{"id":5603,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5603"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"o-cavalo-cura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-cavalo-cura\/","title":{"rendered":"O cavalo cura"},"content":{"rendered":"<p>Jornadas sobre equita\u00e7\u00e3o terap\u00eautica em Cacia <!--more--> O cavalo exerce um fasc\u00ednio \u201cinstintivo e inacto\u201d sobre os humanos, raz\u00e3o pela qual \u00e9 cada vez mais utilizado para fins terap\u00eauticos. Quatro dezenas de jovens aprofundaram, em Cacia,  conhecimentos sobre o tema<\/p>\n<p>\u201cSintam o cavalo: apalpem o cavalo, puxem a crina, apertem as cerdas\u201d \u2013 diz Jos\u00e9 Maya Seco aos quarenta participantes nas II Jornadas de Equita\u00e7\u00e3o Terap\u00eautica. Em pequenos grupos, \u00e0 volta de tr\u00eas cavalos, os participantes passam a m\u00e3o pelo dorso do cavalo, enquanto o animal assiste, imperturb\u00e1vel, aos carinhos e toques, primeiro t\u00edmidos, depois desinibidos.<\/p>\n<p>Logo no in\u00edcio da primeira aula, destas segundas jornadas que decorreram na Escola Equestre de Aveiro (EEA), em Cacia, de 20 a 22 de Outubro, \u00e9 poss\u00edvel perceber porque \u00e9 que o cavalo \u00e9 cada vez mais utilizado no tratamento de crian\u00e7as ou adultos com dificuldades de comunica\u00e7\u00e3o e\/ou motricidade.<\/p>\n<p>O cavalo exerce um fasc\u00ednio \u201cinstintivo e inato\u201d sobre os humanos, diz Carina Pedrosa (ver texto ao lado). Jos\u00e9 Maya Seco, monitor do curso e propriet\u00e1rio da EEA, acrescenta que \u201cos movimentos ritmados e cadenciados do cavalo s\u00e3o est\u00edmulos mec\u00e2nicos e neurol\u00f3gicos que provocam no ser humano uma resposta sensorial\u201d; da\u00ed que este animal seja utilizado na reabilita\u00e7\u00e3o de pessoas com s\u00edndroma de Down, autismo, paralesia cerebral ou mesmo com os que sofreram um AVC (ataque vascular cerebral) \u2013 \u00e9 a chamada hipoterapia, pr\u00e1tica cada vez mais corrente, como prova o sucesso das primeiras jornadas, no ano passado, e a lista de espera para participar nas deste ano, sobre \u201cabordagem psicomotora na hipoterapia\u201d.<\/p>\n<p>Os quarenta participantes, vindos de Vila Real a Beja, na sua maioria s\u00e3o jovens profissionais da reabilita\u00e7\u00e3o, rec\u00e9m-licenciados. Ao longo de tr\u00eas dias aprenderam e treinaram (com m\u00f3dulos te\u00f3ricos, incluindo o visionamento de filmes, e sesss\u00f5es pr\u00e1ticas no picadeiro) sobre como a interac\u00e7\u00e3o com o cavalo influencia a psicomotricidade humana (ou seja, na forma como reagimos\/sentimos\/pensamos e nos movemos). Claro que tamb\u00e9m houve lugar para aprendizagens inesperadas, como a que aconteceu na primeira aula, em pleno picadeiro. A certa altura, um dos participantes queixa-se ao levar com a cauda do cavalo. Li\u00e7\u00e3o pronta de Jos\u00e9 Seco: \u201cO ponto fraco do cavalo n\u00e3o \u00e9 o coice. \u00c9 a cauda. Coitada da mosca!\u201d<\/p>\n<p>Bom para a GNR, bom para as crian\u00e7as<\/p>\n<p>Outra das li\u00e7\u00f5es da aula a que o Correio do Vouga assistiu poder\u00e1 ter um grande alcance. Como resposta \u00e0 partilha de uma participante sobre a dificuldade em encontrar algu\u00e9m que tenha cavalos e que deixe que as crian\u00e7as da sua institui\u00e7\u00e3o com eles contacte, o monitor de equita\u00e7\u00e3o deixou a sugest\u00e3o: \u201cFale com a GNR da sua terra. Fale com o tratador da GNR; e vai ver que eles at\u00e9 v\u00e3o gostar que as crian\u00e7as lidem com os cavalos. Eles n\u00e3o gostam de ser vistos como algu\u00e9m que s\u00f3 passa multas\u201d. \u00c9 bom para as crian\u00e7as e \u00e9 bom para a GNR.