{"id":5799,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5799"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"tres-razoes-teologicas-contra-o-aborto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/tres-razoes-teologicas-contra-o-aborto\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas Raz\u00f5es teol\u00f3gicas contra o aborto"},"content":{"rendered":"<p>Pensar a Vida <!--more--> Entre as muitas raz\u00f5es que poderia apontar para recusar qualquer possibilidade de aceitar a pr\u00e1tica do aborto, apontarei tr\u00eas que me parecem fundamentais. Porque falo \u2013 teologicamente \u2013 a partir do cristianismo e sobretudo para crist\u00e3os \u2013 embora n\u00e3o exclusivamente \u2013 penso ser indicado ligar essas raz\u00f5es \u00e0 profiss\u00e3o de f\u00e9 em Deus uni-trino.<\/p>\n<p>1. Um crist\u00e3o recusa a pr\u00e1tica do aborto, porque cr\u00ea em Deus Pai, origem primeira e finalidade \u00faltima de toda a vida humana. Porque Ele d\u00e1 a vida, gratuitamente, criando \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a, instaura com isso a interdi\u00e7\u00e3o \u00e9tica \u2013 e religiosa \u2013 de dispormos dessa vida, seja pr\u00f3pria ou dos outros. O car\u00e1cter incondicional dessa m\u00e1xima \u00e9tica \u2013 precisamente por ter origem na pr\u00f3pria fonte da vida, transcendente ao mundo e aos humanos \u2013 impede que circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas e pessoais, sejam quais forem, justifiquem, de algum modo, a manipula\u00e7\u00e3o da mesma. <\/p>\n<p>2. Um crist\u00e3o denuncia toda a pr\u00e1tica abortiva porque cr\u00ea em Deus Filho, feito humano em Jesus Cristo, origem de uma fraternidade inter-humana, que exige respeito e responsabilidade m\u00fatuos. Nenhum ser humano \u00e9, desse modo, senhor ou dono de outro, seja em que circunst\u00e2ncias for. A maternidade \u2013 ou paternidade \u2013 \u00e9 reconduzida, desse modo, ao n\u00edvel fundamental da fraternidade, de tal modo que uma nova vida que come\u00e7a \u00e9, j\u00e1, a vida de um irm\u00e3o em humanidade, pela qual todos somos igualmente respons\u00e1veis.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m disso, porque o crist\u00e3o acredita que o Filho de Deus deu a pr\u00f3pria vida, em solidariedade amorosa com todos os que s\u00e3o vitimados inocentemente, sente-se constantemente interpelado a dar a sua vida em defesa de todas as v\u00edtimas inocentes, sobretudo daquelas que nenhuma possibilidade t\u00eam de se defender. A participa\u00e7\u00e3o na P\u00e1scoa de Jesus Cristo exige do crist\u00e3o essa permanente aten\u00e7\u00e3o a todos os vitimados deste mundo, n\u00e3o podendo enveredar pela espiral da vitima\u00e7\u00e3o, vitimando ou, pelo menos, aceitando a vitima\u00e7\u00e3o dos mais indefesos, em nome da defesa de outras eventuais v\u00edtimas.<\/p>\n<p>3. Um crist\u00e3o prop\u00f5e uma via alternativa, porque acredita em Deus Esp\u00edrito, sopro que anima a vida e a conduz para o seu verdadeiro sentido. Assim, em vez de escolher atalhos f\u00e1ceis, que iriam conduzir a becos sem sa\u00edda, prop\u00f5e o caminho dif\u00edcil do acolhimento do outro diferente \u2013 seja quem for, rico ou pobre, perfeito ou imperfeito, desejado ou indesejado \u2013 como o \u00fanico caminho com sentido de vida verdadeira. Por isso, o crist\u00e3o recusa sacrificar alguns ao bem-estar de outros, sabendo que o Esp\u00edrito de Deus todos quer conduzir ao Reino da verdadeira felicidade. <\/p>\n<p>N\u00e3o pode ficar-se, \u00e9 certo, por essa recusa, mas ela constitui a base e o impulso para uma vida consciente da responsabilidade de transformar, constantemente, a vida dos outros, em vida que caminhe para o seu verdadeiro sentido. \u00c0 solidariedade para com as potenciais v\u00edtimas de aborto, deve juntar a solidariedade para com todas as m\u00e3es em situa\u00e7\u00f5es humanamente dif\u00edceis, para que lhes seja poss\u00edvel, mesmo nessas condi\u00e7\u00f5es, acolher os seus filhos em amor, acolhendo assim o verdadeiro sentido das suas pr\u00f3prias vidas. Porque s\u00f3 o amor \u00e9 fonte de vida e Deus \u00e9 amor: Pai, Filho e Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Duque <\/p>\n<p>Te\u00f3logo da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa &#8211; Braga, escreve a convite da Associa\u00e7\u00e3o de Apoio e Defesa da Vida &#8211; Aveiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pensar a Vida<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-5799","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5799","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5799"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5799\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5799"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5799"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5799"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}