{"id":5675,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5675"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"uma-sugestao-sabia-e-pertinente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/uma-sugestao-sabia-e-pertinente\/","title":{"rendered":"Uma sugest\u00e3o s\u00e1bia e pertinente"},"content":{"rendered":"<p>Fui h\u00e1 tempos surpreendido pela informa\u00e7\u00e3o de que, numa escola secund\u00e1ria, o professor de Portugu\u00eas determinou que os seus alunos lessem o C\u00f3digo da Vinci, esperando, por certo, que, com tal leitura, ainda em tempo de uma euforia pouco cr\u00edtica, eles ficassem enriquecidos culturalmente.<\/p>\n<p>Dias depois, tive ocasi\u00e3o de ler no di\u00e1rio Avvenire, um jornal em expans\u00e3o progressiva e considerado j\u00e1 dos melhores e mais s\u00e9rios di\u00e1rios italianos, estas palavras, em jeito de pergunta e sugest\u00e3o, de um conhecido pensador laico, De Sanctis: \u201cPorque \u00e9 que nas escolas p\u00fablicas, onde se fazem ler aos alunos tantas coisas fr\u00edvolas, n\u00e3o penetrou ainda uma boa antologia b\u00edblica, que possa proporcionar uma dimens\u00e3o moral para a vida, no sentido mais elevado?\u201d<\/p>\n<p>Tomei nota da sugest\u00e3o, pois trazia ainda na mem\u00f3ria a iniciativa do nosso professor de Portugu\u00eas.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que, se tal vier a acontecer, ou seja a proposta de uma antologia de textos b\u00edblicos nas escolas, o laicismo preconceituoso, ao qual parece nada interessar a cultura s\u00e9ria, nem a estrutura\u00e7\u00e3o da vida em valores morais s\u00f3lidos e abertos, rasgar\u00e1 as vestes e dar\u00e1 gritos de esc\u00e2ndalo e de alerta, que logo chegar\u00e3o a inst\u00e2ncias governamentais, por vezes guardi\u00e3s pressurosas de mal entendidas exig\u00eancias de um estado laico ou n\u00e3o confessional. Tamb\u00e9m assim \u00e9 n\u00e3o confessional o Estado italiano. Por\u00e9m, um pensador que se confessa laico e como tal \u00e9 conhecido, n\u00e3o hesita em fazer a sugest\u00e3o. A diferen\u00e7a estar\u00e1 em se tratar de um laico inteligente e culto, que se contrap\u00f5e \u00e0 cegueira do preconceito e da incultura de muitos que se confessam tais.<\/p>\n<p>A B\u00edblia, que, para al\u00e9m de ser o Livro fundamental do Cristianismo, \u00e9, tamb\u00e9m, uma obra universal de indiscut\u00edvel valor cultural. Est\u00e1 recheada, independentemente da f\u00e9 de quem l\u00ea, de textos e de acontecimentos que ressumam de ilumina\u00e7\u00e3o e est\u00edmulo moral, para quem quiser viver uma vida com sentido e demarcar-se, diariamente, do vazio e do ef\u00e9mero, que, de mil maneiras, a sociedade consumista e hedonista prop\u00f5e e divulga.<\/p>\n<p>Quem n\u00e3o se sentir\u00e1 estimulado com as par\u00e1bolas maravilhosas do Filho Pr\u00f3digo, do Bom Samaritano, da ovelha perdida? Quem poder\u00e1 ficar indiferente ao ler o encontro revelador de compreens\u00e3o, miseric\u00f3rdia e toler\u00e2ncia de Jesus com Zaqueu, a samaritana, a mulher ad\u00faltera, esmagados pelo seu pecado e pela incompreens\u00e3o farisaica, e com o ap\u00f3stolo Pedro, quando este chorava a sua fraqueza e infidelidade? <\/p>\n<p>Quem n\u00e3o encontrar\u00e1 est\u00edmulo para a vida do dia a dia, ao ver a grandeza de Algu\u00e9m que, no momento da sua morte, volta, numa \u00e2nsia de perd\u00e3o, o cora\u00e7\u00e3o misericordioso para os seus algozes? Quem se recusar\u00e1 a encontrar o segredo de uma vida cheia de paz, ao ler como na Carta aos Cor\u00edntios se revela a grandeza impar do amor que enforma a vida? Quem depreciar\u00e1 o valor do tempo ou o malbaratar\u00e1, quando toma consci\u00eancia de que, havendo tempo para tudo na vida, o que \u00e9 importante \u00e9 saber ser dono dele? Quem poder\u00e1 ficar indiferente ao ver a disponibilidade de tanta gente que, para servir uma causa justa n\u00e3o olha a dificuldades, nem se anicha em comodismo e \u00e2nsia de poder?&#8230;<\/p>\n<p>Pod\u00edamos continuar, sem fim \u00e0 vista, esta reveladora antologia b\u00edblica. Haja quem fa\u00e7a a escolha, em fun\u00e7\u00e3o do fim proposto, e quem fa\u00e7a dela, depois, uma proposta permanente de ajuda \u00e0 gente nova, que enche as nossas escolas e a quem, para al\u00e9m das mat\u00e9rias escolares, pouco ou nada se d\u00e1 que possa constituir dimens\u00e3o moral para a vida, com a dignidade que ela exige e deve comportar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fui h\u00e1 tempos surpreendido pela informa\u00e7\u00e3o de que, numa escola secund\u00e1ria, o professor de Portugu\u00eas determinou que os seus alunos lessem o C\u00f3digo da Vinci, esperando, por certo, que, com tal leitura, ainda em tempo de uma euforia pouco cr\u00edtica, eles ficassem enriquecidos culturalmente. 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