{"id":5967,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=5967"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"a-esperanca-e-a-alavanca-que-levanta-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-esperanca-e-a-alavanca-que-levanta-o-mundo\/","title":{"rendered":"\u201cA esperan\u00e7a \u00e9 a alavanca que levanta o mundo\u201d"},"content":{"rendered":"<p>O Alto Comiss\u00e1rio para os Imigrantes e Minorias \u00c9tnicas, Rui Marques, esteve no Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura, na noite de 7 de Dezembro, e mostrou a sua vis\u00e3o dos imigrantes, dos recentes problemas sociais em Fran\u00e7a, ou do caminho que a Europa est\u00e1 a seguir. Uma vis\u00e3o cr\u00edtica, desassombrada, realista, mas acima de tudo cheia de esperan\u00e7a. Excertos de uma conversa de duas horas.<\/p>\n<p>Conflito ou encontro?<\/p>\n<p>As dicotomias do \u201cou\u201d devem ser postas de lado. Vivemos um tempo de conflito e de encontro. Tem sido muito acentuada pela din\u00e2mica medi\u00e1tica a dimens\u00e3o do conflito, desde o atentado \u00e0s Torres g\u00e9meas. H\u00e1 dimens\u00f5es importantes de conflito entre o Ocidente e o Isl\u00e3o que importa n\u00e3o ignorar, mas n\u00e3o s\u00e3o as mesmas que os m\u00eddia nos trazem.<\/p>\n<p>Os m\u00eddia s\u00e3o como as salas de espelhos<\/p>\n<p>Vivemos num contexto de sala de espelhos, onde uma pessoa se v\u00ea mais gorda, mais magra, aos bocados, complemente distorcida na sua realidade. Os m\u00eddia deformam significativamente a realidade nas suas propor\u00e7\u00f5es e relev\u00e2ncia. A dimens\u00e3o do conflito tem sido real\u00e7ada pelos m\u00eddia.<\/p>\n<p>O comum \u00e9 que nos separa<\/p>\n<p>Todo o discurso do conflito \u00e9 estruturado em fun\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as. S\u00e3o assumidas diferen\u00e7as. Mas o problema n\u00e3o est\u00e1 no que nos separa, mas no que nos \u00e9 comum, como naquela hist\u00f3ria magn\u00edfica do \u201cs\u00e9culo crist\u00e3o\u201d do Jap\u00e3o. No in\u00edcio, os mission\u00e1rios europeus foram bem acolhidos. Tal como os comerciantes. Mas, quando chegam os militares, os japoneses pensam que vai acontecer a guerra que estava a suceder nas Filipinas e martirizam os mission\u00e1rios e os crist\u00e3os. O desejo de dom\u00ednio era comum. A\u00ed \u00e9 que est\u00e1 a raiz do conflito. E n\u00e3o no que separa.<\/p>\n<p>Diversidade Cultural<\/p>\n<p>Se as diferentes comunidades humanas n\u00e3o conseguirem gerir a diversidade em di\u00e1logo, a humanidade n\u00e3o tem futuro. Num contexto de globaliza\u00e7\u00e3o, de grande mobilidade humana, de grande influ\u00eancia de meios de comunica\u00e7\u00e3o social e das telecomunica\u00e7\u00f5es, \u00e9 inevit\u00e1vel o contacto pr\u00f3ximo e permanente entre civiliza\u00e7\u00f5es e comunidades humanas (Novembro de 2001, dez anos depois da Cimeira do Rio: Declara\u00e7\u00e3o Universal de Diversidade Cultural).<\/p>\n<p>Estamos cheios de ouvir falar de mutila\u00e7\u00e3o genital feminina, de v\u00e9u, burka,  sh\u00e1ria&#8230; e pouqu\u00edssimos de n\u00f3s saberemos os princ\u00edpios fundamentais do Isl\u00e3o, a toler\u00e2ncia e abertura que a civiliza\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica trouxe \u00e0 Europa.