofra a contesta\u00e7\u00e3o de muitos que interpretam o evangelho literalmente. Bultmann como que teria estragado o encanto dos Evangelhos, pondo em causa a historicidade de muitos dos seus epis\u00f3dios, embora afirmando o seu sentido e significado.<\/p>\n<p>Para os detractores de Bultmann, quem seguir os seus m\u00e9todos acaba por \u201cdeitar fora o menino com a \u00e1gua\u201d. Isto \u00e9, querendo separar o essencial do secund\u00e1rio, acaba por destruir tudo. Na verdade, quem se inicia nas ci\u00eancias b\u00edblicas, depois de anos e anos a ler os Evangelhos como livros de Hist\u00f3ria, ao fazer a \u201ccr\u00edtica das formas\u201d (an\u00e1lise das pequenas unidades liter\u00e1rias que comp\u00f5em os textos b\u00edblicos e cujas caracter\u00edsticas dependem de determinados esquemas estil\u00edsticos), de que Bultmann foi expoente, por vezes interroga-se: \u201cMas afinal em que \u00e9 que acreditamos?\u201d<\/p>\n<p>Ora, o te\u00f3logo luterano considerava que a credibilidade dos Evangelhos sa\u00eda refor\u00e7ada com a desmitologiza\u00e7\u00e3o, afirmando: \u201cO Evangelho n\u00e3o \u00e9 a hist\u00f3ria da vida de Cristo, mas a incarna\u00e7\u00e3o de palavra de Deus\u201d (afirma\u00e7\u00e3o por vezes resumida de um modo demasiado simplista na oposi\u00e7\u00e3o entre \u201co Cristo da F\u00e9\u201d e o \u201cJesus da Hist\u00f3ria\u201d).<\/p>\n<p>Bultmann, influenciado pelo existencialismo do fil\u00f3sofo Martin Heidegger, de quem era amigo, desejava que o homem contempor\u00e2neo redescobrisse apaixonadamente o agir de Deus na sua exist\u00eancia individual.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a Bultmann (e a outros biblistas), passamos pela morte, ao p\u00f4r em causa concep\u00e7\u00f5es m\u00edticas tradicionais, mas chegamos \u00e0 luz, ao sentir a palavra viva de Deus em textos escritos h\u00e1 tanto tempo.<\/p>\n<p>Obras principais: \u201cCrer e compreender\u201d (1933-1952), \u201cKerigma e mito\u201d (1921), \u201cHist\u00f3ria da Tradi\u00e7\u00e3o Sin\u00f3ptica\u201d (1921), \u201cO Evangelho segundo S. Jo\u00e3o\u201d (1941), \u201cJesus, Mitologia e Desmitologiza\u00e7\u00e3o\u201d (1968).<\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O leitor pergunta &#8211; Grandes te\u00f3logos &#8211; 4<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-5526","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5526","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5526"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5526\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5526"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5526"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5526"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}