{"id":5955,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5955"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"professor-de-15-mil-alunos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/professor-de-15-mil-alunos\/","title":{"rendered":"Professor de 15 mil alunos"},"content":{"rendered":"<p>Padre Jesu\u00edta, Universit\u00e1rio, Classicista, Fil\u00f3sofo, Cr\u00edtico Liter\u00e1rio e Pedagogo <!--more--> D. Manuel Clemente, Eduardo Louren\u00e7o, Eduardo Prado Coelho, Jos\u00e9 Pacheco Pereira, Guilherme d\u2019Oliveira Martins, Jo\u00e3o B\u00e9nard da Costa, Edgar Morin, Manuela Silva e o general Loureiro dos Santos s\u00e3o alguns dos nomes que v\u00e3o intervir no congresso internacional dedicado ao padre jesu\u00edta Manuel Antunes, nos dias 15, 16 e 17 de Dezembro, a prop\u00f3sito do vig\u00e9simo anivers\u00e1rio da sua morte. O congresso decorre em tr\u00eas locais, na Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e na Sert\u00e3, de onde Manuel Antunes era natural, e est\u00e1 estruturado em grandes pain\u00e9is tem\u00e1ticos que centraram a reflex\u00e3o do jesu\u00edta: Cultura e Civiliza\u00e7\u00e3o, Cr\u00edtica Liter\u00e1ria e Est\u00e9tica, Educa\u00e7\u00e3o\/Pedagogia\/Ensino, Religi\u00e3o\/Teologia\/Espiritualidade, Pol\u00edtica\/Constru\u00e7\u00e3o da Democracia, Filosofia e Ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Manuel Antunes nasceu em 1918, na Sert\u00e3, e ingressou no semin\u00e1rio dos jesu\u00edtas, em Guimar\u00e3es, em 1931. Fez a primeira profiss\u00e3o religiosa na Companhia de Jesus em 1938, licenciou-se em Filosofia (Braga) em 1943 e foi ordenado padre em 1949, antes de completar a licenciatura em Teologia (Granada, Espanha).<\/p>\n<p>De 1965 a 1982 foi director da revista Brot\u00e9ria (com breve interrup\u00e7\u00e3o de 72 a 75), tendo usado 124 pseud\u00f3nimos para assinar artigos. \u201cO recurso intensivo \u00e0 pseudon\u00edmia pode ser explicado pela necessidade de fabricar apar\u00eancia de diversifica\u00e7\u00e3o autoral. quando precisava de escrever v\u00e1rios artigos num mesmo n\u00famero da revista; e ainda como estrat\u00e9gia para iludir a censura do estado Novo, que averiguava mensalmente os conte\u00fados publicados\u201d, l\u00ea-se num texto dos investigadores Jos\u00e9 Eduardo Franco e Lu\u00eds Machado de Abreu (professor na Universidade de Aveiro), antigos alunos de Manuel Antunes (ver artigo em www.manuelantunes-sj.com).<\/p>\n<p>Em 1957, Manuel Antunes foi convidado pelo professor Vitorino Nem\u00e9sio para leccionar na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. \u201cNesta institui\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria come\u00e7ou por ensinar Hist\u00f3ria da Cultura Cl\u00e1ssica e Hist\u00f3ria da Civiliza\u00e7\u00e3o Romana. Mais tarde regeu tamb\u00e9m as cadeiras de Filosofia Antiga e Ontologia, al\u00e9m de ter orientado diversos semin\u00e1rios\u201d, diz o referido texto na Internet.<\/p>\n<p>Em 27 anos, ter\u00e3o passado pelas aulas de Manuel Antunes cerca de 15 mil alunos, entre os quais Sophia de Mello Breyner e Eduardo Prado Coelho. A poeta afirmou um dia que o \u201co mestre, grande amigo e exemplo humano\u201d era \u201caberto a tudo quando aparecia de novo\u201d.  