{"id":5898,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5898"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"lima-vidal-e-santa-teresinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/lima-vidal-e-santa-teresinha\/","title":{"rendered":"Lima Vidal e Santa Teresinha"},"content":{"rendered":"<p>O facto de o nosso Correio do Vouga informar, no seu \u00faltimo n\u00famero (pg. 2), que D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal \u201ctinha uma rel\u00edquia de Santa Teresinha\u201d, sugeriu-me que escrevesse algo sobre este tema.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, n\u00e3o devo esquecer que o ilustre aveirense, sobretudo ap\u00f3s a canoniza\u00e7\u00e3o de Santa Teresa do Menino Jesus em 1925 e a declara\u00e7\u00e3o oficial como co-padroeira das Miss\u00f5es, foi profundamente tocado pela pessoa e pela mensagem espiritual da humilde carmelita, falecida com 24 anos, em 1897. E tanto assim foi que, decorrido algum tempo, acrescentou no seu bras\u00e3o episcopal, at\u00e9 a\u00ed apenas com os atributos episcopais e com as refer\u00eancias ao pr\u00f3prio nome, a alus\u00e3o a Santa Teresinha (cruz e rosas), al\u00e9m da men\u00e7\u00e3o ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus.<\/p>\n<p>Entre os minist\u00e9rios que desempenhou ao servi\u00e7o da Igreja, Lima Vidal tamb\u00e9m foi arcebispo-bispo de Vila Real de Tr\u00e1s-os-Montes, desde 1923 at\u00e9 1933, e superior geral da Sociedade Portuguesa das Miss\u00f5es Cat\u00f3licas Ultramarinas (hoje, Sociedade Mission\u00e1ria da Boa-Nova), nos anos de 1930 a 1940. Sobretudo nesta \u00faltima qualidade, precisou de se deslocar a Roma, por diversas vezes, para ouvir os pareceres e os conselhos de alguns respons\u00e1veis da Santa S\u00e9, do cardeal secret\u00e1rio de Estado de Sua Santidade (Mons. Eug\u00e9nio Pacelli) e do pr\u00f3prio Sumo Pont\u00edfice Pio XI \u2013 o \u201cPapa das Miss\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Uma dessas desloca\u00e7\u00f5es aconte-ceu no ver\u00e3o de 1931. Depois de v\u00e1rias entrevistas nas Congrega\u00e7\u00f5es Romanas, na manh\u00e3 do dia 13 de Julho ocorreu o encontro com o Papa. Neste momento, limito-me a transcrever o que o pr\u00f3prio D. Jo\u00e3o Evangelista anotou, em caderno de apontamentos, arquivado na C\u00faria Diocesana de Aveiro:<\/p>\n<p>&#8211; O camareiro, abrindo a porta do gabinete, anunciou ao Sumo Pont\u00edfice: &#8211; \u2018Il vescovo di Vila Real\u2019. O Santo Padre estava absorvido na leitura de um livro estranho, indicando com uma pequena faca o ponto em que deixava a leitura. \u00c0 minha voz, logo que cheguei \u00e0 sua presen\u00e7a, Pio XI levantou a cabe\u00e7a e saudou-me afectuosamente. Come\u00e7ou a audi\u00eancia. Eu expus os fins da minha ida a Roma, as gra\u00e7as que suplicava, de um modo especial a de um aux\u00edlio, visto n\u00e3o poder ser dispensado por agora da direc\u00e7\u00e3o dos Col\u00e9gios [da Sociedade Mission\u00e1ria]. O Papa perguntou-me se j\u00e1 tinha falado nisso. Eu respondi que sim, na Secretaria de Estado. Ele fez um gesto de possibilidade. Eu julgava que ele j\u00e1 estivesse conhecedor de todas as coisas. Falei-lhe na situa\u00e7\u00e3o do director geral e na necessidade de pessoal para os Col\u00e9gios. O Santo Padre ficou especialmente contente, quando lhe li a carta do Padre Mat\u00e9o e lhe contei alguma coisa acerca do Semi-n\u00e1rio de Vila Real. Levantou-se com agilidade e disse-me: &#8211; \u2018Vou dar-lhe alguma coisa para o Semin\u00e1rio\u2019. E, abrindo um arm\u00e1rio, entregou-me um relic\u00e1rio de Santa Teresinha, que eu agradeci efusivamente. O Papa acrescentou: &#8211; \u2018Quando estiver pronto o outro Semin\u00e1rio, dar-lhe-ei tamb\u00e9m outro relic\u00e1rio para ele\u2019. Mas, quase a seguir: &#8211; \u2018N\u00e3o, o melhor \u00e9 lev\u00e1-lo j\u00e1\u2019. E deu-me, num estojo, outro relic\u00e1rio n\u00e3o menos rico. Entretanto, ele tocava a campainha e entrava a minha irm\u00e3 com a sua companheira [ambas religiosas dominicanas].<\/p>\n<p>Era lindo o quadro, conforme no-lo retratou o arcebispo:<\/p>\n<p>&#8211; O Sumo Pont\u00edfice \u2013 est\u00e1vamos no dia mais aceso da luta gigantesca da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica &#8211; tinha n\u00e3o sei que ar de fadiga no semblante; a cabe\u00e7a pendia-lhe um pouco para o ombro direito e a m\u00e3o pousava molemente sobre o livro que ele tinha diante de si. As religiosas ajoelharam ambas junto do Vig\u00e1rio de Cristo, que as acolheu com o sorriso triste de quem tem a alma cheia de preocupa\u00e7\u00f5es e de sombras. Tudo era branco: a veste do Pont\u00edfice e o h\u00e1bito daquelas filhas. <\/p>\n<p>A not\u00edcia que nos deu o Correio do Vouga fundamentou-se no apontamento colhido do \u201csite\u201d santateresinha.org: &#8211; D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal era grande devoto de Santa Teresinha; recebeu do Papa uma rel\u00edquia da Florinha de Lisieux. Eu, por minha parte, aqui apenas desejei esclarecer a infor-ma\u00e7\u00e3o, completando-a com um ligeiro coment\u00e1rio testemunhal: &#8211; De facto, o venerando arcebispo, primeiro prelado da Diocese de Aveiro ap\u00f3s a sua restaura\u00e7\u00e3o, com quem convivi durante alguns anos, guardou no seu esp\u00f3lio algumas rel\u00edquias que lhe foram oferecidas; todavia, foi sobretudo algu\u00e9m que colheu e procurou viver a mensagem espiritual dos respectivos Santos e Santas \u2013 o que certamente o ajudou a seguir, a seu modo, o caminho de Jesus Cristo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O facto de o nosso Correio do Vouga informar, no seu \u00faltimo n\u00famero (pg. 2), que D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal \u201ctinha uma rel\u00edquia de Santa Teresinha\u201d, sugeriu-me que escrevesse algo sobre este tema. 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