<\/p>\n<p>Inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3 da UE<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Europeia \u00e9 das express\u00f5es pol\u00edticas mais importantes de inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3 do \u00faltimo s\u00e9culo. A ideia de que \u00e9 poss\u00edvel dois inimigos ferozes, a Alemanha e a Fran\u00e7a, constru\u00edrem uma plataforma de paz, de coopera\u00e7\u00e3o, de partilha da riqueza, partiu de homens com uma vis\u00e3o crist\u00e3 do mundo: Robert Schuman (com inspira\u00e7\u00e3o de Monet) e Adenauer. Estruturam o projecto europeu nos pilares da solidariedade e da partilha da riqueza, da unidade na diversidade, da aus\u00eancia de fronteiras, da liberdade de circula\u00e7\u00e3o de pessoas e bens. \u00c9 a isso que se devem 50 anos de paz na Europa. Uma vis\u00e3o ut\u00f3pica que funciona.<\/p>\n<p>Se algu\u00e9m deve empenhar-se no projecto europeu, s\u00e3o os cat\u00f3licos, como preconizava um documento do episcopado europeu em Maio \u00faltimo. O projecto europeu \u00e9 profundamente crist\u00e3o. <\/p>\n<p>Ego\u00edsmo =  suic\u00eddio<\/p>\n<p>Quando hoje se diz que na \u00e1rea da imigra\u00e7\u00e3o nada se pode fazer sem uma mais justa reparti\u00e7\u00e3o da riqueza do mundo, os pragm\u00e1ticos da pol\u00edtica dizem que isso \u00e9 um lirismo, \u201c\u00e9 s\u00f3 conserva\u201d. Mas foi assim que o projecto europeu avan\u00e7ou, a partir do sentido de partilha da vis\u00e3o dos \u201cpais fundadores\u201d. \u00c9 a \u00fanica maneira de chegar a maior desenvolvimento. A vis\u00e3o ego\u00edsta \u00e9 suicida. A corrente discuss\u00e3o das perspectivas financeiras europeias para 2007\/2013 est\u00e1 a ser uma nega\u00e7\u00e3o completa do fundamento da Europa: o projecto de solidariedade para com os mais pobres.<\/p>\n<p>Melhor e pior modelo<\/p>\n<p>A utopia \u00e9 poss\u00edvel. A utopia chama-se projecto europeu.  Quando me perguntam qual o modelo para a quest\u00e3o da imigra\u00e7\u00e3o no mundo, s\u00f3 conhe\u00e7o um, o modelo intra-europeu. <\/p>\n<p>E qual \u00e9 o pior modelo? \u00c9 tamb\u00e9m o europeu, na rela\u00e7\u00e3o da Europa com pa\u00edses terceiros, porque quando a Europa cultiva a atitude ego\u00edsta para com os vizinhos, est\u00e1 a ser completamente suicida. A Europa fortaleza \u00e9 um projecto suicida. O muro \u00e0 volta da Europa n\u00e3o det\u00e9m os fluxos migrat\u00f3rios. Pensar isso \u00e9 de uma total falta de vis\u00e3o total.<\/p>\n<p>\u201cExportamos homens\u201d<\/p>\n<p>Um marroquino dizia: \u201cAi n\u00e3o compram as nossas laranjas? N\u00f3s exportamos homens!\u201d A iniquidade da PAC seca completamente os mercados \u00e0 nossa volta, devido \u00e0 l\u00f3gica proteccionista da Europa.E o principal pa\u00eds benefici\u00e1rio da PAC \u00e9 a Fran\u00e7a, que agora est\u00e1 a pagar a factura da PAC, com a viol\u00eancia urbana. \u201cE isto n\u00e3o \u00e9 mais do que o aperitivo\u201d \u2013 dizia-se num jornal ingl\u00eas.<\/p>\n<p>Mesa com lugar para todos<\/p>\n<p>Imaginem o que \u00e9 come\u00e7ar um di\u00e1logo com perguntas deste g\u00e9nero: \u201cComo tratam as vossas mulheres? Como aplicam a justi\u00e7a em contexto religioso?\u201d Como se constr\u00f3i di\u00e1logo, se queremos que todos comam uma comida semelhante \u00e0 nossa, com os nossos talheres, segundo as nossas regas?  