{"id":5943,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5943"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"o-mundo-e-o-lugar-do-acontecimento-de-salvacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-mundo-e-o-lugar-do-acontecimento-de-salvacao\/","title":{"rendered":"\u201cO mundo \u00e9 o lugar do acontecimento de salva\u00e7\u00e3o\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Entrevista a Lu\u00eds Silva, presidente da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica Rural na diocese de Aveiro <!--more--> \u201cDeus fala pelos acontecimentos. E desafia-nos a dar uma resposta na realidade concreta\u201d, diz Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva, 32 anos, casado, te\u00f3logo e professor de EMRC. Presidente da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica Rural (ACR) na diocese de Aveiro e vice-presidente da equipa nacional, nesta segunda entrevista sobre os movimentos apost\u00f3licos na diocese de Aveiro, Lu\u00eds Silva defende a actualidade do movimento<\/p>\n<p>Correio do Vouga &#8211; A ACR ainda \u00e9 rural, quando o meio rural desaparece?<\/p>\n<p>Lu\u00eds Silva &#8211; Na altura do Jubileu (2000), p\u00f4s-se a hip\u00f3tese de retirar o \u201cRural\u201d do nome, devido \u00e0 ideia de o meio rural j\u00e1 n\u00e3o existir ou, pelo menos, ser muito vulner\u00e1vel \u00e0s marcas urbanas. Contudo, apesar da observa\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 grupos, como o de Vilar, na Gl\u00f3ria \u2013 Aveiro, que agora s\u00e3o mais urbanos do que h\u00e1 uns anos, constatou-se que a ruralidade persiste, ainda que as pessoas j\u00e1 n\u00e3o sejam exclusivamente marcadas pela agricultura. H\u00e1 fluxos e influ\u00eancias m\u00faltiplas. As pessoas podem n\u00e3o ser rurais, mas os problemas surgem num meio marcado pela ruralidade. Mais ainda, nesta era de globaliza\u00e7\u00e3o, falar de ruralidade \u00e9 assegurar a dimens\u00e3o de pessoalidade e unicidade de cada um. Ser rural \u00e9 contrariar o anonimato da urbanidade cosmopolita.<\/p>\n<p>O que \u00e9 espec\u00edfico da ACR?<\/p>\n<p>\u00c9 a viv\u00eancia da espiritualidade crist\u00e3 na ac\u00e7\u00e3o. Ac\u00e7\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o constituem como que um c\u00edrculo vital, em que a vida da ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a pr\u00f3pria vida da ac\u00e7\u00e3o e a ac\u00e7\u00e3o dimana da ora\u00e7\u00e3o. O m\u00e9todo da revis\u00e3o de vida, espec\u00edfico da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica (AC), \u00e9, em si, espiritualidade em ac\u00e7\u00e3o, uma vez que o Ver, Julgar (n\u00e3o um ju\u00edzo moral, mas ler a realidade \u00e0 luz crist\u00e3 da Palavra e do Magist\u00e9rio) e Agir abrem-nos os olhos para realidades interpelantes \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3. Formar, participar, corresponsabilizar, evangelizar s\u00e3o os grandes objectivos que mobilizam o movimento.<\/p>\n<p>Por vezes, entre pessoas da Igreja, persiste a ideia de que a AC est\u00e1 ultrapassada&#8230;<\/p>\n<p>Mas a AC tem cada vez mais legitimidade e necessidade de exis-tir! N\u00e3o por necessidade do movimento, que n\u00e3o \u00e9 um fim em si mesmo, mas por fidelidade ao mundo de hoje e ao evangelho que desafia a Igreja a encontrar linguagens pertinentes para cada tempo. Mais ainda, \u00e9 curioso notar que muitas das estrat\u00e9gias que a Igreja usa, nas suas ac\u00e7\u00f5es pastorais, est\u00e3o imbu\u00eddas da din\u00e2mica da AC.<\/p>\n<p>A AC foi inovadora ao aproximar os crist\u00e3os do mundo, contra os que entendiam que o mundo era motivo de afastamento dos crist\u00e3os. Hoje, a inova\u00e7\u00e3o \u00e9 reconhecer o mundo como o lugar do acontecimento de salva\u00e7\u00e3o. Deus fala pelos acontecimentos. E desafia-nos a dar uma resposta na realidade concreta.<\/p>\n<p>Como est\u00e1 a ACR na diocese de Aveiro?