{"id":5621,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5621"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"casa-onde-nao-ha-pao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/casa-onde-nao-ha-pao\/","title":{"rendered":"&#8220;Casa onde n\u00e3o h\u00e1 p\u00e3o&#8230;&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> 1. Parafraseando um velho prov\u00e9rbio, Portugal \u00e9 uma casa onde n\u00e3o h\u00e1 p\u00e3o, quase todos protestam e quase ningu\u00e9m tem raz\u00e3o, embora cada um tenha a sua quota-parte.<\/p>\n<p>\u00c9 not\u00f3rio, h\u00e1 muito tempo, que n\u00e3o existe p\u00e3o, isto \u00e9, n\u00e3o existem condi\u00e7\u00f5es de vida condignas para toda a gente. Milhares de pessoas e de fam\u00edlias vivem abaixo do m\u00ednimo de subsist\u00eancia, passam fome ou vivem desprovidas de outras condi\u00e7\u00f5es de vida b\u00e1sicas.<\/p>\n<p>Hoje em dia, surgiram, ou acentuaram-se, dois fen\u00f3menos (para al\u00e9m da pobreza que sempre existiu): um deles consiste no facto de grupos s\u00f3cio-profissionais m\u00e9dio-superiores verem diminu\u00eddos os seus direitos; e o outro consiste na mobilidade descendente que afecta, especialmente, os grupos s\u00f3cio-profissionais m\u00e9dio-inferiores. Estes, devido ao desemprego e a outras contrariedades, correm o risco de imers\u00e3o na pobreza.<\/p>\n<p>2. Neste panorama deprimente, quase toda a gente protesta. Protesta mais e mais alto quem possui mais for\u00e7a e mais rendimentos. Protesta menos e menos visivelmente quem possui menos for\u00e7a e menos rendimentos.<\/p>\n<p>Quem n\u00e3o protesta? \u2013 Os grupos que est\u00e3o a ganhar com a crise, porventura \u00e0 margem da lei. Tamb\u00e9m n\u00e3o protesta quem n\u00e3o consegue, devido \u00e0 opress\u00e3o ou \u00e0 exaust\u00e3o. H\u00e1 um terceiro grupo de pessoas que tamb\u00e9m n\u00e3o protesta; estas pessoas, embora insatisfeitas como as outras, entendem que a sua posi\u00e7\u00e3o deve ser predominantemente construtiva e baseada na assun\u00e7\u00e3o de responsabilidades.<\/p>\n<p>3. No meio de tantos protestos, muita gente n\u00e3o tem raz\u00e3o. T\u00eam-na, sobretudo, os que n\u00e3o podem protestar.<\/p>\n<p>Claro que \u00e9 c\u00f3modo transferir todas as culpas para o Governo. No entanto, alguns contestat\u00e1rios mais fortes beneficiaram fortemente do excesso de despesa praticado por governos anteriores. E, por outro lado, n\u00e3o se conhece nenhuma proposta global razo\u00e1vel, proveniente desses grupos que t\u00e3o sobranceiramente criticam o Governo e todos os pol\u00edticos. Acresce at\u00e9 que alguns desses mesmos grupos s\u00e3o, pelo menos, t\u00e3o contest\u00e1veis no exerc\u00edcio das suas fun\u00e7\u00f5es quanto dizem ser o Governo. <\/p>\n<p>4. No meio de tanto protesto, observam-se duas anomalias verdadeiramente gritantes. Uma consiste na falta de movimentos sociais de apelo \u00e0 responsabilidade colectiva e de apresenta\u00e7\u00e3o de propostas solucionadoras dos graves problemas que afectam o pa\u00eds. A outra consiste na persist\u00eancia da velha hostilidade do Estado contra os cidad\u00e3os, fam\u00edlias, empresas, institui\u00e7\u00f5es e outras entidades. O Estado, atrav\u00e9s do Governo, dos Tribunais e da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, n\u00e3o sabe ou n\u00e3o quer estar ao lado (ser amigo) da sociedade civil. E a sociedade civil n\u00e3o quer ou n\u00e3o sabe responder de maneira diferente. <\/p>\n<p>At\u00e9 quando persistir\u00e3o estas anomalias?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-5621","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5621","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5621"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5621\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5621"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5621"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5621"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}