{"id":5543,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5543"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"capitalismo-de-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/capitalismo-de-estado\/","title":{"rendered":"Capitalismo de estado"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> 1.No per\u00edodo agitado de 1974 e 75, alguns movimentos de extrema esquerda criticavam os partidos comunista e socialista por estarem a criar um verdadeiro capitalismo de Estado. Esses movimentos n\u00e3o foram levados muito a s\u00e9rio, mas a verdade \u00e9 que, desde ent\u00e3o, se desenvolveu entre n\u00f3s esse capitalismo.<\/p>\n<p>Seria incorrecto afirmar que o sistema econ\u00f3mico dominante entre n\u00f3s \u00e9 o capitalismo de Estado; na verdade, ele coexiste com o capitalismo selvagem, a economia mista e a economia de mercado regulado. No entanto, o capitalismo de Estado ocupa uma posi\u00e7\u00e3o muito forte na nossa economia e sociedade, e ajuda a explicar uma boa parte dos impas-ses que nos afectam actualmente. <\/p>\n<p>2. As caracter\u00edsticas mais not\u00f3rias deste capitalismo s\u00e3o porventura tr\u00eas: a concentra\u00e7\u00e3o, a osmose e o egocentrismo. O Estado concentra poder, riqueza e saber dominante. O poder que ele concentra decorre da soberania estatal, bem como da sua condi\u00e7\u00e3o de accionista e da rede tentacular de interesses que ele domina.<\/p>\n<p>A par da sua for\u00e7a concentracion\u00e1ria, o Estado vive em osmose permanente com o capitalismo selvagem. Tal como este, pratica o autoritarismo, atrofia a participa\u00e7\u00e3o, furta-se ao cumprimento de legisla\u00e7\u00e3o laboral e da seguran\u00e7a social. O recurso aos \u201crecibos verdes\u201d e a \u201cprogramas ocupacionais\u201d, para o preenchimento de postos de trabalho, s\u00e3o exemplos, entre outros, deste incumprimento, <\/p>\n<p>A terceira caracter\u00edstica do capitalismo de Estado \u2013 o egocentrismo &#8211; traduz-se no facto de o Estado viver em circuito fechado, no seu \u201cego\u201d. S\u00e3o express\u00f5es de egocentrismo o culto da lei pela lei e a cultura dos projectos e programas restritivos, independentemente do servi\u00e7o efectivo a prestar aos cidad\u00e3os, \u00e0s fam\u00edlias, \u00e0s institui\u00e7\u00f5es e a todo o bem comum. Vai no mesmo sentido o menosprezo dos utentes, ou clientes, pelos servi\u00e7os p\u00fablicos e pelas empresas que s\u00e3o ou foram estatais.<\/p>\n<p>3. \u00c9 muito dif\u00edcil erradicar o capitalismo de Estado. S\u00f3 a longo prazo, e gradualmente, se alcan\u00e7ar\u00e3o resultados satisfat\u00f3rios. Para tanto, \u00e9 necess\u00e1rio n\u00e3o confundir o bem comum com a estatiza\u00e7\u00e3o, nem a socializa\u00e7\u00e3o com a atrofia da sociedade.<\/p>\n<p>Pela positiva, \u00e9 necess\u00e1ria a democratiza\u00e7\u00e3o integral: n\u00e3o s\u00f3 pol\u00edtica e s\u00f3cio-cultural, mas tamb\u00e9m econ\u00f3mica e da pr\u00f3pria responsabilidade. N\u00e3o incumbe ao Estado substituir a democracia, mas sim promov\u00ea-la e deixar-se impregnar por ela.<\/p>\n<p>Estado democr\u00e1tico n\u00e3o \u00e9 o que estatiza, mas sim o que se democratiza. Mais concretamente: \u00e9 necess\u00e1rio que o Estado respeite a sociedade civil, facilite as suas actividades e coopere com ela, sabendo estar do seu lado. Necess\u00e1rio \u00e9 tamb\u00e9m que recorra \u00e0 participa\u00e7\u00e3o da mesma sociedade e suas organiza\u00e7\u00f5es para as fun\u00e7\u00f5es de regula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-5543","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5543","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5543"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5543\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5543"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5543"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5543"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}