<\/p>\n<p>A EEA existe h\u00e1 20 anos. Na \u00faltima d\u00e9cada, tem-se dedicado \u00e0 hipoterapia, quer colaborando com a APPACDM de Aveiro, com quem organizou as jornadas, quer facultando sess\u00f5es a particulares.<\/p>\n<p>Dois testemunhos de &#8220;cura com cavalos&#8221;<\/p>\n<p>Provoca imediatamente reac\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Carina Pedrosa h\u00e1 13 anos que anda a cavalo. \u201c\u00c9 um animal com que podemos verdadeiramente fazer equipa\u201d, diz a terapeuta vocacional da APPC de Vila Real. Desde h\u00e1 tr\u00eas anos, Carina faz hipoterapia com adultos deficientes. O caso mais recente de bons resultados passou-se na semana passada. \u201cUm autista a quem eu estava a acompanhar agarrou-se ao cavalo e nunca mais o largou. Ficou com um sorriso de orelha a orelha. Sensa\u00e7\u00f5es e sentimentos que noutros espa\u00e7os demoram semanas a trabalhar, na presen\u00e7a do cavalo foram instant\u00e2neos\u201d, diz Carina Pedrosa.<\/p>\n<p>Os autistas carcacterizam-se pela aus\u00eancia de comunica\u00e7\u00e3o com o exterior, num alheamento de tudo e de todos. A hipoterapia tem servido para quebrar esse isolamento. \u201c\u00c9 \u00f3ptima para estimular as sensa\u00e7\u00f5es. \u00c9 instintiva e inata. Na presen\u00e7a do cavalo \u2013 resume a terapeuta \u2013, o deficiente comunica. Consequentemente, a comunica\u00e7\u00e3o com as outras pessoas tamb\u00e9m melhora\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 mais f\u00e1cil de entender<\/p>\n<p>Ver\u00f3nica da Silva, de Aveiro, estudou Motricidade Humana e estagiou na Escola Equestre de Aveiro. Como trabalho final de curso, analisou o caso de uma crian\u00e7a que come\u00e7ou muito tarde e com grande dificuldade a andar. \u201cN\u00e3o conseguia apanhar objectos sem cair no ch\u00e3o, por exemplo, e tinha atrasos na linguagem\u201d, diz Ver\u00f3nica da Silva. \u201cCom a hipoterapia, a evolu\u00e7\u00e3o foi espantosa ao n\u00edvel da motriciadade, da socializa\u00e7\u00e3o e da comunica\u00e7\u00e3o\u201d. A crian\u00e7a passou a andar normalmente e melhorou a sua comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Actualmente, Ver\u00f3nica trabalha como t\u00e9cnica de educa\u00e7\u00e3o especial e reabilita\u00e7\u00e3o na Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Paralesia Cerebral (APPC), fazendo equita\u00e7\u00e3o terap\u00eautica com crian\u00e7as autistas em Coimbra e na Figueira da Foz. \u201cA crian\u00e7a gosta do cavalo e fala com ele, porque \u00e9 mais f\u00e1cil de entender do que as pessoas. Isso acaba por ter reflexos positivos em todos os aspectos da comunica\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Ver\u00f3nica da Silva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jornadas sobre equita\u00e7\u00e3o terap\u00eautica em Cacia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[63],"tags":[],"class_list":["post-5603","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-aveiro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5603","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5603"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5603\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5603"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5603"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5603"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}