{"id":5671,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5671"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"o-fim-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-fim-da-vida\/","title":{"rendered":"O fim da vida"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0 luz do dia <!--more--> Saber que os cuidados paliativos come\u00e7am a ser pensados \u00e0 escala planet\u00e1ria \u00e9 uma das boas not\u00edcias do dia. Numa \u00e9poca em que a l\u00f3gica jornal\u00edstica ainda se rege pelo estafado lema que nos diz good news are no news, \u00e9 bom destacar as boas not\u00edcias.<\/p>\n<p>Acredito profundamente que as boas not\u00edcias s\u00e3o sempre not\u00edcia e, por isso mesmo, motivo de interesse. Neste sentido, a cria\u00e7\u00e3o de um Dia Mundial dos Cuidados Paliativos \u00e9 uma excelente not\u00edcia, na medida em que nos obriga a reflectir sobre o que est\u00e1 em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Agonizar no hospital e sofrer no fim da vida \u00e9 um dos nossos maiores pavores. Sofrer sozinho, ficar longe de casa ou perder capacidades assusta-nos a todos. Enche-nos de ang\u00fastia e medos que, infelizmente, s\u00e3o justificados, pois cada vez mais se morre no hospital, longe da fam\u00edlia e dos amigos, nem sempre com a qualidade desej\u00e1vel.<\/p>\n<p>Estas mortes ass\u00e9pticas s\u00e3o extraordinariamente dolorosas, mesmo quando j\u00e1 n\u00e3o existe sofrimento f\u00edsico. A aus\u00eancia das refer\u00eancias habituais, a dist\u00e2ncia de casa e o vazio emocional, que tantas vezes se instala \u00e0 volta dos doentes terminais hospitalizados, cria uma solid\u00e3o interior indiz\u00edvel que fragiliza e chega a doer mais do que a pr\u00f3pria dor f\u00edsica.<\/p>\n<p>J\u00e1 escrevi algumas vezes sobre a import\u00e2ncia vital dos cuidados paliativos e a XIS tem abordado recorrentemente este tema, mas acredito que nada do que se diga seja suficiente. Muito pelo contr\u00e1rio, nunca seremos capazes de avaliar o verdadeiro alcance dos cuidados paliativos, at\u00e9 ao dia em que n\u00f3s pr\u00f3prios (ou algu\u00e9m que nos \u00e9 muito querido ou est\u00e1 muito pr\u00f3ximo) precisemos deles.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente na altura em que a vida fica por um fio que todos nos confrontamos fatalmente com a morte e \u00e9 a partir desse momento \u2014 que pode prolongar-se por meses ou semanas \u2014 que os especialistas em cuidados paliativos fazem toda a diferen\u00e7a, pois t\u00eam prepara\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e cient\u00edfica para aliviar as dores f\u00edsicas e emocionais. Mais, est\u00e3o treinados para lidar com os doentes e as suas fam\u00edlias e sabem como devolver a uns e a outros a dignidade e o sentido da vida.<\/p>\n<p>Um dos objectivos do Dia Mundial dos Cuidados Paliativos \u00e9 que sejam considerados um direito fundamental do ser humano. Para isso \u00e9 preciso que os governos sigam as recomenda\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) e incluam os cuidados paliativos nas suas pol\u00edticas de sa\u00fade, disponibilizando recursos financeiros e humanos para programas e servi\u00e7os especializados.<\/p>\n<p>Todos temos direito ao controlo da dor e de outros sintomas inc\u00f3modos e, uma vez que j\u00e1 existem m\u00e9todos deficazes e acess\u00edveis, devemos lutar para que sejam aplicados e constituam um direito fundamental independentemente do status social, da capacidade para pagar estes servi\u00e7os, da idade, do sexo, da ra\u00e7a e do credo. Os cuidados paliativos devem estar dispon\u00edveis para todas as popula\u00e7\u00f5es do mundo, incluindo os grupos mais vulner\u00e1veis como os presidi\u00e1rios, os trabalhadores do sexo e os toxicodependentes.<\/p>\n<p>Em Mar\u00e7o passado, foi assinada em Seul, na Coreia, uma declara\u00e7\u00e3o baseada na Declara\u00e7\u00e3o de Barcelona sobre os cuidados paliativos, feita h\u00e1 dez anos. Nesta esp\u00e9cie de ratifica\u00e7\u00e3o internacional, foram estabelecidos os grandes princ\u00edpios orientadores, entre os quais se destaca a necessidade de incluir os cuidados paliativos nos programas nacionais de combate ao cancro, no tratamento de outras doen\u00e7as progressivas e graves e, ainda, nas estrat\u00e9gias de luta contra a SIDA.<\/p>\n<p>Ficou ainda sublinhada a urg\u00eancia de implementar pol\u00edticas sustentadas e planos de ac\u00e7\u00e3o concretos e de qualidade para todos os cidad\u00e3os e, ainda, a exig\u00eancia de providenciar treino, apoio e supervis\u00e3o aos cuidadores n\u00e3o profissionais. Ou seja, \u00e0s fam\u00edlias e a todos aqueles que est\u00e3o \u00e0 cabeceira dos doentes terminais.<\/p>\n<p>Voltando ao in\u00edcio, ao cap\u00edtulo das boas not\u00edcias, \u00e9 bom saber que os cuidados paliativos s\u00e3o uma realidade cada vez mais acess\u00edvel e eficaz e que, em Portugal, tamb\u00e9m se t\u00eam dado passos significativos para compreender os aspectos psicossociais e espirituais da doen\u00e7a cr\u00f3nica, do fim da vida e do morrer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 luz do dia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-5671","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5671","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5671"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5671\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5671"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5671"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5671"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}