A mesa com lugar para todos \u00e9 uma met\u00e1fora fant\u00e1stica. Os talheres, os pratos e os bancos s\u00e3o diferentes. A partir da diferen\u00e7a \u00e9 poss\u00edvel construir o sentido da comunh\u00e3o e do di\u00e1logo.<\/p>\n<p>Interculturalidade<\/p>\n<p>A l\u00f3gica da dupla perten\u00e7a \u00e9 perfeitamente poss\u00edvel. A proposta da interculturalidade \u2013 aceitando, respeitando, estimando, conhecendo a diferen\u00e7a do outro, n\u00e3o fazendo uma permanente press\u00e3o de equaliza\u00e7\u00e3o (de transforma\u00e7\u00e3o do outro num igual a mim) \u00e9 o \u00fanico projecto de futuro para a Europa.  Os modelos assimilacionista (franc\u00eas) e multicultural (holand\u00eas) est\u00e3o em crise. \u00c9 preciso fomentar o inter-cultural.<\/p>\n<p>A interculturalidade n\u00e3o \u00e9 abandonar a nossa identidade \u2013 n\u00e3o se constroem pontes sem duas margens. Mas s\u00f3 faz sentido na medida em que \u00e9 suporte para a constru\u00e7\u00e3o da ponte. E, no dia seguinte \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da ponte, as duas margens v\u00e3o-se transformando por via da comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esperan\u00e7a<\/p>\n<p>A esperan\u00e7a \u00e9 o tra\u00e7o distintivo da minha interven\u00e7\u00e3o na sociedade civil. Esperan\u00e7a fundamentada e vivida a partir da ideia do amor. O nosso tempo \u00e9 constru\u00eddo com um discurso de falta de esperan\u00e7a. Quem faz um discurso optimista \u00e9 considerado tonto. Um l\u00edrico. Um ut\u00f3pico. E o pessimista \u00e9 considerado inteligente. A esperan\u00e7a \u00e9 a \u00fanica alavanca que levanta qualquer peso. Levanta o mundo.<\/p>\n<p>Acreditar que h\u00e1 uma esperan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 ignorar a realidade. N\u00e3o \u00e9 termos um olhar tonto no sentido de n\u00e3o percebermos as complexidades, n\u00e3o percebermos que esse caminho \u00e9 o da porta estreita. Esse \u00e9 o caminho mais dif\u00edcil, mas n\u00e3o h\u00e1 outro. A ilus\u00e3o de que h\u00e1 uma porta larga, chamada seguran\u00e7a, chamada pol\u00edcia, fronteira, proteccionismo, \u00e9 uma mentira, \u00e9 uma proposta profundamente suicid\u00e1ria para a Europa.<\/p>\n<p>Multid\u00f5es da esperan\u00e7a<\/p>\n<p>Os imigrantes s\u00e3o as multid\u00f5es da esperan\u00e7a (como descobriu a prefeita de S. Paulo, nas favelas dessa cidade do Brasil ). Acreditam que \u00e9 poss\u00edvel melhorar a vida. \u00c9 poss\u00edvel ultrapassar os maiores obst\u00e1culos pela conquista de um sonho. Procuro ter sempre presente a ideia da esperan\u00e7a. \u00c9 por ela que somos capazes de construir algo diferente.<\/p>\n<p>Modelo canadiano<\/p>\n<p>A Europa prev\u00ea investir 6 mil milh\u00f5es de euros em pol\u00edticas de imigra\u00e7\u00e3o: dois ter\u00e7os para fronteiras e retorno volunt\u00e1rio; um ter\u00e7o para integra\u00e7\u00e3o. Esta pol\u00edtica \u00e9 profundamente errada, \u00e9 a da Europa Fortaleza, da l\u00f3gica proteccionista.<\/p>\n<p>O Canad\u00e1 \u00e9 um pa\u00eds constru\u00eddo por emigrantes, como todos os maiores do mundo: EUA, Canad\u00e1, Austr\u00e1lia. Adoptou, em 1971, um modelo intercultural, que motiva um fort\u00edssimo sentimento de perten\u00e7a (ao fim de tr\u00eas anos de presen\u00e7a no territ\u00f3rio \u00e9 poss\u00edvel a dupla nacionalidade) e respeita a identidade.