{"id":5800,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5800"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"professores-ou-funcionarios-do-ensino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/professores-ou-funcionarios-do-ensino\/","title":{"rendered":"Professores ou funcion\u00e1rios do ensino?"},"content":{"rendered":"<p>Em cima da linha <!--more--> \u201cFui\u201d at\u00e9 \u00e0 \u201cminha\u201d Escola e encontrei-a diferente. Est\u00e1 triste, muito triste. As pessoas aborrecidas e desgastadas. Aquela Escola j\u00e1 n\u00e3o parece a mesma. Os professores, que antes conhecia alegres, brinca-lh\u00f5es, generosos e dispon\u00edveis, vejo-os, agora, friamente cumpridores, cabisbaixos, resmung\u00f5es, desconsiderados e maltratados, quase como pe\u00e7as de uma m\u00e1quina enferrujada e velha. Est\u00e3o a deixar de ser professores, para ser tornarem meros funcion\u00e1rios do ensino que, refira-se, n\u00e3o \u00e9 o mesmo que educa\u00e7\u00e3o. Desde j\u00e1 sugiro: o Minist\u00e9rio, chamado da Educa\u00e7\u00e3o, dever\u00e1 passar a chamar-se do Ensino\u2026 (talvez nem isso!)<\/p>\n<p>Todos conhecemos a controv\u00e9rsia que anda pelas Escolas deste pa\u00eds. Tamb\u00e9m sabemos que os professores s\u00e3o injustamente considerados, por muita gente, como um bando de malandros que nada quer fazer. Sinto-me nesta guerra. Devo confessar que sempre dei \u00e0 Escola muito tempo para al\u00e9m dos hor\u00e1rios, sempre me empenhei generosamente nas actividades da Escola, sempre me dediquei de corpo e alma aos projectos que n\u00e3o traziam qualquer recompensa. Toda a gente sabe que os professores de E.M.R.C. s\u00e3o muito solicitados para determinados trabalhos, e que os Conselhos Executivos tamb\u00e9m sabem muito bem a que portas podem bater. E n\u00e3o somos, felizmente, os \u00fanicos. H\u00e1 (havia) muita dedica\u00e7\u00e3o, esp\u00edrito de servi\u00e7o e generosidade nas nossas Escolas! <\/p>\n<p>Confesso que, nesta altura, noto que a realidade est\u00e1 alterada. N\u00e3o \u00e9 pela obriga\u00e7\u00e3o de estar na escola horas a fio, nem \u00e9 pelo desejo de manter ocupados os alunos cujos professores est\u00e3o a faltar, mas \u00e9 pela forma como tudo isto est\u00e1 a acontecer. Desde h\u00e1 muito tempo que sou defensor de que os professores devem realizar todo o seu trabalho da Escola na escola, o que lhes proporcionaria irem para casa descansados, com tempo para a fam\u00edlia e para outras actividades de \u00e2mbito social e cultural; sou defensor de que os alunos n\u00e3o andem na escola \u201c\u00e0 solta\u201d, mas sejam acompanhados em tarefas autenticamente educativas e de apoio ao estudo; mas tamb\u00e9m defendo que os alunos deviam sair de escola com a maior parte do seu trabalho realizado, pois, muitos deles, passam na escola, diariamente, quase dez horas. Se, a estas horas, juntarmos o tempo dos transportes\u2026<\/p>\n<p>Sou a favor, sim, senhor. Concordo com a lei e com a presen\u00e7a dos professores na escola. Por\u00e9m, as nossas escolas n\u00e3o foram feitas a pensar nisso. Tornaram-se, praticamente, armaz\u00e9ns de professores e alunos, onde n\u00e3o existem espa\u00e7os f\u00edsicos adequados a uma nova situa\u00e7\u00e3o. Salas de estudo, al\u00e9m da Biblioteca, salas de conv\u00edvio, salas de lazer educativo\u2026 onde \u00e9 que elas est\u00e3o? Gabinetes de estudo e trabalho, devidamente preparados para os professores, n\u00e3o existem. Ambiente de concentra\u00e7\u00e3o e condi\u00e7\u00f5es de trabalho intelectual s\u00e3o perfeitamente inexistentes! \u2026<\/p>\n<p>O que vemos \u00e9 uma sala de professores, que \u00e9, simultaneamente, tudo: horas e horas a olhar para a paisagem, conv\u00edvio, barulho, estudo, servi\u00e7o de bar e espa\u00e7o de espera para a chamada de servi\u00e7o\u2026 Como \u00e9 poss\u00edvel? Isto faz enlouquecer! Aben\u00e7oados os que s\u00e3o capazes de se abstrair de tudo isto e conseguem trabalhar a\u00ed! Admiro-vos! Eu n\u00e3o consigo!<\/p>\n<p>As substitui\u00e7\u00f5es, teoricamente certas, transformam-se, na pr\u00e1tica de as fazer, em verdadeiros desajustamentos e perdas de tempo e energias, para professores e alunos, talvez por tudo ser feito em cima dos joelhos n\u00e3o se sabe de quem, mas garantidamente de gente que n\u00e3o est\u00e1 no terreno. Esta situa\u00e7\u00e3o, repito, para mim positiva, fica-se pela negativa, porque me parece ter como objectivo uma superficial e rid\u00edcula imita\u00e7\u00e3o do que acontece no verdadeiro ensino particular, onde a educa\u00e7\u00e3o e o ensino n\u00e3o s\u00e3o actividades meramente empresariais. <\/p>\n<p>Mas h\u00e1 ainda outro problema que n\u00e3o est\u00e1 devidamente equacionado: E aos alunos que n\u00e3o escolheram aulas de Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa que lhes acontece? \u00c9 que estes n\u00e3o t\u00eam substitui\u00e7\u00f5es, pois n\u00e3o?! \u2026 Est\u00e1 assim aberto um caminho para o novo ano. Fa\u00e7o-me entender? Mas isto \u00e9 apenas um par\u00eantesis.<\/p>\n<p>Por favor, n\u00e3o transformem a miss\u00e3o educativa do professor na frieza de uma m\u00e1quina de ensino.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em cima da linha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-5800","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5800","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5800"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5800\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5800"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5800"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5800"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}