<\/p>\n<p>Depois das segundas jornadas sociais, em 1993, que trouxe gente de todas as dioceses aos pavilh\u00f5es da antiga Feira de Mar\u00e7o, a ACR entrou num novo per\u00edodo, marcado pelo rejuvenescimento. Muitos dos que tinham constitu\u00eddo os grupos juvenis da AC reintegraram o movimento, j\u00e1 noutra fase das suas vidas. E crist\u00e3os que nunca tinham contactado com o movimento, reconheceram, no seu modo de agir, uma resposta pertinente para os desafios deste tempo, que pede aos crist\u00e3os que actuem em coer\u00eancia com a sua f\u00e9. Naturalmente que isso teve efeitos. Muitos dos grupos vieram a ser constitu\u00eddos por gente de faixas et\u00e1rias mais jovens, com toda a carga de entusiasmo, mas tamb\u00e9m com a fragilidade de compromisso que tal comporta.<\/p>\n<p>Tem havido dificuldade de crescimento, em conseguir que o movimento chegue a mais partes?<\/p>\n<p>A ACR confronta-se com alguma ignor\u00e2ncia por parte dos l\u00edderes das pr\u00f3prias comunidades. Enviei a todas as par\u00f3quias da diocese uma breve caracteriza\u00e7\u00e3o do movimento e sua import\u00e2ncia e poucos ecos obtive.<\/p>\n<p>Sendo um movimento de ac\u00e7\u00e3o, que lugar tem nele a interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica?<\/p>\n<p>A ACR \u00e9 um movimento de empenhamento pol\u00edtico (na polis, na sociedade) &#8211; o que n\u00e3o quer dizer partid\u00e1rio -, porque procura solu\u00e7\u00f5es para os problemas da sociedade. Os que aderem ao movimento vivem esse empenhamento, que depois pode levar, de facto, ao compromisso partid\u00e1rio, atingindo todo o espectro partid\u00e1rio. H\u00e1 uma longa tradi\u00e7\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o de l\u00edderes nos movimentos da AC. Alguns ocupam mesmo lugar de destaque na sociedade portuguesa. H\u00e1 uns anos, realizou-se um encontro nacional de autarcas da ACR, a que, neste ano, se pretende dar seguimento, porque considera-mos que a interven\u00e7\u00e3o nos lugares de decis\u00e3o social pode ser, em coer\u00eancia crist\u00e3, um sinal de efectivo compromisso na hist\u00f3ria de salva\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p>Neste momento quais s\u00e3o as preocupa\u00e7\u00f5es e actividades da ACR?<\/p>\n<p>Ainda estamos no in\u00edcio de um ciclo de tr\u00eas anos (2005-2007), \u201cSonhar e desenhar o futuro\u201d, em que cada militante \u00e9 o construtor da transforma\u00e7\u00e3o, neste pa\u00eds marcado por mudan\u00e7as t\u00e3o r\u00e1pidas.<\/p>\n<p>Em 2005\/6, as nossas aten\u00e7\u00f5es est\u00e3o na defesa da vida e educa\u00e7\u00e3o sexual, numa vis\u00e3o personalista. Recentemente, realiz\u00e1mos um semin\u00e1rio nacional sobre o tema. H\u00e1 dias, organiz\u00e1mos uma escola de dirigentes (forma\u00e7\u00e3o de l\u00edderes); e dentro em breve, 7 e 8 de Janeiro, concretizaremos um curso de animadores (para militantes e simpatizantes do movimento).<\/p>\n<p>O que \u00e9 preciso para formar um grupo ACR?<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 preciso ter muita gente. S\u00e3o precisas tr\u00eas ou mais pessoas que se re\u00fanam, atentas \u00e0 realidade envolvente, vendo os problemas que emergem no seu meio (Ver) e predispondo-se a agir em coer\u00eancia com a reflex\u00e3o crist\u00e3 (Julgar e Agir).<\/p>\n<p>A ACR tem apoios para grupos em inicia\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da equipa diocesana, que se presta a ajudar no in\u00edcio e em cada etapa da vida dos grupos, e dos referidos encontros de animadores e l\u00edderes, \u00e9 poss\u00edvel uma articula\u00e7\u00e3o com os grupos geograficamente pr\u00f3ximos, socorrendo-se de todos os recursos materiais de que o movimento disp\u00f5e, particularmente revistas e manuais para grupos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista a Lu\u00eds Silva, presidente da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica Rural na diocese de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-5943","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diocese"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5943","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5943"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5943\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5943"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5943"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5943"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}