<\/p>\n<p>O ministro do multiculturalismo \u00e9 um homem de origem chinesa que chegou ao Canad\u00e1 aos 17 anos. \u201cEstou aqui como ministro do Canad\u00e1, mas os tra\u00e7os da minha cara n\u00e3o se apagam jamais\u201d \u2013 disse, um dia, na Indon\u00e9sia, num contexto de forte oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade chinesa naquele pa\u00eds. <\/p>\n<p>Todos os anos o Canad\u00e1 recebe 250 mil imigrantes. \u201cFaz parte da nossa maneira de ser e viver receber emigrantes\u201d &#8211; dizem. \u00c9 um bom modelo. O melhor de todos pode ser a Europa: aus\u00eancia de fronteira, ajuda ao desenvolvimento, unidade na diversidade.<\/p>\n<p>Gabinete no bairro de lata<\/p>\n<p>Na semana passada instalei o meu gabinete, tr\u00eas dias, na Quinta da Serra, no Prior Velho, \u00e0 entrada de Lisboa, onde h\u00e1 1600 pessoas, a maioria imigrantes, em barracas. Pretendi duas coisas: 1) aproximar-me das pessoas, de forma a poder ouvi-las e 2) dar um sinal. Na pol\u00edtica, h\u00e1 uma enorme dist\u00e2ncia entre quem est\u00e1 em cima e as pessoas. Tenho procurado contrariar essa dist\u00e2ncia. O meu gabinete, no Alto Comissariado, funciona no mesmo s\u00edtio onde temos mil imigrantes por dia. Cruzo-me todos os dias com centenas de imigrantes. Esta ida teve o sentido pr\u00e1tico de perceber os problemas das pessoas, que n\u00e3o me chegam por estudos ou relat\u00f3rios.<\/p>\n<p>Pessoas iguaizinhas a n\u00f3s<\/p>\n<p>Mais importante do que isso \u00e9 a dimens\u00e3o simb\u00f3lica. Quis mostrar que a l\u00f3gica de segrega\u00e7\u00e3o, de bairros proibidos, de s\u00edtios onde n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel entrar sem seguran\u00e7a n\u00e3o faz nenhum sentido. Aquelas pessoas s\u00e3o iguaizinhas a n\u00f3s. Sentem da mesma maneira e t\u00eam os mesmos anseios. Convidei os jornalistas e a falar com elas sem ser por ter havido rusgas policiais, tr\u00e1fico de droga ou deten\u00e7\u00e3o de imigrantes ilegais: \u201cPercebam o drama de dormir nas barracas, de n\u00e3o ter um centro de apoio escolar \u2013 o grande anseio do bairro &#8211; , de n\u00e3o terem acesso ao emprego, porque quando no curr\u00ed-culo vai a fotografia ou o nome do bairro, p\u00f5em-no logo de lado\u201d.<\/p>\n<p>Sabemos acolher<\/p>\n<p>O nosso slogan \u00e9 \u201cAcolher e Integrar\u201d. Acolher \u00e9 ser capaz de nos abrirmos ao outro, de o recebermos de bra\u00e7os abertos. Isto \u00e9 um enorme desafio para Portugal, apesar de ser um dos nossos mitos fundadores. Temos capacidade de acolhimento. Um relat\u00f3rio de 2003 dizia que nenhum pa\u00eds de Europa duplicou o n\u00famero de imigrantes em dois anos sem sofrer uma crise xen\u00f3foba. Ora, Portugal aumentou de 200 mil para 400 mil, sem nenhuma crise, e isto em contexto de crise econ\u00f3mica. H\u00e1 sinais de uma capacidade espec\u00edfica dos portugueses para acolher (a nossa extrema Direita \u00e9 das mais baixas da Europa). Mas o acolhimento pode estar marcado num primeiro tempo por uma simpatia e a seguir por aquela exig\u00eancia: \u201cou \u00e9s igual a n\u00f3s ou n\u00e3o tens lugar\u201d. <\/p>\n<p>Maior desafio<\/p>\n<p>Construir o Portugal intercultural. Refor\u00e7ar a dimens\u00e3o do acolhimento: hospitalidade e integra\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o da plena cidadania. Reconhecer o outro como um igual. Al\u00e9m da integra\u00e7\u00e3o dos imigrantes (trabalho, sa\u00fade, habita\u00e7\u00e3o, justi\u00e7a), o maior desafio \u00e9 construir na sociedade portuguesa uma atitude de abertura e toler\u00e2ncia. E isso faz-se com pin\u00e7as todos os dias.