{"id":5660,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5660"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"jornada-laicismo-e-indiferentismo-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/jornada-laicismo-e-indiferentismo-social\/","title":{"rendered":"Jornada: Laicismo e Indiferentismo social"},"content":{"rendered":"<p>Comunicado de conclus\u00f5es <!--more--> Realizou-se, nos dias 28 e 29 de Outubro\u201905, uma Jornada dedicada ao tema: Laicismo e Indiferentismo: \u201cliberdade\u201d ou \u201cd\u00e9fice cultural\u201d? Foram intervenientes diversas personalidades do foro acad\u00e9mico, social e religioso. Numa organiza\u00e7\u00e3o parceira de entidades diocesanas e sociais, tornam-se agora p\u00fablicas algumas conclus\u00f5es fundamentais sobre estas quest\u00f5es de fundo da nossa cultura actual, como \u2018gesto\u2019 de contributo para uma \u201caut\u00eantica\u201d liberdade pessoal e c\u00edvica, num mundo plural saud\u00e1vel, mas onde a preocupa\u00e7\u00e3o pelo bem comum cria imperativo de interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Laicismo<\/p>\n<p>1. O ideal do laicismo \u00e9 o desaparecimento do fen\u00f3meno religioso do espa\u00e7o p\u00fablico. Na sua vis\u00e3o asfixiante, a Religi\u00e3o deve ficar limitada ao espa\u00e7o privado, em \u00faltima an\u00e1lise, \u00e0 consci\u00eancia de cada pessoa. Os ideais agn\u00f3sticos s\u00e3o quase sempre anti-religiosos e anticat\u00f3licos.<\/p>\n<p>2. O apagamento dos sinais religiosos, como a retirada de crucifixos ou a proibi\u00e7\u00e3o de vestes religiosas, \u00e9 uma forma \u2018infantil\u2019 de laicismo. Pouco eficaz. Mas o que as leis n\u00e3o conseguem fazer (o desaparecimento do cristianismo do espa\u00e7o p\u00fablico), fazem-no a evolu\u00e7\u00e3o dos costumes e a mudan\u00e7a de mentalidade a caminho de uma perigosa e generalizada indiferen\u00e7a\u2026<\/p>\n<p>3. O laicismo, ligado ao poder e \u00e0s pessoas e institui\u00e7\u00f5es do Estado, navega num mar de indiferentismo e num mundo de gnosticismo (New Age, Aqu\u00e1rio, \u201cpaz\u201d&#8230;) que tamb\u00e9m atinge os crist\u00e3os.<\/p>\n<p>4. O recrudescer do laicismo (dos pol\u00edticos, do Estado) numa sociedade indiferen-te obriga a Igreja a repensar o seu modo de agir, porque, por natureza e miss\u00e3o, n\u00e3o pode ficar limitada ao espa\u00e7o privado, n\u00e3o podendo o espa\u00e7o p\u00fablico apagar a cultura, pensamento, tradi\u00e7\u00e3o, fundamenta\u00e7\u00e3o dos valores da pr\u00f3pria sociedade.<\/p>\n<p>5. O laicismo, semeando estragos de vazio de vida pelo caminho, a longo prazo n\u00e3o tem futuro.<\/p>\n<p>Indiferentismo e outras religi\u00f5es<\/p>\n<p>1. O indiferentismo apresenta-se, cada vez mais, como uma postura social, onde o di\u00e1logo de gera\u00e7\u00f5es \u00e9 ineficiente na transmiss\u00e3o de valores e cultura, a permeabilidade ao vazio de sentido de vida vai-se generalizando e o \u201ctanto faz\u201d ou o \u201cincolor\u201d existencial vai sendo moda numa percep\u00e7\u00e3o de \u201cliberdade\u201d mal compreendida pela desresponsabiliza\u00e7\u00e3o\/ descomprometimento pessoal e social crescentes.<\/p>\n<p>2. Laicismo, indiferentismo e gnosticismo (n\u00e3o confundir com agnosticismo) s\u00e3o movimentos que estruturalmente se ajustam. O laicismo esquece o sagrado e endeusa o profano. Surgem as religi\u00f5es laicas: o cr\u00e9dito, o sucesso, o progresso, verdade como efic\u00e1cia, o individualismo e o subjectivismo libert\u00e1rio.<\/p>\n<p>3. Vive-se a \u201cNew Age\u201d e ao mesmo tempo a \u201cera do vazio\u201d e a \u201cera do ef\u00e9mero\u201d.<\/p>\n<p>Laicidade<\/p>\n<p>1. O Estado \u00e9 laico. O povo, sociedade, tem as cren\u00e7as que tiver. Em quest\u00f5es de religi\u00e3o, o Estado tem que perceber que \u00e9 leigo na mat\u00e9ria. Compete-lhe gerir todas as formas de religiosidade de forma que as pessoas vivam os seus espa\u00e7os de religio-sidade. O Estado \u00e9 a-religioso (n\u00e3o \u00e9 confessional), o que \u00e9 diferente de ser anti-religioso (contra o fen\u00f3meno religioso). Quando, porventura, em algumas sociedades, o Estado quer apagar a express\u00e3o de religi\u00e3o da vida p\u00fablica\u2026 \u00e9 imaturo, fundamentalista.<\/p>\n<p>2. O povo pode ter as experi\u00eancias que bem entender. Laicidade \u00e9 a promo\u00e7\u00e3o da liberdade de todos os crentes. Laicidade \u00e9 a atitude pessoal e comunit\u00e1ria de atribuir e reconhecer a justa autonomia das realidades terrestres. Permite n\u00e3o confundir sagrado e profano. Laicidade (ou secularidade) \u00e9 um ideal positivo, e tem o seu espelho de maturidade na \u201cliberdade religiosa\u201d, que os Estados desenvolvidos vivem.<\/p>\n<p>3. A laicidade \u00e9 consequ\u00eancia da Modernidade. A religi\u00e3o deixou de ser o elemento b\u00e1sico da coes\u00e3o social.