{"id":5545,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5545"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"etica-e-valores-republicanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/etica-e-valores-republicanos\/","title":{"rendered":"\u00c9tica e valores republicanos?"},"content":{"rendered":"<p>Vimos ouvindo a personalidades conhecidas e mesmo a gente que n\u00e3o aparece na ribalta da sociedade mais medi\u00e1tica, a refer\u00eancia frequente e enf\u00e1tica \u00e0 \u00e9tica e aos valores republicanos, de mistura com a confiss\u00e3o ostensiva de agnosticismo e laicismo.<\/p>\n<p>Respeitando o mundo pr\u00f3prio de cada um, coisa que para mim n\u00e3o \u00e9 nada dif\u00edcil, interrogo-me sobre que valores s\u00e3o esses que n\u00e3o coincidam com outros, acolhidos e seguidos pelo comum das pessoas, que n\u00e3o saber\u00e3o mais da rep\u00fablica que o feriado, sempre agrad\u00e1vel, do 5 de Outubro.<\/p>\n<p>Os valores republicanos que mais se evocam, como grandes conquistas da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e, para n\u00f3s com a mudan\u00e7a pol\u00edtica de 1910, que as diversas obedi\u00eancias ma\u00e7\u00f3nicas interpretam a seu jeito, s\u00e3o a igualdade, a liberdade e a fraternidade. Afinal, valores genuinamente evang\u00e9licos, que o cristianismo propagou e tornou universais, mesmo quando alguns sectores religiosos ou pol\u00edticos n\u00e3o os cumpriram nem respeitaram, ou andaram na vida \u00e0 revelia da proposta feita. Falar, depois, de solidariedade, de toler\u00e2ncia, de respeito pelos outros, n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o reafirmar atitudes que traduzem a aceita\u00e7\u00e3o da trilogia atr\u00e1s referida, no seu sentido mais largo.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, basta que se soltem as emo\u00e7\u00f5es e se toque em interesses pessoais ou de grupo, para logo se ver que, ontem como hoje, nos mais diversos quadrantes sociais e pol\u00edticos, uma coisa \u00e9 afirmar valores e dar-lhes paternidade, outra, bem diferente, mostrar na vida compromisso permanente com eles. \u00c9 a verdade ligada a zangas de comadres ou de compadres.<\/p>\n<p>Se falarmos de \u00e9tica, as coisas complicam-se. \u00c9tica, de que Rep\u00fablica? Houve e perduram tantas viv\u00eancias republicanas de sentido oposto, que mais vemos escadas montadas para subir, ombros encostados para amparar, al\u00e7ap\u00f5es abertos para enterrar, do que princ\u00edpios n\u00e3o conspurcados, que possam nortear o sentido nobre da vida em comunidade, sem privilegiados nem preferidos e sem terem de se mendigar favores.<\/p>\n<p>Ser republicano ou mon\u00e1rquico \u00e9 um direito que assiste ao cidad\u00e3o que gosta ou adere a qualquer dos regimes. Mas que isso n\u00e3o sirva, de um ou de outro lado, para catalogar portugueses de primeira e de segunda e deixar fora, como n\u00e3o existentes, os que j\u00e1 nem sequer s\u00e3o objecto de cataloga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O orgulho e o preconceito n\u00e3o dignificam ningu\u00e9m, qualquer que seja a sua ades\u00e3o ideol\u00f3gica, muito menos quando se montam ou exigem vistosos palanques de ostenta\u00e7\u00e3o, que hoje d\u00e3o pelo nome de meios de comunica\u00e7\u00e3o social. O tempo da descrimina\u00e7\u00e3o e da subservi\u00eancia est\u00e1 a terminar. Felizmente cada cidad\u00e3o vai despertando para a sua dignidade e para o direito que lhe assiste de ser respeitado e de ter voz. Trata-se de um processo irrevers\u00edvel.<\/p>\n<p>O laicismo fecha os horizontes do transcendente e acaba por mutilar, inexoravelmente, tanto as pessoas, como uma sociedade de direitos e deveres. Para muitos parece ser o espa\u00e7o privilegiado para a afirma\u00e7\u00e3o dos valores republicanos.<\/p>\n<p>A laicidade, ao contr\u00e1rio, marca a leg\u00edtima autonomia do sagrado e do profano, n\u00e3o antag\u00f3nicos, mas como express\u00e3o louv\u00e1vel e libertadora das pessoas e das comunidades. \u00c9 uma atitude a respeitar e a promover. Sem medos.<\/p>\n<p>Ser tolerante, reconhecer a dignidade de cada um em rela\u00e7\u00e3o a si e aos outros n\u00e3o \u00e9 um mero valor republicano. \u00c9 um dever de todos, porque \u00e9 um direito humano, fundamental e inalien\u00e1vel, que a ningu\u00e9m se pode negar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vimos ouvindo a personalidades conhecidas e mesmo a gente que n\u00e3o aparece na ribalta da sociedade mais medi\u00e1tica, a refer\u00eancia frequente e enf\u00e1tica \u00e0 \u00e9tica e aos valores republicanos, de mistura com a confiss\u00e3o ostensiva de agnosticismo e laicismo. 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