<\/p>\n<p>Trabalho medi\u00e1tico<\/p>\n<p>Criar permanentemente na sociedade portuguesa uma atitude tolerante passa por um trabalho medi\u00e1tico. No dia 18 de Dezembro, distribu\u00edmos, com o Correio da Manh\u00e3, um DVD com hist\u00f3rias de vida de imigrantes, para que as pessoas possam ver quem s\u00e3o e o que fazem, como sofrem, como vivem. T\u00edtulo: \u201cGente como n\u00f3s \u2013 vidas de imigrante\u201d.<\/p>\n<p>Epis\u00f3dio de Carcavelos<\/p>\n<p>As pessoas est\u00e3o convencidas de que houve um arrast\u00e3o com 500 jovens negros. Poucos s\u00e3o os que conseguiram desconstruir esta mentira. Quando a pol\u00edcia, no pr\u00f3prio dia, desmentiu a not\u00edcia, ningu\u00e9m ligou. Nenhum jornalista alterou o que estava a dizer. As fotografias foram tiradas por um dono de um bar que tem um profundo sentimento racista e que introduz nos m\u00eddia uma imagem com uma legenda que \u00e9 totalmente falsa.<\/p>\n<p>Fran\u00e7a<\/p>\n<p>O que aconteceu tem tr\u00eas eixos: o quadro social (a seara pronta a arder), a persegui\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia a dois jovens, que morreram (o rastilho), e depois o ministro que diz que \u00e9 preciso varrer \u00e0 mangueirada \u201ca escumalha\u201d. \u00c9 suposto ser o homem mais respons\u00e1vel. Gere pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Quando me perguntam se espero o mesmo em Portugal, acho que n\u00e3o, porque n\u00e3o temos loucos no governo. Espero que n\u00e3o tenhamos fa\u00edsca, porque combust\u00edvel n\u00e3o falta. O ministro franc\u00eas n\u00e3o fez nada de forma inocente, sabe que o que fez rendeu apoio popular.<\/p>\n<p>Turquia na Europa<\/p>\n<p>O tema Turquia \u00e9 absolutamente central para o futuro da Europa. Sou a favor da ades\u00e3o da Turquia, desde que queira e cumpra o extens\u00edssimo caderno de encargos que a Europa imp\u00f5e. Aqui se verifica a capacidade de construir ou n\u00e3o um di\u00e1logo de civiliza\u00e7\u00f5es. Os pais fundadores da Europa seriam claramente favor\u00e1veis. A reflex\u00e3o nacional sobre esse tema n\u00e3o est\u00e1 feita.<\/p>\n<p>Tr\u00eas D de tenta\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Des\u00e2nimo, Desespero e Desist\u00eancia. Pensar que n\u00e3o contamos nada. Cada um de n\u00f3s conta e conta imenso. As grandes transforma\u00e7\u00f5es da humanidade come\u00e7aram por gente que n\u00e3o contava rigorosamente nada. <\/p>\n<p>O F\u00f3rum Universal acontece na primeira quarta-feira de cada m\u00eas, no CUFC, e pretende ser um espa\u00e7o de debate, com um convidado, sobre uma quest\u00e3o da actualidade. A pr\u00f3xima sess\u00e3o \u00e9 no dia 4 de Janeiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Alto Comiss\u00e1rio para os Imigrantes e Minorias \u00c9tnicas, Rui Marques, esteve no Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura, na noite de 7 de Dezembro, e mostrou a sua vis\u00e3o dos imigrantes, dos recentes problemas sociais em Fran\u00e7a, ou do caminho que a Europa est\u00e1 a seguir. 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