{"id":5864,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5864"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"ventos-e-tempestades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ventos-e-tempestades\/","title":{"rendered":"Ventos e tempestades"},"content":{"rendered":"<p>Todos os dias nos chegam not\u00edcias preocupantes. O povo diz, na sua sabedoria, que quando se semeiam ventos se colhem tempestades. A justeza do ditado est\u00e1 \u00e0 vista.<\/p>\n<p>Sempre foi assim e assim continua a ser. Muita gente diz e pensa que uma coisa nada tem a ver com a outra, como se a sementeira fosse indiferente \u00e0 colheita esperada. <\/p>\n<p>Lamentam-se as tempestades que est\u00e3o caindo sobre o pa\u00eds, destruidoras de vidas, de valores morais e \u00e9ticos, de conviv\u00eancia respeitadora. \u00c9 a quebra crescente da natalidade; o aumento preocupante do consumo da droga e a prolifera\u00e7\u00e3o incontrol\u00e1vel dos traficantes, que envolve milh\u00f5es de euros; o n\u00famero assinal\u00e1vel das m\u00e3es adolescentes; o vergonhoso insucesso escolar; o desemprego injusto de quantos trabalham e sempre trabalharam, n\u00e3o tendo outra fonte de sobreviv\u00eancia; a criminalidade em todas as idades, at\u00e9 j\u00e1 infantil; os al\u00e7ap\u00f5es, jur\u00eddicos e sociais, que destroem fam\u00edlias que o querem ser a s\u00e9rio; o abandono escandaloso dos idosos e de tantos outros feridos da vida; a dram\u00e1tica viol\u00eancia dom\u00e9stica; a inseguran\u00e7a p\u00fablica que n\u00e3o respeita nem pessoas nem bens; a arbitrariedade por vezes cega do poder, \u00e0 revelia do dever democr\u00e1tico; a prepot\u00eancia de quem \u00e9 pago para servir e mais se serve a si e aos seus; a linguagem escabrosa que se ouve nas ruas, se v\u00ea na televis\u00e3o e at\u00e9 j\u00e1 entrou, a pretexto cient\u00edfico, num normal dicion\u00e1rio de l\u00edngua portuguesa\u2026<\/p>\n<p>Nada \u00e9 obra do acaso, mas fruto mais de sementes corrompidas, a que podemos chamar a falta de educa\u00e7\u00e3o, de respeito, de responsabilidade, de vergonha, de gratid\u00e3o, de civismo, com os entraves premeditados que se p\u00f5em a muitas e diversas inst\u00e2ncias educativas, que querem educar e para isso est\u00e3o qualificadas. Tudo tem a sua raiz activa em vidas sem equil\u00edbrio nem rumo, apostadas em contagiar outras; em op\u00e7\u00f5es cegas pelo mais f\u00e1cil e pelo mais c\u00f3modo que, de muitos modos, se v\u00eam propagando e estimulando; na falsa hierarquia de vida que p\u00f5e o dinheiro, o prazer e o poder, como os valores mais determinantes na sociedade; na impunidade inconceb\u00edvel de que goza tanta gente, que pode fazer tudo e n\u00e3o d\u00e1 contas de nada; na fal\u00e1cia que chama progressismo a coisas t\u00e3o velhas que j\u00e1 nascem mortas; no medo que se generaliza de ser apodado de conservador e retr\u00f3grado e na cobardia de muitos que ficam calados perante situa\u00e7\u00f5es de consequ\u00eancias socialmente negativas e m\u00e1s; no ataque corrente e no menosprezo de tudo quanto \u00e9 autoridade, norma ou lei; no testemunho p\u00fablico de muitos que, pelo que s\u00e3o ou se prop\u00f5em ser, n\u00e3o primam por um exemplo de respeito, civismo e est\u00edmulo para o bem.<\/p>\n<p>Em todos os sectores h\u00e1 gente boa e s\u00e9ria, mas que se vai cansando de lutar, caindo na tenta\u00e7\u00e3o de se isolar, fazer o seu caminho honesto e fechar-se no seu cantinho, por pensar que n\u00e3o vale a pena e que j\u00e1 ningu\u00e9m os ouve. Os resistentes que ficam, corajosamente, em campo, s\u00e3o, mais facilmente um alvo a descoberto, para o ataque impune dos novos b\u00e1rbaros que apontam a outros para desviar a aten\u00e7\u00e3o de si pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>N\u00e3o sou dos que dizem, mil vezes ao dia, que o pa\u00eds est\u00e1 perdido. Mas n\u00e3o escondo que, mesmo n\u00e3o cruzando os bra\u00e7os, sou dos preocupados que sentem que o retrocesso ao bom senso, \u00e0 responsabilidade e a valores como a verdade, a justi\u00e7a e o respeito pelo outro, se torna cada vez mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Como implementar, sem esp\u00edrito de cruzada, uma campanha favor\u00e1vel \u00e0 melhor educa\u00e7\u00e3o de todos? Como, se quem governa e tem por dever fomentar o melhor clima de educa\u00e7\u00e3o com valores, parece obcecado em apagar os sinais e as refer\u00eancias estimulantes, como acontece em rela\u00e7\u00e3o ao mais eloquente e estimulante sinal que a humanidade conheceu, o Crucifixo? Pedem \u00e0 Igreja salas emprestadas para ensinar o ingl\u00eas e a matem\u00e1tica \u00e0s crian\u00e7as e manda-se retirar delas quem melhor as pode ensinar a ser gente!&#8230; Que se espera? Melhor sucesso? Mais educa\u00e7\u00e3o? Maior responsabilidade?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos os dias nos chegam not\u00edcias preocupantes. O povo diz, na sua sabedoria, que quando se semeiam ventos se colhem tempestades. A justeza do ditado est\u00e1 \u00e0 vista. Sempre foi assim e assim continua a ser. 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