{"id":5590,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5590"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"liberdade-de-escolha-para-as-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/liberdade-de-escolha-para-as-mulheres\/","title":{"rendered":"Liberdade de escolha (para as mulheres&#8230;)"},"content":{"rendered":"<p>Pensar a Vida <!--more--> H\u00e1 dias, a prop\u00f3sito da poss\u00edvel data do referendo sobre o aborto, as nossas televis\u00f5es mostravam mulheres a manifestar-se, empunhan-do cartazes onde se podia ler \u201cLiberdade de escolha para as mulheres\u201d. Fiquei espantado. O que a frase queria dizer, a coberto de uma (aparentemente) justa reivindica\u00e7\u00e3o, \u00e9 \u201cdeixem-me impedir que o meu filho nas\u00e7a, se for essa a minha vontade\u201d (isto para n\u00e3o ser mais duro e traduzir por \u201cdeixem-me matar o meu filho, se assim desejar\u201d, esquecendo-se essas mulheres que esse ser \u2013 para alguns um \u201camontoado de c\u00e9lulas\u201d \u2013 tamb\u00e9m pertence ao pai e tamb\u00e9m est\u00e1 sob a protec\u00e7\u00e3o (?) da sociedade).<\/p>\n<p>Vamos por partes, para n\u00e3o nos baralharmos: <\/p>\n<p>1. O referendo \u00e9 uma quest\u00e3o essencialmente pol\u00edtica, inserindo-se numa cultura do facilitismo (tal como a eutan\u00e1sia, a legaliza\u00e7\u00e3o das drogas leves, o casamento de homossexuais e a adop\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as por estes, etc.) que, neste caso, colide frontalmente com o direito mais fundamental do ser humano \u2013 o direito \u00e0 vida. Pretendendo-se, entre outras coisas, que a mulher abortista n\u00e3o seja penalizada, n\u00e3o h\u00e1 registo, at\u00e9 ao momento, de qualquer m\u00e3e condenada pelo facto de ter cometido tal acto.<\/p>\n<p>2. A lei actual j\u00e1 \u00e9 extremamente abrangente e, com ligeiras habilidades, cobre (infelizmente!) a quase totalidade das situa\u00e7\u00f5es. E n\u00e3o creio que as mulheres, desde a aprova\u00e7\u00e3o desta lei (j\u00e1 com alguns anitos), estejam mais livres e mais felizes. Pelos vistos n\u00e3o. <\/p>\n<p>3. Mesmo discordando com um referendo desta natureza, porque a vida n\u00e3o \u00e9 \u201creferend\u00e1vel\u201d (nesta perspectiva, n\u00e3o entendo como \u00e9 que os nossos bispos aceitam o referendo, s\u00f3 discordando que seja realizado antes das elei\u00e7\u00f5es presidenciais), n\u00e3o posso deixar de ficar admirado pelo facto de, meia d\u00fazia de anos passados sobre o \u00faltimo referendo, voltarmos a votar a vida. Se acaso tivesse ganho o \u201csim ao aborto\u201d, ser\u00e1 que esses e essas democratas aceitavam, de novo, o veredicto popular? Creio bem que n\u00e3o. <\/p>\n<p>4. Como vivemos em tempos atravessados por intensos ventos paradoxais, aqui vai mais uma ligeira brisa (que se devia transformar em ciclone): os mesmos e as mesmas que no Parlamento ou na rua apelam \u00e0 liberdade de escolha (para matar), s\u00e3o os mesmos e as mesmas que, noutros \u00e2mbitos, bem mais educativos, atrofiam e condenam a liberdade de um pai ou de uma m\u00e3e escolher a escola e o tipo de educa\u00e7\u00e3o para os seus filhos, sem encargos adicionais (tamb\u00e9m se chama a isto \u201cliberdade de escolha\u201d). Curioso, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo referendo \u00e9 uma quest\u00e3o de vida ou de morte! Empenhemo-nos em proclamar o \u201cEvangelho da Vida\u201d nas nossas fam\u00edlias, nos nossos locais de trabalho, nas escolas, nas catequeses, nos grupos de jovens, para evitarmos males terr\u00edveis (com ou sem \u201cdespenaliza\u00e7\u00e3o\u201d do aborto). <\/p>\n<p>Embora esta quest\u00e3o n\u00e3o seja do foro estritamente religioso, n\u00f3s, crist\u00e3os, temos responsabilidades acrescidas. E n\u00e3o s\u00e3o poucos aqueles que, frequentando as nossas igrejas, se deixam levar por esta mentalidade light, a pretexto de serem modernos e \u201cdemocratas\u201d\u2026<\/p>\n<p>Enquanto n\u00e3o apostamos fortemente na preven\u00e7\u00e3o, vamos remediando o melhor poss\u00edvel este flagelo, acolhendo generosamente as m\u00e3es solteiras, os filhos indesejados, as mulheres (e homens!) v\u00edtimas de maus-tratos. Aqui, a jusante, n\u00e3o h\u00e1 lugar para ressentimentos, para exclus\u00f5es, para amuos. Deste lado, s\u00f3 cabe o Amor, traduzido, naturalmente, em obras. <\/p>\n<p>Jorge Cotovio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pensar a Vida<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-5590","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5590","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5590"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5590\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5590"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5590"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5590"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}