{"id":5738,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5738"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"o-que-nos-ensina-uma-derrota","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-que-nos-ensina-uma-derrota\/","title":{"rendered":"O que nos ensina uma derrota"},"content":{"rendered":"<p>Direitos Humanos <!--more--> Escrevo esta partilha no rescaldo da derrota da Paz. O voto do povo brasileiro, eliminando a hip\u00f3tese de se abolir o com\u00e9rcio de armas no pa\u00eds, foi um rev\u00e9s na caminhada em direc\u00e7\u00e3o a um outro mundo sonhado.<\/p>\n<p>Foi esse ambiente de desilus\u00e3o que encontrei h\u00e1 poucos dias numa viagem que fiz a Bras\u00edlia. O desencanto perpassava nos rostos de todos os participantes no Curso sobre Cultura da Paz e Direitos Humanos, promovido pela Comiss\u00e3o Brasileira Justi\u00e7a e Paz. <\/p>\n<p>De todos os cantos se ouvia a frustra\u00e7\u00e3o de quem tinha acreditado num passo que, todos pens\u00e1vamos, nos iria aproximar do Reino de Deus e&#8230; o povo recusou dar esse passo.<\/p>\n<p>Enfim, esse curso veio na melhor altura, n\u00e3o s\u00f3 pelo \u00e2nimo que nos devolveu, mas principalmente pelos desafios que foram colocados a todas as Comiss\u00f5es Justi\u00e7a e Paz: assumir radicalmente a n\u00e3o-viol\u00eancia e formar educadores e promotores de paz nas diversas regi\u00f5es do Brasil.<\/p>\n<p>O projecto \u00e9 aliciante, tanto quanto \u00e9 desafiante e ousado. <\/p>\n<p>Por\u00e9m, a necessidade de responder \u00e0(s) viol\u00eancia(s) que transforma(m) o Brasil num dos pa\u00edses mais violentos do mundo coloca-nos perante o imperativo de escolher um de entre tr\u00eas tipos de resposta a dar a essa viol\u00eancia: a passividade, a contra-viol\u00eancia ou a n\u00e3o-viol\u00eancia. <\/p>\n<p>A postura da passividade \u00e9 a mais f\u00e1cil das respostas. Trata-se de encarar a viol\u00eancia e, no comodismo t\u00e3o comum ao homem do s\u00e9culo XXI, n\u00e3o fazer nada para terminar com ela. No dizer de Gandhi, a passividade \u00e9 ainda pior do que a contra-viol\u00eancia. Esta segunda resposta consiste em agir usando meios violentos para combater a pr\u00f3pria viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Em terceiro lugar, temos a n\u00e3o-viol\u00eancia activa, ou seja, a postura de lutar activamente contra todos os tipos de viol\u00eancia, mas recusando todos os meios que possam ser de alguma forma violentos. Quem vive a n\u00e3o-viol\u00eancia activa procura sempre maneiras de resolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o-violenta dos conflitos. <\/p>\n<p>Segundo Gandhi, a n\u00e3o-viol\u00eancia \u00e9 uma moeda com duas faces: Ahimsa e Satyagraha. Ahimsa consiste na recusa total e inequ\u00edvoca da viol\u00eancia. Satyagraha, por seu lado, representa a for\u00e7a da verdade que permite, atrav\u00e9s das ac\u00e7\u00f5es concretas, resistir a todo e qualquer tipo de viol\u00eancia. <\/p>\n<p>Finalmente, a n\u00e3o-viol\u00eancia tem um caminho, o \u00fanico, para se chegar at\u00e9 ela: a Paz. Ami\u00fade se escuta uma frase, erradamente atribu\u00edda a Gandhi, \u201cn\u00e3o h\u00e1 um caminho para a Paz, a Paz \u00e9 o caminho\u201d. A m\u00e1xima \u00e9, na verdade, da autoria de Abraham J. Must. E ela encerra o que neste momento gostaria que ficasse no pensamento do leitor: Cristo \u00e9 o Caminho e Ele nos d\u00e1 a sua Paz \u2013 pensamento ut\u00f3pico o suficiente para continuarmos as nossas lutas no dia-a-dia e para nos levantarmos, mesmo quando perdemos uma batalha.<\/p>\n<p>A utopia do Crist\u00e3o \u00e9 fazer acontecer Reino de Deus e praticar a n\u00e3o-viol\u00eancia \u00e9 um passo fundamental para o Reino acontecer. <\/p>\n<p>Educar para a Paz, por sua vez, \u00e9 tamb\u00e9m uma utopia e, como as verdadeiras utopias, ela s\u00f3 pode ir acontecendo, de mansinho, a cada dia que passa, vivendo essa Paz a todos os momentos e em todos os lugares. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Direitos Humanos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-5738","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5738","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5738"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5738\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5738"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5738"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5738"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}