{"id":5769,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5769"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"sera-que-deus-e-canhoto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sera-que-deus-e-canhoto\/","title":{"rendered":"Ser\u00e1 que Deus \u00e9 canhoto?"},"content":{"rendered":"<p>A cultura geral como base da cidadania e a ci\u00eancia solid\u00e1ria estiveram em foco nas confer\u00eancias do CUFC<\/p>\n<p>A compet\u00eancia de fazer perguntas \u00e9 fundamental para a investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. \u00c9 fundamental para a cultura geral. Quem assistiu \u00e0 confer\u00eancia\/conversa com J\u00falio Pedrosa, no dia 19 de Novembro, no Centro Universit\u00e1rio, p\u00f4de experienciar isso mesmo atrav\u00e9s de um pequeno exerc\u00edcio. O presidente do Conselho Nacional da Educa\u00e7\u00e3o apresentou uma flor, um colar e um livro; e convidou a assembleia a escrever uma pergunta sobre cada um dos objectos. Na fase de di\u00e1logo, algumas pessoas partilharam as suas perguntas e o naipe n\u00e3o podia ser mais variado. Por que \u00e9 que a flor \u00e9 azul e n\u00e3o de outra cor? Por que h\u00e1 hortenses cor-de-rosa? Quem usou o colar? Quantas contas tem? Quem o fez? Que hist\u00f3rias encerra o livro? Que sentimentos inspiram estas tr\u00eas coisas? Perante os mesmos objectos, mil perguntas, mil abordagens.<\/p>\n<p>Mais: n\u00e3o se deve recusar a procura de uma resposta a uma boa pergunta, mesmo quando a busca aparentemente se revela infrut\u00edfera. <\/p>\n<p>\u201cSer\u00e1 que Deus \u00e9 canhoto?\u201d foi a pergunta lan\u00e7ada pelo orientador de doutoramento de J\u00falio Pedrosa, em Cardiff, Reino Unido. Essa formula\u00e7\u00e3o, no contexto da bioqu\u00edmica, pretendia desvendar um mist\u00e9rio: por que \u00e9 que os amino\u00e1cidos (estruturas de \u00e1tomos que constituem as prote\u00ednas), representados graficamente, se assemelham \u00e0 m\u00e3o esquerda humana? Ser\u00e1 que Deus \u00e9 canhoto? A investiga\u00e7\u00e3o tomou algum tempo ao ent\u00e3o doutorando J\u00falio Pedrosa e acabou por ser abandonada. Mas n\u00e3o foi tempo perdido. Deu, por exemplo, para estudar sobre a qu\u00edmica da origem da vida, o que viria a ser proveitoso no percurso acad\u00e9mico de J\u00falio Pedrosa.<\/p>\n<p>Com boas perguntas, avan\u00e7a a investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e cresce o esp\u00edrito cr\u00edtico. O contr\u00e1rio ser\u00e1 a \u201cauto-satisfa\u00e7\u00e3o da cultura\u201d, quando \u201cdeixa de haver busca\u201d.<\/p>\n<p>Uma defini\u00e7\u00e3o de cultura geral poder\u00e1 ser ent\u00e3o a \u201ccondi\u00e7\u00e3o sem condi\u00e7\u00e3o\u201d, a \u201ccapacidade para entender o mundo \u00e0 nossa volta e dar-lhe sentido\u201d. Por isso, a cultura geral \u201cn\u00e3o pode depender da condi\u00e7\u00e3o social, da ra\u00e7a, etnia ou religi\u00e3o\u201d, disse J\u00falio Pedrosa. \u201cTodas as pessoas devem ter acesso a uma forma de compreens\u00e3o do mundo\u201d.<\/p>\n<p>A confer\u00eancia de J\u00falio Pedrosa surgiu integrada na Semana da Arte do Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura, uma semana dedicada a confer\u00eancias, ateli\u00eas de arte e exposi\u00e7\u00f5es. No dia anterior, o professor de F\u00edsica Jos\u00e9 Mendes discorrera sobre Albert Einstein, no ano em que se comemora o centen\u00e1rio da publica\u00e7\u00e3o de 5 artigos cient\u00edficos que viriam a revolucionar a Ci\u00eancia. Da energia nuclear ao funcionamento dos telem\u00f3veis, dos micro-ondas \u00e0 televis\u00e3o, tudo participa das descobertas de Einstein, um funcion\u00e1rio de registo de patentes na Su\u00ed\u00e7a, que s\u00f3 queria ser professor de liceu e teve de fugir ao anti-juda\u00edsmo que grassava na Alemanha antes da II Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Um outro mundo \u00e9 poss\u00edvel<\/p>\n<p>O tema dessa ter\u00e7a-feira, \u201cCi\u00eancia solid\u00e1ria\u201d, trouxe ao CUFC, tamb\u00e9m, Fernando Nobre, m\u00e9dico, fundador da AMI \u2013 Assist\u00eancia M\u00e9dica internacional, que corroborou as palavras de Abel Salazar: \u201cUm m\u00e9dico que s\u00f3 \u00e9 m\u00e9dico, nem m\u00e9dico \u00e9\u201d. Ou ent\u00e3o, como foi igualmente afirmado: \u201cUm cientista que s\u00f3 \u00e9 cientista nem cientista \u00e9\u201d.<\/p>\n<p>Fernando Nobre partilhou a sua experi\u00eancia e vis\u00e3o do mundo e foi cr\u00edtico para a globaliza\u00e7\u00e3o, o mercado, o neoliberalismo e, por exemplo, as farmac\u00eauticas, \u201cque s\u00f3 pensam nas doen\u00e7as dos ricos\u201d. \u201cNos \u00faltimos 30 anos, investiram apenas 10% em doen\u00e7as que afectam 90% da popula\u00e7\u00e3o; mas s\u00e3o doen\u00e7as de pobres\u201d, disse. \u201cO Ocidente morre de doen\u00e7as da fartura, enquanto os pobres morrem de fome e infec\u00e7\u00f5es. A vida humana n\u00e3o tem o mesmo valor\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Como resposta \u00e0 \u201cesp\u00e9cie de chamamento\u201d laico, o m\u00e9dico fundou a AMI e passou at\u00e9 hoje por cerca de 130 pa\u00edses, o que o leva a defender que \u201cum outro mundo \u00e9 poss\u00edvel\u201d. A fome, as doen\u00e7as, as migra\u00e7\u00f5es \u2013 defendeu Fernando Nobre \u2013 s\u00e3o hoje \u201cfen\u00f3menos globais que apelam a uma solidariedade global\u201d.<\/p>\n<p>No decorrer das confer\u00eancias desta semana, o Pe Alexandre, director do CUFC, anunciou que, no dia 7 de Dezembro, Rui Marques, Alto Comiss\u00e1rio para as Migra\u00e7\u00f5es e Minorias \u00c9tnicas, vir\u00e1 ao Centro Universit\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cultura geral como base da cidadania e a ci\u00eancia solid\u00e1ria estiveram em foco nas confer\u00eancias do CUFC A compet\u00eancia de fazer perguntas \u00e9 fundamental para a investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. \u00c9 fundamental para a cultura geral. 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