{"id":5878,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5878"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"sophia-ou-o-prazer-da-escrita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sophia-ou-o-prazer-da-escrita\/","title":{"rendered":"Sophia ou o prazer da escrita"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0 procura do rosto de Cristo <!--more--> Estamos na segunda semana de Advento; e a Campanha que a pastoral juvenil prop\u00f4s aos jovens continua esta semana com o desafio destes descobrirem a personalidade que foi Sophia de Mello Breyner Andersen. <\/p>\n<p>Se o Homem \u00e9 express\u00e3o de Deus, porque feito por Ele \u00e0 Sua imagem e semelhan\u00e7a, a pessoa humana relaciona-se com o Mundo e com os outros de formas bem concretas.<\/p>\n<p>E esta semana de advento somos convidados a entender a express\u00e3o liter\u00e1ria como uma destas formas concretas de rela\u00e7\u00e3o do Homem com Deus, com o Mundo e com os que o rodeiam.<\/p>\n<p>Sophia de Mello Breyner Andersen, poeta e contista portuguesa, nasceu no Porto em 1919, no seio de uma fam\u00edlia aristocr\u00e1tica, e a\u00ed viveu at\u00e9 aos dez anos, altura em que se mudou para Lisboa. A sua educa\u00e7\u00e3o decorreu num ambiente cat\u00f3lico e culturalmente privilegiado, que influenciou a sua personalidade. Frequentou o curso de Filologia Cl\u00e1ssica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, n\u00e3o tendo todavia chegado a conclu\u00ed-lo.<\/p>\n<p>Teve uma interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica empenhada, opondo-se ao regime salazarista, sendo co-fundadora da Comiss\u00e3o Nacional de Socorro aos Presos Pol\u00edticos e tamb\u00e9m, ap\u00f3s o 25 de Abril, como deputada. Presidiu ao Centro Nacional de Cultura e \u00e0 Assembleia-geral da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Escritores. <\/p>\n<p>O ambiente da sua inf\u00e2ncia reflecte-se em imagens e ambientes presentes na sua obra, sobretudo nos livros para crian\u00e7as. Os ver\u00f5es passados na praia da Granja e os jardins da casa da fam\u00edlia ressurgem em evoca\u00e7\u00f5es do mar ou de espa\u00e7os de paz e amplitude. A civiliza\u00e7\u00e3o grega \u00e9 igualmente uma presen\u00e7a recorrente nos versos de Sophia, atrav\u00e9s da sua cren\u00e7a profunda na uni\u00e3o entre os deuses e a natureza, tal como outra dimens\u00e3o da religiosidade, provinda da tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica e crist\u00e3.<\/p>\n<p>A sua actividade liter\u00e1ria e pol\u00edtica pautou-se sempre pelas ideias de justi\u00e7a, liberdade e integridade moral.<\/p>\n<p>Aquilo que defendia e aquilo em que acreditava transparece na sua escrita.<\/p>\n<p>Na sua escrita podemos encontrar a sua grande sensibilidade e aten\u00e7\u00e3o \u00e0s coisas de Deus e \u00e0s coisas do Mundo:<\/p>\n<p>Como o rumor<\/p>\n<p>Como o rumor do mar dentro de um b\u00fazio<\/p>\n<p>O Divino sussurra no Universo<\/p>\n<p>Algo emerge: primordial projecto\u201d <\/p>\n<p>(Livro Sexto,1962)<\/p>\n<p>\u00c9 uma mulher que d\u00e1 grande valor ao sil\u00eancio e ao que dele pode surgir:<\/p>\n<p>As Grutas<\/p>\n<p>Caminha at\u00e9 encontrares uma Igreja alta e quadrada. L\u00e1 dentro ficar\u00e1s ajoelhada na penumbra olhando o branco das paredes e o brilho dos azulejos. A\u00ed escutar\u00e1s o sil\u00eancio. A\u00ed se levantar\u00e1 como um canto o teu amor pelas coisas vis\u00edveis que \u00e9 a tua ora\u00e7\u00e3o em frente do grande Deus invis\u00edvel. (Livro Sexto, 1962)<\/p>\n<p>\u00c9 ela pr\u00f3pria que afirma:<\/p>\n<p>\u201c\u2026aquele que v\u00ea o espantoso esplendor do Mundo \u00e9 logica-mente levado a ver o espantoso sofrimento do Mundo\u2026E \u00e9 por isso que a poesia \u00e9 uma moral. E \u00e9 por isso que o poeta \u00e9 levado a buscar a justi\u00e7a pela pr\u00f3pria natureza da sua poesia. E a busca da justi\u00e7a \u00e9 sempre uma coordenada fundamental de toda a obra po\u00e9tica\u2026\u201d (discurso ao receber o Grande Pr\u00e9mio de Poesia)<\/p>\n<p>Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil<\/p>\n<p>Actividade<\/p>\n<p>A Caixa das Palavras<\/p>\n<p>Aos jovens foi proposto que, tendo como base aquilo que podemos comunicar atrav\u00e9s da express\u00e3o escrita, pudesse surgir no grupo a caixa das palavras. Nesta caixa, est\u00e3o variados pap\u00e9is com palavras ou pequenas express\u00f5es retirados de poemas da Sophia de Mello Breyner (por exemplo: paz, esperan\u00e7a, justi\u00e7a, vida, verdade, liberdade, povos destru\u00eddos, pecado, pe\u00e7o-Te, princ\u00edpio, sil\u00eancio, escuto, Deus, mar, universo, presen\u00e7a\u2026). A caixa das palavras circula por todos e cada um tira um papel. Todos s\u00e3o convidados a escrever um pequeno texto po\u00e9tico (prosa ou verso) com base na palavra que lhe coube. Os textos s\u00e3o colocados na caixa e redistribu\u00eddos. Haver\u00e1 partilha dos textos constru\u00eddos por cada um. <\/p>\n<p>Reflex\u00e3o sobre aquilo que podemos comunicar atrav\u00e9s da express\u00e3o escrita e daquilo que os outros nos comunicam. Comunicamos aquilo em que acreditamos?<\/p>\n<p>A Sophia de Mello Breyner foi algu\u00e9m que comunicou aquilo em que acreditava.<\/p>\n<p>O encontro de jovens poderia terminar com a leitura de um dos poemas da escritora em jeito de ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A paz sem vencedor e sem vencidos<\/p>\n<p>Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos<\/p>\n<p>A paz sem vencedor e sem vencidos.<\/p>\n<p>Que o tempo que nos deste seja um novo<\/p>\n<p>Recome\u00e7o de esperan\u00e7a e de justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos<\/p>\n<p>A paz sem vencedor e sem vencidos.<\/p>\n<p>Erguei o nosso ser \u00e0 transpar\u00eancia<\/p>\n<p>Para podermos ler melhor a vida<\/p>\n<p>Para entendermos vosso mandamento<\/p>\n<p>Para que venha a n\u00f3s o vosso reino.<\/p>\n<p>Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos<\/p>\n<p>A paz sem vencedor e sem vencidos.<\/p>\n<p>Fazei Senhor que a paz seja de todos:<\/p>\n<p>Dai-nos a paz que nasce da verdade<\/p>\n<p>Dai-nos a paz que nasce da justi\u00e7a<\/p>\n<p>Dai-nos a paz chamada liberdade.<\/p>\n<p>Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos<\/p>\n<p>A paz sem vencedor e sem vencidos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 procura do rosto de Cristo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[51],"tags":[],"class_list":["post-5878","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jovens"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5878","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5878"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5878\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5878"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5878"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5878"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}