{"id":5726,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5726"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"o-erro-de-colombo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-erro-de-colombo\/","title":{"rendered":"O erro de Colombo"},"content":{"rendered":"<p>Livro <!--more--> Crist\u00f3v\u00e3o Colombo chegou \u00e0s Am\u00e9ricas convencido de que estava a chegar \u00e0s \u00cdndias pelo Ocidente. Estava enganado, mas n\u00e3o foi esse o seu erro. O erro foi concluir que o mundo \u00e9 redondo<\/p>\n<p>Thomas L. Friedman mostra neste livro que o mundo \u00e9 plano. Ou melhor, est\u00e1 a ficar plano. E foi precisamente na \u00cdndia que fez essa descoberta. Ao visitar os grandes centros de investiga\u00e7\u00e3o de multinacionais como Microsoft, IBM, HP ou Texas Instruments, na \u00cdndia, um executivo indiano disse-lhe: \u201cO \u2018terreno do jogo\u2019 est\u00e1 a ser nivelado\u201d. Estar a ficar plano quer dizer que, \u201ccomo nunca na hist\u00f3ria da humanidade, \u00e9 agora poss\u00edvel que mais pessoas colaborem e concorram em tempo real com outras, em muitos tipos de trabalho, em muitos mais cantos do planeta, em p\u00e9 de igualdade\u201d. Estar a ficar plano quer dizer que h\u00e1 milh\u00f5es de pessoas, principalmente na China e na \u00cdndia, que saem da pobreza e entram na classe m\u00e9dia. Estar a ficar plano quer dizer que a geografia perdeu significado, porque o mercado do consumo, do trabalho, da cultura, etc. \u00e9 global. Estar a ficar plano \u00e9 o resultado da globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E agora atenda-se a isto: o autor escreveu o livro para que os Estados Unidos, de onde \u00e9 origin\u00e1rio, n\u00e3o sejam apanhados desprevenidos neste processo de globaliza\u00e7\u00e3o. Ou seja, \u00e9 melhor deitar fora o preconceito de que a globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 igual a americaniza\u00e7\u00e3o. A Am\u00e9rica do Norte \u00e9 t\u00e3o amea\u00e7ada pela globaliza\u00e7\u00e3o (que n\u00e3o tem nenhum comandante) como a Europa. Mas se se prepararem, a globaliza\u00e7\u00e3o trar\u00e1 uma \u201cespantosa era de prosperidade e de inova\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel. Como foi inevit\u00e1vel a revolu\u00e7\u00e3o industrial. Os luditas (seguidores de Ned Lud) destru\u00edram teares mec\u00e2nicos, mas isso n\u00e3o deteve a revolu\u00e7\u00e3o industrial. Hoje destroem-se os McDonalds e fazem-se manifesta\u00e7\u00f5es contra o G8, mas a globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um bem para os pobres (\u201cfacilita a vida aos pobres que queiram concorrer no mercado aberto\u201d \u2013 \u00e9 uma das teses deste livro). H\u00e1 problemas, certamente. O que fazer, por exemplo, quando os postos de trabalho est\u00e3o amea\u00e7ados por m\u00e3o de obra mais barata, provocando deslocaliza\u00e7\u00f5es, visto que \u201co trabalho \u00e9 feito onde pode ser feito de forma mais eficaz e eficiente\u201d? Mudar. Perder o emprego n\u00e3o \u00e9 um drama. Drama \u00e9 ficar imobilizado. Drama \u00e9 n\u00e3o estar preparado para a mudan\u00e7a. \u201cA mudan\u00e7a \u00e9 dif\u00edcil. A mudan\u00e7a \u00e9 pior para aqueles que s\u00e3o apanhados de surpresa. A mudan\u00e7a \u00e9 mais dif\u00edcil para aqueles que tamb\u00e9m t\u00eam dificuldades em mudar. Mas a mudan\u00e7a \u00e9 natural; a mudan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 nada de novo; a mudan\u00e7a \u00e9 importante\u201d (p\u00e1g. 30).<\/p>\n<p>O tom deste livro \u00e9 claramente optimista, embora em muitas passagens isoladas pud\u00e9ssemos fundamentar alarmismos. Pertence \u201ca um g\u00e9nero ainda raro, o dos livros que apoiam a globaliza\u00e7\u00e3o sem entrarem em euforia\u201d, diz Jo\u00e3o C\u00e9sar das Neves, no pref\u00e1cio da edi\u00e7\u00e3o portuguesa. E acrescenta que a obra \u201c\u00e9 muito melhor do que a dieta habitual de livros antiglobaliza\u00e7\u00e3o&#8230; e tamb\u00e9m muito mais divertida\u201d.<\/p>\n<p>\u00daltima nota: Tony Blair, que preside \u00e0 Uni\u00e3o Europeia at\u00e9 ao final do ano, usou este livro na cimeira de l\u00edderes europeus em Hampton Court, Londres, em finais de Outubro, para fazer um debate tranquilo sobre a globaliza\u00e7\u00e3o e as reformas econ\u00f3micas e sociais que ela exige da Europa.<\/p>\n<p>O mundo \u00e9 plano. <\/p>\n<p>Uma hist\u00f3ria breve do s\u00e9culo XXI<\/p>\n<p>Thomas L. Friedman<\/p>\n<p>Ed. Actual<\/p>\n<p>510 p\u00e1ginas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[66],"tags":[],"class_list":["post-5726","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5726","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5726"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5726\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5726"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5726"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5726"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}