<\/p>\n<p>4. A tens\u00e3o entre sacralidade e secularidade obriga a repensar o estatuto da religi\u00e3o e do fen\u00f3meno religioso na sociedade.<\/p>\n<p>5. A laicidade \u00e9 pensada na Igreja como algo de positivo, pois \u00e9 o reconhecimento da leg\u00edtima e justa autonomia das realidades terrestres.<\/p>\n<p>6. A laicidade \u00e9 oportunidade para entender e realizar uma miss\u00e3o hist\u00f3rica, sem nostalgias nem desconforto.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 em quest\u00e3o<\/p>\n<p>1. Entre outras posturas limitativas, h\u00e1 uma \u00e1rea onde o laicismo se manifesta mais visivelmente e poder\u00e1 ter consequ\u00eancias gravosas: a educa\u00e7\u00e3o. A hip\u00f3tese do desaparecimento das aulas de EMRC \u00e9 contexto problem\u00e1tico para a pr\u00f3pria Igreja, reclamando empenhamento dos Pais \/ Sociedade numa op\u00e7\u00e3o clara pelo Projecto Educativo, que deve marcar a Escola como Educa\u00e7\u00e3o para a Vida.<\/p>\n<p>2. Em alguns \u00e2mbitos, o laicismo pode assemelhar-se \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o. A Igreja parece estar mal preparada, pois quase s\u00f3 tem quest\u00f5es. Faltam estrat\u00e9gias diante de um tempo novo. No entanto, tempos de expuls\u00e3o, rejei\u00e7\u00e3o, s\u00e3o sempre tempos de profecia e purifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>3. O pluralismo das sociedades (positivo a n\u00edvel social, mas constatada inexist\u00eancia de um princ\u00edpio ordenador\u2026) \u00e9 uma caracter\u00edstica dos tempos actuais. \u00c9 algo de ambivalente. \u00c9 negativo, porque propaga o sentimento desagrad\u00e1vel da divis\u00e3o: cada qual anda para seu lado. Mas \u00e9 positivo, porque cada qual pode fazer a sua busca, responder \u00e0 sede de identidade. O pluralismo \u00e9 campo para o cultivo dos valores, que manifestam a dimens\u00e3o espiritual do ser humano (educa\u00e7\u00e3o como pr\u00e1xis da cultura). Pode levar ao indiferentismo, \u201cum acomodar-se\u201d, ou \u00e0 convers\u00e3o-recria\u00e7\u00e3o. Esta convers\u00e3o \u00e9 revolu\u00e7\u00e3o. A revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 ideia central no Evangelho, \u201cboa not\u00edcia\u201d para bem da dignidade de todo o Ser Humano.<\/p>\n<p>4. Neste contexto, s\u00e3o necess\u00e1rios espa\u00e7os como o \u201cgrupo perfeito\u201d, isto \u00e9, o grupo que \u00e9 absolutamente grupo, em que cada um pode manifestar-se livremente sem se sentir oprimido. No \u201cgrupo perfeito\u201d (imagem da sociedade futura), responder \u00e9 dialogar e o negativo da pluralidade converte-se em positivo de tend\u00eancia para a verda-de. A Igreja pode (e deve tamb\u00e9m) ser \u201cgrupo perfeito\u201d.<\/p>\n<p>5. \u00c9 urgente, para a Igreja, saber ler e interpretar os sinais dos tempos, mudar os paradigmas tradicionais de an\u00e1lise da realidade, estar presente nos debates culturais, saber qual o lugar que lhe compete (sem demiss\u00f5es, sem usurpa\u00e7\u00f5es), contribuir para renovar (tamb\u00e9m pela linguagem sobre a f\u00e9) qualitativamente as comunidades paroquiais e servi\u00e7os, colaborar \u2013 mais do que oferecer espa\u00e7o \u2013 sendo mais parceira com associa\u00e7\u00f5es civis ou outras, tornar flex\u00edveis as propostas que oferece, promover iniciativas concretas no contexto intercultural, empenhar-se em estrat\u00e9gias alargadas, lutar pela justi\u00e7a social (mais do que pela sociedade de bem-estar), propor valores sociais que t\u00eam fundamento evang\u00e9lico (em vez de lutar por valores religiosos).<\/p>\n<p>6. O cristianismo tem um potencial antropol\u00f3gico, hist\u00f3rico e ecol\u00f3gico que \u00e9 necess\u00e1rio incentivar. Est\u00e1 (sempre) por cumprir. O crist\u00e3o jamais pode desertar da Hist\u00f3ria, havendo uma Hist\u00f3ria Humana que tem sede de sentido e significado para uma constru\u00e7\u00e3o social mais plena, no caminho da Civiliza\u00e7\u00e3o da Paz e do Amor\u2026conduzidos pelas luzes admir\u00e1veis da dignidade e esperan\u00e7a do Evangelho!<\/p>\n<p>Aveiro, 29 de Outubro 2005<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o: SDERE, CUFC, Comiss\u00e3o Cultural do ISCRA e Correio do Vouga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comunicado de conclus\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[61],"tags":[],"class_list":["post-5660","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-actualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5660","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5660"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5660\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5660"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5660"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5660"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}