{"id":5925,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5925"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"homenagem-a-mulher-obreira-silenciosa-de-bem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/homenagem-a-mulher-obreira-silenciosa-de-bem\/","title":{"rendered":"Homenagem \u00e0 mulher; obreira silenciosa de bem"},"content":{"rendered":"<p>A revista Sal Terrae dedica o seu \u00faltimo n\u00famero a um tema curioso que titula assim: \u201cQuem cuida dos cuidadores?\u201d Logo na apresenta\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados se recorda que \u201cas mulheres s\u00e3o as principais respons\u00e1veis dos cuidados, mas, ao mesmo tempo, s\u00e3o as mais esquecidas, ou seja, aquelas de quem menos se cuida.\u201d Ent\u00e3o se recorda que, frequentemente, exercem a tarefa de cuidar de quem delas precisa, por vezes em verdadeira solid\u00e3o, carregando em si desgaste e dor, por exemplo, perante o doente incur\u00e1vel que amam e v\u00e3o perdendo a pouco e pouco. Diz-se ainda que nos esquecemos que a pessoa que cuida tamb\u00e9m necessita de cuidados. Necessita de desabafar e de algu\u00e9m que a escute, do oxig\u00e9nio do descanso e do rosto am\u00e1vel que lhe sorria, da car\u00edcia de quem se mostra agradecido e de um ombro sobre o qual tem direito a recostar-se.<\/p>\n<p>Habituei-me a ver, reconhecer e admirar, muitas destas mulheres conhecidas ou an\u00f3nimas, her\u00f3icas e persistentes num hero\u00edsmo que se vai traduzindo, cada dia que passa, em dedica\u00e7\u00e3o sem limites e sil\u00eancios mais eloquentes que as palavras. S\u00e3o multid\u00e3o de m\u00e3es, esposas, tias e av\u00f3s, vizinhas e volunt\u00e1rias, gente que orientou por a\u00ed a sua vida a tempo inteiro, que passa despercebida e n\u00e3o rem\u00f3i ingratid\u00f5es porque tem um cora\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se nega, porque o seu saber \u00e9, sobretudo, amar e cuidar. <\/p>\n<p>Estamos numa semana em que Maria, a \u201cMulher Eterna\u201d, tem, para os crist\u00e3os, que de modo filial a veneram num dia de mem\u00f3ria de uma prerrogativa excepcional que Deus lhe fez, a favor de todos. Uma outra mulher, Teresa do Menino Jesus, que nos seus restos vener\u00e1veis peregrina pelo mundo, vai chegar at\u00e9 n\u00f3s com o seu fasc\u00ednio de jovem, viva e contagiante, que \u00e9, para este tempo de vazio, um modelo eloquente. Ela nos dar\u00e1 conta da excepcional sabedoria que pode levar \u00e0 entrega, sem reservas, ao que \u00e9 essencial para uma vida feliz e realizada. Estes dois modelos de mulher, devem estimular \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o, em sil\u00eancio agradecido, da mulher ou das mulheres das nossas vidas, que sempre aqueceram o mundo g\u00e9lido do ego\u00edsmo, e das quais seremos eternos devedores de amor, ternura e reconhecida gratid\u00e3o.<\/p>\n<p>A sociedade do consumo e do prazer, incapaz de ver al\u00e9m dos sentidos, vem empobrecendo a mulher. Por vezes, tamb\u00e9m esta, num mundo de novas e justificadas possibilidades, sob as muitas luzes que deslumbram, foi perdendo o sentido da sua singular dignidade, do seu valor e miss\u00e3o, indispens\u00e1veis \u00e0 humaniza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es pessoais, num mundo cada vez mais frio, calculista, superficial, comodista, onde v\u00e3o deixando de contar os valores morais fundamentais, deixando tudo mais pobre.<\/p>\n<p>A mulher \u00e9 sempre vocacionada para a maternidade, no sentido mais amplo desta misteriosa miss\u00e3o: m\u00e3e biol\u00f3gica, espiritual ou social. <\/p>\n<p>Por isso, a mulher m\u00e3e \u00e9 insepar\u00e1vel de cada um de n\u00f3s, e mal vai quando deixa de ser refer\u00eancia indispens\u00e1vel na nossa vida. <\/p>\n<p>Feliz daquele que \u00e9 capaz de olhar e respeitar qualquer mulher, conhecida ou n\u00e3o, com a luz interior mais pura que recebeu do amor \u00fanico da sua m\u00e3e, essa \u201cmulher eterna\u201d, que a mem\u00f3ria do cora\u00e7\u00e3o nunca deixar\u00e1 morrer!<\/p>\n<p>O estrago social de mais graves consequ\u00eancias nos dias de hoje, e que mais afecta o presente e o futuro das pessoas e da sociedade, \u00e9 o da destrui\u00e7\u00e3o da mulher, da sua dignidade, da sua miss\u00e3o singular. Isto n\u00e3o quer dizer que ela tem de regressar a casa e voltar a ser apenas dom\u00e9stica, mas sim que ela mesma tem de ser a casa do acolhimento, do aconchego, da alegria e da paz, a escola di\u00e1ria do amor, que, mesmo quando paciente e sofrido, nunca deixa de ser criador e renovador de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Cuidar de quem cuida sem hor\u00e1rios nem descontos. A mulher ao centro e a sociedade ter\u00e1 futuro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A revista Sal Terrae dedica o seu \u00faltimo n\u00famero a um tema curioso que titula assim: \u201cQuem cuida dos cuidadores?\u201d Logo na apresenta\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados se recorda que \u201cas mulheres s\u00e3o as principais respons\u00e1veis dos cuidados, mas, ao mesmo tempo, s\u00e3o as mais esquecidas, ou seja, aquelas de quem menos se cuida.\u201d Ent\u00e3o se recorda [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-5925","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5925","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5925"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5925\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5925"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5925"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5925"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}