{"id":5620,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5620"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"eu-te-vi-quando-estavas-sob-a-figueira-jo-1-48-parte-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/eu-te-vi-quando-estavas-sob-a-figueira-jo-1-48-parte-i\/","title":{"rendered":"&#8220;Eu te vi quando estavas sob a figueira&#8221; (Jo 1, 48) &#8211; Parte I"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o queria. N\u00e3o devia. Sobretudo n\u00e3o podia. Mas agora completou-se o ciclo prof\u00e9tico da n\u00e3o-perfei\u00e7\u00e3o. Contudo, h\u00e1 leituras felizes feitas pelo lado avesso. S\u00e3o agora sete numa contagem pessoal. Primeiro foi o P.; segundo, o R.; terceiros ex-aequo, o C. e o L., neste caso contam-se dois; seguiu-se, o quinto, o F.; sucedeu-lhe o sexto, M; e agora, o sil\u00eancio e a not\u00edcia dada em \u201cterceira m\u00e3o\u201d, anuncia o s\u00e9timo, o B. N\u00e3o posso partilhar a boa nova com ningu\u00e9m, este parto \u00e9 s\u00f3 meu. Tenho de dizer \u201cEU\u201d na comunh\u00e3o e na solid\u00e3o. Os sete selos se abriram, com sabor apocal\u00edptico, quer dizer, apenas, revelador. Mesmo que eu n\u00e3o queira acreditar; vai haver o s\u00e9timo, pior, o s\u00e9timo \u00e9 infinito. <\/p>\n<p>Todos assumiram o \u201cN\u00e3o-Sacerd\u00f3cio\u201d, com o \u00f3nus da respectiva promo\u00e7\u00e3o ao estado laical, na famosa assun\u00e7\u00e3o boffiana, sem ser proscrito ad intra. \u00c9 com sangue &#8211; podeis beber o c\u00e1lice&#8230; &#8211; que este artigo deveria ser escrito; n\u00e3o para \u201cpartir a lou-\u00e7a\u201d; n\u00e3o para fazer \u201climpeza de balne\u00e1rio\u201d; n\u00e3o para sublimar \u201ctraumas e complexos\u201d; mas para compreen-der que tudo faz parte de um perigoso processo em hetero-gest\u00e3o. Eu n\u00e3o estou perdido, sem presun\u00e7\u00e3o de orgulho, por\u00e9m, sofro dentro da interpreta\u00e7\u00e3o que me \u00e9 exigida, num horizonte por mim querido. O meu horizonte \u00e9 a \u201clongo prazo\u201d, onde n\u00e3o t\u00eam lugar palavras como \u201cnunca\u201d e \u201csempre\u201d. Ser padre cada dia, isso me basta em primeiro, s\u00f3 depois a gra\u00e7a me alimenta. O celibato \u00e9 uma gra\u00e7a especial. \u00c9 imposs\u00edvel manter-se nele sem o aux\u00edlio especial de Deus. Nas palavras de Dietrich Bonho\u00ebffer: \u201c\u00c9 uma gra\u00e7a cara\u201d. Mas o celibato est\u00e1 em fun\u00e7\u00e3o do ser padre; e o ser padre, n\u00e3o im-plica, ontologicamente, o ser celibat\u00e1rio. N\u00e3o invoquem a Escritura e a Tradi\u00e7\u00e3o, porque, ent\u00e3o, sujeitam-se a cometer suic\u00eddio intelectual. <\/p>\n<p>Os SETE, criptografados o suficiente, s\u00e3o para mim, assumo por conta e risco, sinal de uma mudan\u00e7a que muitos teimam em \u201cn\u00e3o ver\u201d e que outros, insensatamente, n\u00e3o querem nem sequer \u201cpensar\u201d. O \u201cfazer\u201d fica para o ju\u00edzo final. O desajuste exige de n\u00f3s todos um reajuste! Estes meus condisc\u00edpulos, gra\u00e7as a alguns deles, sou o padre que sou, assumiram, corajosamente, o seu \u201cN\u00e3o-sacerd\u00f3cio ministerial\u201d. Acredito que aprenderam junto de Jesus na Cruz, em sil\u00eancio e apa-rentemente em abandono, o sentido do fracasso. Aprenderemos n\u00f3s com eles &#8211; diria Martin Buber &#8211; \u201cque o \u00eaxito n\u00e3o \u00e9 um dos nomes de Deus\u201d. Deus chama-se: miseric\u00f3rdia; fidelidade; liberta\u00e7\u00e3o; alegria e sentido de humor; humildade; desejo; e amor (parafraseando algu\u00e9m admirado, um destes engana, mas n\u00e3o sei qual). N\u00e3o se chama: disciplinarmente celibato; carreirismo; status quo; medo (sobretudo da mulher); consumo; dinheiro; e \u00eaxito. Que no fracas-so est\u00e1 a semente da Ressurrei\u00e7\u00e3o. Obrigado por esse alerta vosso; \u00e9 que \u00e0s vezes eu ando distra\u00eddo do essencial! <\/p>\n<p>Agora sinto que essa Voca\u00e7\u00e3o celibat\u00e1ria deve ser entendida como piada, humana e c\u00f3smica, no sentido ir\u00f3nico. Por mais contradit\u00f3rio que seja, ao \u201ccelibato\u201d eu aplicaria um crit\u00e9rio de \u201ceco-efici\u00eancia\u201d, a ideia de produzir mais valor com o menos gasto de material e menos excedente. O crit\u00e9rio de \u201ceco-efici\u00eancia\u201d \u00e9 produzir um efeito o menos prejudicial poss\u00edvel, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 como ser totalmente bom. Ser totalmente \u201cbom\u201d significa fazer-ser, com base no princ\u00edpio do lixo zero. Fazer-ser \u201cmenos mal\u201d, equivale a fazer o seu melhor. O celibato produz muito lixo (n\u00e3o escrevi que o celibato \u00e9 lixo). Vamos reconhecer e dar espa\u00e7o a uma liberdade libertadora e deixar o voluntariamente imposto (e n\u00e3o aceite, no corpo). Se resistiu at\u00e9 este ponto \u201cG\u201d, (des) gra\u00e7a. N\u00e3o perca os pr\u00f3ximos argumentos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o queria. N\u00e3o devia. Sobretudo n\u00e3o podia. Mas agora completou-se o ciclo prof\u00e9tico da n\u00e3o-perfei\u00e7\u00e3o. Contudo, h\u00e1 leituras felizes feitas pelo lado avesso. S\u00e3o agora sete numa contagem pessoal. 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