J\u00e1 o cr\u00edtico liter\u00e1rio confessou, h\u00e1 dias, na sua coluna do jornal P\u00fablico (01-12-05), que Manuel Antunes foi o seu \u201csegundo mestre\u201d, a par de Lindley Cintra, e que passava dias inteiros na Biblioteca Nacional, em Paris, apenas com \u201cuma ma\u00e7\u00e3zita que levara de casa\u201d. Diz ainda Prado Coelho: \u201cEra um homem extremamente escrupuloso. Quando o meu pai [Jacinto Prado Coelho] lhe emprestou um livro, ele telefonou a perguntar se podia ler as notas que o meu pai escrevera nas margens\u201d. <\/p>\n<p>\u201cAs v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de alunos que formou muito apreciavam neste pedagogo brilhante a sua vast\u00edssima cultura, o seu poder de s\u00edntese, a clareza e o vigor da exposi\u00e7\u00e3o, a sua atitude modesta, acolhedora, af\u00e1vel e comunicativa\u201d, afirmam J.E. Franco e L. M. de Abreu.<\/p>\n<p>Manuel Antunes destacou-se como um dos mais brilhantes pensadores do s\u00e9culo XX portugu\u00eas.<\/p>\n<p>A partir deste m\u00eas, com a reedi\u00e7\u00e3o de \u201cRepensar Portugal\u201d (Ed. Multinova), e os primeiros dois (de doze) volumes de Obras Completas (Ed. da Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian) o seu contributo para a cultura e pol\u00edtica portuguesas poder\u00e1 ser devidamente apreciado.<\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n<p>Frases soltas de Manuel Antunes<\/p>\n<p>\u201cAlguns prefeririam mesmo dizer despartidarizar. N\u00e3o vamos t\u00e3o longe. Em democracia, os partidos s\u00e3o necess\u00e1rios, porque exercem m\u00faltiplas fun\u00e7\u00f5es, de outro modo dificilmente substitu\u00edveis. (&#8230;) N\u00e3o \u00e9 de estranhar que o p\u00fablico, em escala pouco recomend\u00e1vel, comece a descrer deles, a apont\u00e1-los como fautores dos nossos males, a descrev\u00ea-los como portadores, n\u00e3o da democracia, mas da mediocracia, a senti-los divorciados dos problemas reais daqueles que confiadamente elegeram (&#8230;), a olhar as suas estruturas como vias de carreirismo e oportunismo, subtil ou simpl\u00f3rio. Da\u00ed a pensar que a sua exist\u00eancia \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 in\u00fatil mas prejudicial, a dist\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 grande\u201d.<\/p>\n<p>in \u201cRepensar Portugal\u201d<\/p>\n<p>\u201cCome\u00e7ar por modificar os homens ou alterar as estruturas? Pergunta v\u00e3, muito semelhante \u00e0 da prioridade do ovo ou da galinha. Em vez da disjuntiva, a conjuntiva. Homens e estruturas devem ir transformando-se numa interac\u00e7\u00e3o rec\u00edproca, persistente e l\u00facida, num processo que jamais v\u00ea o seu termo\u201d.<\/p>\n<p>Citado por Eduardo Prado Coelho<\/p>\n<p>\u201cUma educa\u00e7\u00e3o ou \u00e9 total ou simplesmente n\u00e3o \u00e9. Uma educa\u00e7\u00e3o ou tem em conta todas as aspira\u00e7\u00f5es do homem ou n\u00e3o passa de um logro\u201d.<\/p>\n<p>in \u201cEduca\u00e7\u00e3o e Sociedade\u201d<\/p>\n<p>\u201cQue se pretende fazer do homem? \u00c9 a esta pergunta que se prop\u00f5e responder a filosofia da educa\u00e7\u00e3o.(&#8230;) O homem tem necessidade de valores em que possa acreditar, de modelos que possa seguir. Quando esses valores e esses modelos faltam ou diminuem na sua incentividade, \u00e9 o caos moral, a anarquia, a desorienta\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>in \u201cEduca\u00e7\u00e3o e Sociedade\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Jesu\u00edta, Universit\u00e1rio, Classicista, Fil\u00f3sofo, Cr\u00edtico Liter\u00e1rio e Pedagogo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-5955","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5955","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5955"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5955\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5955"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5955"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5955"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}