{"id":5638,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5638"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"karl-ranher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/karl-ranher\/","title":{"rendered":"Karl Ranher"},"content":{"rendered":"<p>O leitor Pergunta &#8211; Grandes Te\u00f3logos &#8211; 6 <!--more--> \u201cPensemos esta possibilidade. A palavra \u2018Deus\u2019 acaba por desaparecer, sem vest\u00edgios, sem que se note uma lacuna como resto, sem que seja suplantada por outra palavra que nos interpele da mesma maneira. [Pensemos que] Daqui para a frente, a palavra \u2018Deus\u2019 j\u00e1 n\u00e3o coloca uma pergunta ou, melhor, a pergunta por excel\u00eancia, se n\u00e3o quisermos dar ou ouvir esta palavra como resposta. O que suceder\u00e1 ent\u00e3o, se se tomar a s\u00e9rio esta hip\u00f3tese do futuro? Ent\u00e3o, o ser humano n\u00e3o fica situado diante do todo da realidade como tal, nem perante o todo uno da sua exist\u00eancia como tal\u201d (Karl Rahner, Curso Fundamental sobre a F\u00e9).<\/p>\n<p>\u2018Deus\u2019 \u00e9 a mais indefin\u00edvel das palavras. Apercebemo-nos disso, se pensarmos um pouco nela para al\u00e9m do uso que vulgarmente (levianamente?) dela fazemos. A partir da \u2018simples\u2019 medita\u00e7\u00e3o sobre a exist\u00eancia dessa palavra ou sobre a possibilidade e consequ\u00eancias do seu desaparecimento, Karl Ranher introduz o leitor no essencial da sua teologia (que nada mais procura ser do que cat\u00f3lica \u2013 como afirmou um dia em entrevista): o ser humano perante o mist\u00e9rio. Quanto mais o ser humano apresenta quest\u00f5es fundamentais, aprofunda a sua experi\u00eancia de vida, usa conhecimentos cient\u00edficos, mais o mist\u00e9rio aumenta. Ora, o crist\u00e3o apela para Deus e descobre a sua liberdade numa rela\u00e7\u00e3o positiva (gratificante) com este mist\u00e9rio. Tem, por assim dizer, a capacidade de ouvir Deus. Os canais n\u00e3o est\u00e3o cortados, porque h\u00e1 uma autocomunica\u00e7\u00e3o de Deus (a \u201cgra\u00e7a incriada\u201d) a agir na hist\u00f3ria humana, mesmo entre os n\u00e3o crist\u00e3os, mesmo entre os [que se dizem] ateus, que, nesse sentido, poderiam ser chamados de \u201ccrist\u00e3os an\u00f3nimos\u201d.<\/p>\n<p>Essa \u201cgra\u00e7a incriada\u201d permite pensar que h\u00e1, entre todos os seres humanos, mais a unir do que a separar, e que o Esp\u00edrito Santo age muito para l\u00e1 das portas da Igreja, e que a uni\u00e3o dos crist\u00e3os separados \u00e9 poss\u00edvel, e que o di\u00e1logo inter-religioso pode acabar com a divis\u00e3o e \u00f3dio entre povos e culturas. Essa \u201cgra\u00e7a incriada\u201d \u00e9 o ant\u00eddoto para a solid\u00e3o do ser humano deixado a s\u00f3s consigo mesmo, \u00e9 a janela de oportunidade contra a condi\u00e7\u00e3o natural da humanidade, que, se a conseguir-mos pensar sem Deus (e os seus suced\u00e2neos como a Verdade, o Bem, a Beleza, o Amor) \u00e9 a solid\u00e3o sem remiss\u00e3o, o desespero absoluto (noutros tempos, dir\u00edamos \u201co inferno\u201d).<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma tentativa de resumir o pensamento teol\u00f3gico do padre jesu\u00edta Karl Rahner, que nasceu em Friburg im Breisgau, Alemanha, a 5 de Mar\u00e7o de 1904, e morreu em Innsbruck, \u00c1ustria, a 30 de Mar\u00e7o de 1984. Foi perito no Conc\u00edlio (1962-1965) e escreveu mais de 4000 t\u00edtulos (incluindo as suas \u201cInvestiga\u00e7\u00f5es Teol\u00f3gicas\u201d, em 23 volumes, a direc\u00e7\u00e3o da enciclop\u00e9dia \u201cSacramentum Mundi\u201d e a funda\u00e7\u00e3o da revista \u201cConcilium\u201d). Com o actual papa, ent\u00e3o destacado te\u00f3logo Joseph Ratzinger, escreveu pelo menos \u201cEpiscopado e primado\u201d (1961) e \u201cRevela\u00e7\u00e3o e tradi\u00e7\u00e3o\u201d (1965).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O leitor Pergunta &#8211; Grandes Te\u00f3logos &#8211; 6<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-5638","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5638","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5638"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5638\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5638"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5638"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5638"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}